13 março 2009

prosseguindo com a série Per aspera ad astra

VI

O pé sobre a cadeira,
a lembrança dos teus olhos tristes,
o impulso como ato de amor,
a mão erguida
tocando asas invisíveis,
desatarraxando a lâmpada queimada
por acreditar em desejos, sonhos, coisas novas,
luz. A outra lâmpada no bolso,
sobre o coração,
com seus filamentos intactos que logo
serão incandescentes.
As coisas ficavam mais bonitas
pelos teus olhos tristes
e densos, talvez tristes de amor,
que eram capazes de enxergar e mostrar
o que mais ninguém via.
Há tempos brilhava esta lâmpada nesta sala
... ainda estavas aqui.
Olhos tristes de amor... podem ser?
Hoje pondo outra luz no lugar
caio no escuro da falta, no claro
da saudade que me faz te rever
no comum dos dias, em cenas vazias. Dirão:
versos desconexos. Direi:
versos mentirosos, inversos, protestos,
per aspera ad astra, coisas
insignificantes, a troca de uma lâmpada,
um ponto de dor, aqui, bem aqui,
aonde agora coloco a luz que se apagou,
no bolso da camisa
sobre o coração. Desço da cadeira
aperto o interruptor, a sala se ilumina. Amar
é tão difícil, viver sem amor
será mais ainda.

12 comentários:

Avassaladora disse...

Percebo que são lembranças debulhas em forma de poema...
E o dilema é cruel!
Amar ou não amar?

Para voce:

Ter, a um sonho de amor, o coração sujeito
é o mesmo que cravar uma faca no peito.
Esta vida é um punhal com dois gumes fatais:
não amar é sofrer; amar é sofrer mais!”

Juca Mulato - Menotti Del Picchia

Sei que vc conhece, mas é sempre bom reler...


Beijos e carinhos mil!

paula barros disse...

"Hoje pondo outra luz no lugar
caio no escuro da falta, no claro
da saudade que me faz te rever
no comum dos dias, em cenas vazias."


"Amar é tão difícil, viver sem amor
será mais ainda."

Li uma frase essa semana que dizia "sem amor nada acontece".

beijo

Opuntia disse...

Os versos dão um pouco de luz ao "escuro da falta".

Alma Nua disse...

...ai eu pergunto:

seria este eterno trocar
a, ou de 'lâmpada',
a ilusão do amor?

bj

paula barros disse...

Queria saber comentar melhor o que você escreve. Volto para reler várias vezes.

Recebi um envolepe de plástico que tinha estrelinhas vermelhas soltas e fiquei balançando, lindas, mas elas se embaralhavam.

Suas palavras são estrelinhas, lindas, ficam balançando dentro de mim, as vezes embaralham o que quero dizer, e mexem comigo.


É muito lindo, né?
"tocando asas invisíveis,
desatarraxando a lâmpada queimada
por acreditar em desejos, sonhos, coisas novas,
luz."

Elcio Tuiribepi disse...

Seria decepção, ou talvez a triste realidade, ou não...aprendi com Quintana que não se deve querer entender, as vezes em sempre a gente erra...as vezes acerta, portanto, apena aprecio...a palavra é sua...um abraço na alma...

LUiA disse...

O que nos dá esperança é a quantidade de possibilidades das lâmpadas...
Cores, formas, tamanhos, quentes ou frias, mais fortes ou não.
Bjos e um final de semana iluminado

Fa menor disse...

Quando se apaga uma lâmpada é a escuridão que brilha em nós.

Bonito poema!

F. Júnior disse...

acho que o amanhã nem existe...o amanhã é só uma promessa de felicidade vindoura ou não-felicidade...

*e, acho que o futuro é uma mula sem cabeça, sem destino, sem saber aonde vai dar... hehehe

John Doe disse...

Rabiscos incoerentes de uma mente conturbada, ou Dirão:
versos desconexos.de olhos tristes de amor... ainda quero que escrevas meu caderno...

Márcio Ahimsa disse...

Concordo... Saudade e lâmpada, luz que marca a sombra de instantes que permanecem. A palavra é essa: permanecer... ainda que o vento varra os sonhos para longe.

Abraços.

Mai disse...

Caramba,

fui lendo e vendo a cena de desespero...
Já havia lido o prólogo mas fiquei com a respiração em suspenso...

E uff...
Alívio porque na primeira frase percebi pés sobre a cadeira depois o impulso e a ausência, a falta do outro...

Mas cheguei a pensar na simples troca da lâmpada...
O jogo insistente de tuas palavras...Me traziam e induziam ao erro, outra vez.
Bárbaro!

Muito bom!
Rápidas palavras mas conseguem ao menos a mim... jogaram-me no equívoco em momentos distinctos...

Beijo,

Mai