04 dezembro 2007

Ferro queimado

Ei,
aqui,
escute:
não espere um alento.
Ao contrário de versos
vou soldando umas palavras
sem muito jeito,
no que será uma estátua de aço
feita com sucata – talvez
um arauto medieval desengonçado.
Frases sem dobradiças,
sem gonzos, que poderiam ser,
quem sabe, até, poesia.
Contudo, o que busco
nem é a obra acabada
mas um cheiro,
o cheiro de ferro queimado
que sai das palavras
enquanto uso o fole,
a bigorna, a pancada.
Tu sentes o cheiro,
ou tudo já é frio?

4 comentários:

Jânio Dias disse...

Ah, eu sinto. O cheiro dessas bandas possuem um alercrim que não há nas bandas de lá.

Grande abraço, Dauri.

Jorge Elias Neto disse...

O poeta é aquele que faz o leitor sentir-se um poeta.

Um grande abraço,

JEN

Anônimo disse...

Sinto, sinto o maravilhoso cheiro da palavra sendo criada, esculpida, trabalhada... e finalizada de forma ímpar!

Maravilhoso como sempre!
E como sempre, estou sem palavras...

Bjos

Plinio Uhl disse...

Já vi que vou passar mais tempo por aqui, rs. Excelente comparação para mostrar que o prazer está na execução da arte, e não na obra. A pergunta, ao final, não é ferro. É ouro.