09 setembro 2007

Festa da poesia

Inhames, inhames, inhames.
Tive que repetir estas palavras
para me tirar do chão.
Inhames, inhames, inhames.
Procurei na repetição a poesia única
que me levantasse o olhar.
(como é triste sofrer de olhar-caído).
Inhames, inhames, inhames.
Levantei-o com custo.
Foi difícil romper o anseio
de dormir, de ficar, de não ir à festa da poesia.
Além de falar, e sem forças, comecei a escrever.
Inhames, inhames, inhames.
Minha mão não queria parar,
havia um silêncio que me prendia
e me construía com cada letra de inhame.
Ao final, minha outra mão me interrompeu e
me apontou uma jurisdição de mim mesmo
alagada, iluminada por um “sol”
(usei as aspas para parecer que o sol brilha)
e uma imensa plantação de inhame.
Ah se o inhame enflorasse!
No ritmo dos anos 80 (lembra?) comecei a cantar.
Inhames, inhames, inhames.
A poesia apareceu, aconteceu.
Não por que cantei, mas o inhame enflorou.
Infames, aceitos, rizomáticos desejos de sei-lá-o-quê
e outros tantos; o que foi e o que vai ser,
flor-de-inhame.
(maravilhoso mundo das palavras,
da escrita que redesenha o mundo,
desafia a deus, desdenha da morte
e faz a festa)

Um comentário:

Eurico disse...

Bela floração de inhames, belos rizomas...rsrsrs