22 junho 2008

Sete dias

Céu sem estrelas,
rosário sem flores,
lobos incolores,
traiçoeiros.
Dores, dores,
sete dias mortais.
Você acreditava, contudo,
num certo vento poderoso
que viria de repente numa noite
trazendo paramentos escarlates
roubados de distantes varais,
e línguas de fogo.
Seria tão bonito!
Inventaríamos um jeito
de consagrar o mundo
com nossos ritos,
corpo e espírito,
fogo e amor.
Mas o vento não veio
e você se foi.

8 comentários:

Beatriz disse...

*Mas o vento não veio
e você se foi*

Prendi-me neste verso... para mim o vento sempre foi um leva e traz de saudade e lembranças nas madrugadas insones.

Pelo que pude observar o teu blog faz aniversário de um ano neste mês de junho. Parabéns e, se for possível, mais sucesso ainda nos teus escritos.

Gostei muito do teu espaço, dos textos e poemas, e poderia fazer destaque de muitos, mas me atenho ao *E eu respondi sou um olhar*, como também: *Gosto mesmo é de desenhar* e *Onde fica o céu*.

Toda a tua poesia nos traz aquele momento mágico onde os sentimentos e as emoções se aprofundam de maneira forte e ao mesmo tempo tão terna!

Eu diria que tu sabes mesmo *verdadear*. termo que roubei de um comentário teu, aqui mesmo no teu blog (rs).

Quero voltar para ler mais, pois o teu é um desses refúgios para onde vamos quando o olhar quer se encantar, o coração enternecer-se e a alma perfumar-se.

Ficam sorrisos e flores para enfeitar a tua tarde de domingo e, se me permite, um beijo no coração.

Ana Paula disse...

Venho sempre aqui, principalmente no final do dia, quando quero descansar a mente e o coração dos afazeres bancários. Então, páro e faço a leitura que me encanta e satisfaz meus olhos e o coração. Leio seus poemas, mesmo sem me manifestar. Apenas sinto prá mim o que suas palavras dizem.
Um abraço
Ana Paula

Dauri Batisti disse...

Beatriz,

obrigado pela visita e sempre seja muito benvinda. Seu comentário foi muito simpático e bonito. Especial. Obrigado.

Ana Paula,

que bom que você reapareceu através de um comentário. Obrigado.

Carla Borges. disse...

tempos que não passo por aqui, assumo, mas, esse post me soou bastante bucólico.
"e você se foi".
causa tristeza, mas, ainda sim belo.

Dora disse...

Caro Dauri. Faz tempo que não visito amigos.
Mas, o vento me trouxe agora...acho...
Sete dias. Sete é um número cabalístico, não?
E há aí toda a referência a crenças e rituais, que cabem nos sete dias, que formam a semana.
Eram mortais os sete dias de "céu sem estrelas..."etc. O que seria a chegada da celebração frustrou-se. O "vento poderoso" não alimentou a crença. Então, não houve o ritualismo, nem a consagração. Resumindo: as dores permanecem. Não se consumou o que "seria tão bonito"!
Mas, o poema continua bonito!
Beijos para você!
Dora
(desculpe-me desfiar assim seu texto...).

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Oi Amigo
É... o vento nunca vem... e nossos amores sempre se vão... Mas tb, se não fosse assim acho que não saberia fazer verso. É o preço que pago;
Qto ao Pena de los Amores é uma canção com a Linda Rontasdt... é um lamento...
Pelo que sei o JE está viajando, qdo ele voltar vamos agitar nosso café com prosa e poesia.
beijo

Dauri Batisti disse...

Carla,
que bom que você passou aqui de novo. Seja sempre benvinda.

Dora,
adoro o modo com que desfias meus simples poemas. Faça sempre que quiser. Aguardarei.

Katia,
Os que somos de Vitória precisamos, de fato, de um café com prosas. E quem de outras cidades vier, será benvindo.

:: Daniel :: disse...

Dauri, amigo

Sete dias foi o tempo dispendido para a criação. Antes disso, o mundo poderia estar meio confuso mesmo. Mas, quem sabe, no oitavo, o amor não dá as caras de volta?

Abração!