14 maio 2008

Aos pés da montanha

Está ali no norte a montanha de-onde-avisto-longe.
Cresce o trigo que plantei como um sonho
nos campos férteis que se estendem
no sopé da querida montanha.

Há na vila uma linda menina, minha noiva.
O oficial acordou-me, chamou-me
... e me mandou para a guerra.
Ao sul ficou a montanha

e os sonhos que avistei.

3 comentários:

JOICE WORM disse...

Ai a guerra. Para que serve?
Para separar corpos amantes?. para nos colocar longe das montanhas e vales?... E dos sonhos?...
(Gostei deste poema Dauri. Apesar de não gostar mais de vilas)

Eurico disse...

Mestre, tuas palavras são generosas pq generoso é o teu coração. Escrevo há 40 anos e ainda busco aprender, pois esse ofício exige perseverança de garimpeiro, cuidados de jardineiro e alma dedicada e engenhosa de ourives. Mas essas três profissões também são menores no mundo de hoje. Como dizia o Mestre Osman Lins, escritor é uma profissão que não existe.
Abraçamigo e fraterno.
Ah, ia esquecendo: garimpas, cultivas e produzes flores de ourivesaria.

Dora disse...

A montanha estava ao norte, os sonhos também. Ela ficou ao sul, juntamente com os sonhos.
O ponto de vista mudou. Deveu-se a um fato só a origem dessa transmutação: uma guerra, para onde se é obrigado a partir.
A vida estava ali: a vila, a noiva, a montanha e o trigo plantado. A montanha era querida e a noiva, linda. O trigo, plantado como um sonho...e ficou só no sonho.
Tudo foi um sonho avistado.
Parece que o poema faz um círculo e volta sobre si mesmo...para o início.
Bonito!
Abraço.
Dora