20 fevereiro 2008

O jardim na fronteira das lavras

Às seis da tarde tomei o trem
e fui em silêncio até o fundo do desfiladeiro.
Logo avistei o jardim na fronteira das lavras
onde se cortam as palavras.
Não precisei correr, bastava o bom passo,
aquele que o amor-de-escrever me fazia dar
mesmo no escuro, para descobrir a pedra exata
para a palavra certa. Leve.
Retornei no alvorecer com essapalavra que lá talhei
com sopros e respiros suaves e outros profundos
na pedra menos áspera que encontrei:
"Já que Deus te colocou na minha porta
te convido a entrar e tomar parte
da minha pedra-poesia-pão.
SEJA BENVINDO!"

11 comentários:

Elcio Tuiribepi disse...

Olá Dauri...bom dia, vejo que sou o primeiro a saborear este café da manhã com sua pedra-poesia-pão...E está prá lá de bom viu!! Parabéns pela forma como escreve...uma exelente quinta para você ok...um abraço...e obrigado pela presença no meu blog...

Ricardo Rayol disse...

Uma bela placa de boasvindas. jogou bem com as lavras. Obrigado pela visita e fique a vontade.

bruno disse...

brincar com as palavras no limbo das lavras...

gostei

:: Daniel :: disse...

É sublime quando o amor pede licença e bate a nossa porta para, pelo menos, passar uma tarde.

Belo poema!

Abraço!

Célia de Lima disse...

Dauri, de que leveza o seu passo pelas palavras! Harmonia, profundidade, beleza. Como gosto de poemas assim. Prazer imenso ler :-) E obrigada. Uma boa noite, poeta.

Loba disse...

há palavras demais, mas poucas são essaspalavras. passear por elas é como viajar nos sentidos dos muitos sentimentos. é como colher a flor que a poesia fez nascer na pedra.
um grande e encantado beijo, poeta!

F. S. Júnior disse...

gostaria Deus de poesia e poetas?

Dois Poetas disse...

Olá Dauri!

Acredito que nenhum poeta consegue não se familiarizar com a temática de alguns dos seus poemas, quantas vezes, durante a madrugada, durante a manhã, e nas horas mais impróprias eu não sentei diante o computador e tentei arrancar do meu cérebro algumas palavras, talhar as imagens mentais da realidade e delas extrair algo belo e profundo, mas sendo bem o mal sucedido nisso, a luta permanece, ser poeta é sempre tentar ser poeta, é um destino que nunca se alcança e devemos nos contentar apenas por trilhar o caminho, mesmo que eu escrevesse uma centena de poesias brilhantes e estou longe disso imagino que a minha necessidade de escrever não diminuíria um único centimetro, é quase uma idéia fixa.
Isso me lembra aquele verso genial de Drummond "Lutar com as palavras é a luta mais vã, entanto lutamos, mal rompe a manhã".
Li suas poesias em inglês, gostei. Outra coisa que gostei também foram as suas referências à alguns elementos da cultura de massa, como o trecho de uma música do Frank Sinatra e a referência à Jornada nas Estrelas, é claro, que tem muita coisa que na cultura de massa que não possuí um valor artístico - e seria muita gentileza dizer que possuem algum valor - mas o trecho da música é muito bom, e a enterprises fez muita gente sonhar com o espaço. Na verdade, eu acredito que ainda que se considere a cultura atual muito pobre, ela não deve no entanto ser desprezada, é uma atitude muito conservadora e pseudointelectual relegá-la completamente ao limbo enquanto reserva espaços em suas citações apenas a mitologia grega e a autores de teatro da idade moderna, como Moliere, por exemplo, no fundo, é só uma questão de por o espírito crítico para funcionar e escolher as referências certas nos momentos adequados, como você fez.
Abraços e me perdoe pelo tamanho do comentário.

Luciano DiiDrick

Ana Paula disse...

Estou aproveitando a hora do almoço para colocar a leitura em dia. E como não poderia deixar de ser, "esspalavra" como sempre, bem "talhada", se torna beleza, poesia, reflexão e pão. Ser benvinda é muito bom
Abraços
Ana Paula

Luiza disse...

Muito bom... receber boas vindas!
Os sentimentos ficam mais leves
com este alimento Pão-Poesia,
ainda mais se as pedras estão ásperas e cortantes!
Amor-de-escrever, palavra certa, leveza...Deus!

bjos

Friendlyone disse...

É tão bom achar "essapalavra"
Às vezes já tão marcada
Prestes a existir
Bom quando ela vem facilmente
Fazendo tão bem a gente
Que sempre passa por aqui!

Ah, você, heim Dauri?!!!