03 agosto 2008

Chove pouco sobre os campos certos dias

Com o pensamento em ventanias
levantando poeira de paisagens ressequidas
cheguei ao prédio para trabalhar
por volta das sete e trinta de uma manhã bonita.
O rapaz da portaria, o sem nome, que vergonha,
acionou a cancela e eu entrei,
o cartão vermelho lhe entreguei e recebi o verde.
Eu lhe disse bom dia e ele bom dia, tudo bem?
No tudo bem o pé acelerava o carro e nem lhe respondi.
Segui para a garagem. Foi o começo do dia.
Chove pouco sobre os campos certos dias
que ressecos mais ressecos ficam ásperos,
mas sei cantar e dançar chamando chuva,
sim, sei cantar e dançar chamando chuva.
Por incrível que pareça, com prazer, não com sacrifício,
sei fazer chover. Que desculpa vou arranjar?

3 comentários:

Dora disse...

Sabe fazer chover. Sabe a dança da chuva. Sabe cantar. Mas, o poeta está tal qual os campos. De coração áspero e ressequido para o "bom dia" e para o dia que está bonito. Tudo mecânico, no começo do dia...
Precisa "fazer chover", logo, dentro e fora, eu deduzo...
Beijos, poeta.
Dora

Dauri Batisti disse...

Querida Dora, preciso aplaudir seus comentários. Que beleza essa sua capacidade de interpretar e "pegar" tudo.
Beijos,
Dauri

Graziele Alencar disse...

Sete e meia da manhã, e os pensamentos já estão em ventania, porque o mundo está uma correria.
Não há tempo ou disponibilidade para conhecer as pessoas, pois a gente tem de seguir o "script". Faça chover, então. Não arrume desculpas. A chuva vai derramar sobre o roteiro, e a gente terá a liberdade molhada do que realmente importa nesta vida.
Não estou falando pro Dauri; é pro "eu poético"... (risos)
Beijos e boa semana!