29 outubro 2009

Sacolas plásticas IV

Verde e aveludada
em veludo eriçado
a lagarta verde alaranjada
escorregava-se como sentimento
rejeitado, sentido, ressentido
na superfície lisa da sacola azul, poema
sacola, lágrimas palavras,
vírgulas viradas em dia de chuva
em sacolas cheias de lixo aos pés
da árvore de onde caíra
a lagarta. Verde luminosa
a larva viva definia
sobre o azul cerúleo plástico,
definição sem muita clareza,
um mundo, qual não se verde,
cinza talvez, e melancólica voz,
linda música ao fundo da cena,
cinema de retinas, manias
de ver.

4 comentários:

Mai disse...

É inevitável meu riso, mas é um sorriso natural. Porque você - não poeta - poema e com esse isso cria imagens, mescla cores e dá movimento e acaba deixando sacolas plásticas (um lixo nojento que degrada o planeta e polui o ambiente), com um colorido de dar gosto. (risos)
Fiquei de olho na lagarta de fogo. E se sacolas são vírgulas invertidas eu torço é por um ponto final nelas. E fiquei imaginando você sentado sem pressa nenhuma e olhando esse 'troço' , escrevendo
essa palavra e - sem querer - um não poeta faz, do lixo - poesia ambiental. Um não-poeta,
não-ativista difundindo com poesia idéias de sustentabilidade.

Saio pensando nas sacolas, na lagarta e em você que é o único não-poeta convicto que faz poesia e que é teimoso que só vendo.
Abraço,

HSLO disse...

Estava com saudade de passar por aqui...mais to de volta.

abraços

Hugo

paula barros disse...

Dauri, eu li. Eu vi a cena.

Fico satisfeita em ler você.

beijo, boa noite!

Valdeir Almeida disse...

Mais uma linda poesia com que você nos presenteia.

Abraços.