29 novembro 2008

Tenho sina. Um oco

– Fome estilhaçada é o que sou,
fome de ser águia, quis ser jogador.
Eu acreditei que seria grande no futebol.
Já passo dos quarenta. Nem pardal sou. Veja.
Meu peito nunca mais foi ungido
com palavras que cantam. Eu cantava
e traçava para mim belo caminho.
Agora assobio, sem destino,
tenho sina. Um oco
é onde cai o meu futuro. Vendo abacaxi.
Já tentei vender galinhas, maçãs também.
Maçã é fruta bonita, mas fiquei com o abacaxi.
Vou com este carrinho por ai
e as frutas penduradas em cordinhas
como varais. Chama a atenção. Eu queria
era vender girassóis. Todavia,
logo na primeira esquina seriam murchos,
desmerecidos para a luz como um dia no seu fim.
O abacaxi parece flor, e cheira.
Quanto mais eu ando e o sol me queima,
mais ele cheira.
Mas vou repetir uma palavra, posso?
Queria mesmo era vender girassóis.
Acho até que voltaria a cantar.
Daria certo? Tu comprarias?

10 comentários:

JOICE WORM disse...

Compraria os girasóis e os abacaxis, que é fruta que eu gosto. Mas preferia ver o vendedor com as flores, que não pesaria menos do que as frutas, porque tinha que levar água, mas seria uma maneira de ver ditas flores mais perto de mim...

Mai disse...

Oi, Dauri.

Dias de oco...
assim, vazio, só o querer.
É tão amargo, também...

Como escreves bem, Poeta.
Sem muitas palavras, eu queria ser poeta, mas não sou.

Carinho.

Alex disse...

Sonhando, tudo é possível. E eu compraria os girassóis, sim. Gosto da flor, mais pelo aspecto, não sei. Quero ter um vaso verde com um girassol dentro, na minha mesa, perto do computador :)

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querida Amiga, eu compraria os girassóis, adoro-os!
Votos de bom Domingo,
Beijinhos de carinho e ternura,
Fernandinha

Dauri Batisti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
LuzdeLua disse...

Eu compraria... Todos os girassóis que me lembrem um dia feliz. Como o teu poema.

"Quem foi que assim nos fascinou para que tivéssemos um ar de despedida em tudo que fazemos?"

Amigo, passando para te deixar um abraço e dizer que vou ali e já volto. Algo dói aqui dentro e preciso ver o que será de perto.
Peço apenas que não esqueça meu cantinho, para que me ajude a fazer do retorno uma festa.
Deixo um beijo com carinho e a certeza de que fazes parte da minha vida.
Até a volta em breve
Beijos

Dauri Batisti disse...

Fernanda, fico feliz que a leitura te fez confundir personagens com o autor. Isso é interessante, mostra que somos uma mistura mesmo, um caldeirão borbulhante de dimensões como um universo. Mas recebo os votos de bom domingo também para mim, o autor da personagem que fala no poema. Esta é uma série em que, precariamente usando meu coração como catalisador de sentimentos, dou voz às muitas vozes que nos atravessam os ouvidos e o coração. Estas vozes ora são femeninas, ora masculinas, humanas portanto.

Beijo.

ex-controlador de tráfego aéreo disse...

Oi Dauri!

Rapaz, eu também quis ser jogador, até fui fazer um teste no Vasco. Ilusão que permanece em mim. Mas, também vendi algo. Vendi uns sonhos em forma de bola de gás, aquelas dos domingos de manhãe de parques de diversão. O problema é que o sol destinava a elas um fim diferente do que eu queria- vendê-las. Ao aquecê-las, o gás expandia, a pressão interna aumentava e elas explodiam. Algumas escapavam e subiam, agora a temperatura caía e a pressão externa diminuindo, fazia com que explodissem, da mesma forma, simplesmente assim.
Parei de vender.

O que eu gostei no seu texto é de saber que, não importando o que, deve-se perseverar, e cantando, sim.

Um abraço, poeta!!!

Sarah Vervloet. disse...

Prefiro mesmo os girassóis e acho que nunca será tarde para mudar de sonho, de rota, de vida. Deverias tentar. Girassóis por encomenda. Nas horas vagas o futebol é permitido. Aliás, experimente experimentar todos esses e muitos outros sonhos.

Abraço.

loba disse...

Eu compraria! Embora seja mais romântico pensar em ganhar girassóis poéticos! rs...
Mas sejam girassóis ou sóis, bom mesmo é ter a sina da mudança!
Beijo!