<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919</id><updated>2012-01-28T13:54:04.126-02:00</updated><title type='text'>essapalavra</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>668</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-5495834915354675563</id><published>2012-01-24T21:17:00.000-02:00</published><updated>2012-01-24T22:47:45.071-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Subia, sol escaldante, o pequeno caminho que o levava ao alto do morro onde ia buscar o gado, subia a pé, o pasto já sentia a falta de chuva, e corroia-se de raiva, pois tinha certeza, seu irmão mais velho tinha descoberto onde guardava suas economias, um dinheiro de longo tempo acumulado de pequenos ganhos, um dinheiro pouco que o pai lhe dava e que economizou, pensava numa bicicleta, aquela azul marinho da loja do seu Guilherme, e assim como um pensamento que vem e vai o dinheiro sumiu, seu irmão fez que não sabia, achava-se pelos seus dezoito anos no direito de impor-se sem explicação, dormiam no mesmo quarto, três camas, na parede sobre a cabeceira um quadro de santo para cada um, São Lourenço sobre a sua,&amp;nbsp;o de dezoito sobre o qual caiam suas sérias desconfianças tinha um anjo de asas bem grandes, ele com quinze e o de quatorze com&amp;nbsp;São&amp;nbsp;Roque, este de quatorze&amp;nbsp;lhe tinha muita estima, mas o mais velho desde pequeno gostava de lhe impor sacrifícios e humilhações, nunca de todo conseguia, mas não conseguindo a contento sempre tentava, com as mais inesperadas atitudes, e de nada adiantava reclamar ao pai ou a mãe que não se envolviam com as brigas dos filhos, tantos que tinham, doze, uns já casados e outros ainda moleques, e sabia agora, ele tinha roubado suas economias, decidira vingar-se, haveria de encontrar um jeito, queria matá-lo, mas antes tinha que pensar onde ele poderia ter escondido o dinheiro, os dias passaram e com eles seguiram os pensamentos de nuvens pesadas que não chovem, mormaço e agonia, nas tentativas não encontrara sucesso, procurou por todos os cantos em que o irmão poderia ter escondido o que roubara, o gado desobedecia-lhe, corria para cercá-los e levá-los ao curral, xingava os animais que não lhe obedeciam de imediato, uma das vacas com cria nova exigiu mais cuidado e paciência, acalmou-se um pouco olhando a fragilidade do bezerro, e ao chegar do curral, suado e sujo, em frente de casa no terreiro onde o pai fumava seu&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;cigarro de palha, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=_358PNNVDDc&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;o sol abaixava-se&lt;/a&gt; em melodias de tristezas no assobio de alguém por perto, viu o irmão, que voltava do lugarejo ali distante uns cinco quilômetros, todo sorridente e&amp;nbsp;pedalando uma bicicleta novinha, exatamente aquela que ele tinha namorado no Armazém do seu Guilherme, comprei pai, economizei um dinheiro e comprei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-5495834915354675563?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/5495834915354675563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=5495834915354675563&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5495834915354675563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5495834915354675563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2012/01/subia-ao-sol-escaldante-o-pequeno.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6863825481154299206</id><published>2012-01-20T11:24:00.000-02:00</published><updated>2012-01-20T21:20:23.063-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Levantou-se&amp;nbsp;no escuro, a manhã ainda era uma espera de demora, sentia um cheiro no ar, mas não era cheiro do café que sua velha mãe fazia bem antes do sol nascer, levantou-se como se fosse dia de semana, como se fosse para a lida, a noite ainda se expandia sobre o telhado e sobre o milharal, levantou-se devagar para não acordar a mulher, o filho pequeno no berço, sentia um cheiro no ar, passou pela cozinha, a benção mãe, que cheiro é esse? a mãe escolhia feijão, o monte sobre a mesa já dividido pela metade ao lado de uma lamparina com chama fragil, Deus te abençõe, uma flor dessas que&amp;nbsp;soltam no ar&amp;nbsp;seus&amp;nbsp;cheiros à noite, respondeu, foi andando pelo quintal, seguiu pela estradinha até o rio, arrancou a calção que usava, foi entrando aos poucos na água, era fria, mas gostava daquele frio, a noite tinha sido muito quente, de nada adiantara as janelas escancaradas, dormira pouco, ouvia os ruídos do mundo, sapos, ventos, pios de uns pássaros, tristezas e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=gzncXuwl4OI" target="_blank"&gt;lamentos antigos&lt;/a&gt; que ainda reverberavam por aquelas bandas, achegou-se a uma parte mais funda do riacho, abaixou-se e deixou a água limpa, transparente mas coberta ainda pela película da noite na altura da boca, ficou ali, a água entrando e saindo da boca, e pensava, pensava, não queria, resistia o quanto podia, mas iria para a venda ainda pela manhã, não suportaria o domingo sem ir à venda, e se fosse beberia, beberia, beberia, voltaria trôpego para casa, cairia na estrada, como sempre, os filhos?, os filhos rapazes não mais iriam buscá-lo, nem a mulher, talvez a mãe fosse chorar ao seu lado sem forças para levantá-lo, talvez ficasse ali ao seu lado com um terço, um cantil com água, um velho e puído pedaço de pano na mão. Ah, mais um domingo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6863825481154299206?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6863825481154299206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6863825481154299206&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6863825481154299206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6863825481154299206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2012/01/levantou-se-mais-cedo-do-que-devia.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-4781444306852684358</id><published>2012-01-11T13:32:00.002-02:00</published><updated>2012-01-11T19:38:00.514-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Desânimo?, preguiça?,&amp;nbsp; vontade de ir-se embora, viver outra vida? não!, aquilo era a vida, a sua vida, também não sabia direito o que queria fazer, só tocar a velha concertina do tio já falecido, isso queria, que ficava no paiol dos arreios, mas agora, agora teria que voltar ao cafezal, abandonar a sombra da árvore,&amp;nbsp;árvore&amp;nbsp;tão boa, tão triste, tão quieta de tantos anos e coisas vistas, uma árvore vê muitas coisas, fica parada e olha todas as direções, tomou as coisas, a peneira, a água, teria que ir, havia muito café a apanhar, o sol escaldava as idéias, mas iria, e já ia, um atrás do outro, seus irmãos, roupas de trabalho todas manchadas e remendadas, pensava demais, pensava na concertina, em música, em ficar no cômodo das selas e arreios, naquela velha cadeira tocando, aprendera observando seu tio, maravilhoso tocador, mas bruto como um cavalo não amansado, jamais ousou pedir umas lições, tinha olho e ouvido para observar, que aprendesse por conta própria, queria ficar tocando, tocando e inventando música, umas letras de amor com português errado, sua professora falava bem português, não tinha mistura de italiano, viera de Vitória. O que faria? Iria para o cafezal, olhou para as mãos duras como couro mal curtido, lembrava enquanto seguia,&amp;nbsp;na mistura de pensamentos, do amigo que fora caçar e matou-se. O que aconteceu ninguém soube, dizem que não queria servir o exército, corria a notícia que alguns rapazes da região que serviam em Vitória já tinham sido enviados para o Rio de Janeiro, já esperavam ordem para embarcar para a Itália, melhor rezar por ele uma ave-maria, mesmo que viesse a se perder na reza, na segunda parte, antes da hora da nossa morte, sempre se perdia quando rezava sozinho, mas devia rezar por ele, os urubus uns dias depois marcaram o local, foi encontrado, tinham sido amigos de escola, sentia pena dele, estava com tudo pronto para o casamento, também ninguém explicava como fora assim decidir casar, nem se sabia que ele estava namorando, ia casar bem novo, com 17. Pensou, à noite, mesmo cansado e com as mãos duras iria tocar, viriam alguns, se sentariam ali, sua mãe, uns irmãos, os mais novos, uns empregados, seu pai ficaria da varanda observando o mundo, e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=CFQQsu6VBYA" target="_blank"&gt;esqueceriam a vida&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-4781444306852684358?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/4781444306852684358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=4781444306852684358&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4781444306852684358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4781444306852684358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2012/01/seria-desanimo-preguica-uma-doenca.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6210901482465556695</id><published>2011-12-30T16:46:00.000-02:00</published><updated>2011-12-30T18:45:07.231-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Cansa-se, mas continua a pedalar, segue, levanta a cabeça e vê o nublado da tarde. A volta para casa sem dinheiro torna-se longa, não havia vendido senão uns poucos doces, nada, a festa logo se dissipou depois da missa por causa da chuva, afetou-se&amp;nbsp;de uma tristeza, sem querer, mas não se entregou, recolheu o pouco dinheiro contado mais de uma vez, daria&amp;nbsp;ao pai. A cada vez que somava as poucas notas queria diminuir no peito a distância que o oprimia. Agora, nos pedais da bicicleta, cansava-se de viver, mas não, não desistia, esgotado fazia ainda mais fortes as pernas para pedalar e subir a ladeira na curva da estrada sem descer da bicicleta. Para chegar em casa tinha uns oito quilômetros pela frente. Queria comprar novos sapatos, já se ia em tempo de namoros, estava de olho naquela menina, Mirian. Casaria-se com ela, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=L3qF86e5sI4" target="_blank"&gt;sabia&lt;/a&gt;. Tão linda, mais doce do que linda, tranqüila e tímida. Linda afinal, pois que lindeza é a soma disso tudo e outras coisas, o olhar, o olhar com a cabeça levemente inclinada para frente, as mãos grossas do trabalho na lavoura e brancas como leite, a voz de segredos e de modinhas de amor. Mas ainda não tinha o dinheiro dos sapatos, nem pediria ao pai, tão pouco conseguira na festa, tinha que dar um jeito no único par que possuía, reforçar a sola, engrossar as trincas e rugas com cera preta e então polir, polir, polir com a velha flanela. Chegou ao topo da ladeira, olhou sem muita demora para a estrada triste e solitária que se espichava para trás, mirou adiante e pensou, 1954 vai ser um ano melhor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6210901482465556695?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6210901482465556695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6210901482465556695&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6210901482465556695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6210901482465556695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/12/cansa-se-mas-continua-pedalar-segue.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-7432484847660205813</id><published>2011-12-21T15:34:00.001-02:00</published><updated>2011-12-23T07:10:38.212-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Ela se levantou e foi&amp;nbsp;à janela, nada queria dizer, mas disse, entre a obrigação e o costume, você devia ter me ligado. Olhava para um jardim que ainda era bonito, mas já se percebia a falta de uma mão cuidadosa. Aquela frase, você devia ter me ligado, já era uma frase perdida, se ele tivesse ligado ou não, não fazia mais a menor diferença. Ia seguindo com aquilo, a vida, a vida, a vida ia, um teatro, uma invenção que se encarna em dores cotidianas das quais ainda era incapaz de se desvencilhar. O sonho, ah, aquela história de viver os sonhos...&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Então se imaginou num grande teatro, a peça retratava a vida e a decadência de uma importante família, ela suavemente virou-se para ele, deu-lhe seus olhos, os mais verdadeiros que podia representar, amor é o que marejava em cada brilho fosco do olhar, e disse novamente sem&amp;nbsp;dar importância às explicações, mas você devia ter ligado. Ao&amp;nbsp;dizer-lhe assim&amp;nbsp;a frase percebeu que tinha engolido o me. Ninguém haverá de perceber, disse para si mesma, e este pensamento deu-lhe no desempenho do papel um ar mais humano, denso, complexo. Ao mesmo tempo, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YefsGO5LKDk" target="_blank"&gt;para coroar a cena&lt;/a&gt;, imaginou&amp;nbsp;como fundo musical eu sei que vou te amar, ao piano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-7432484847660205813?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/7432484847660205813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=7432484847660205813&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7432484847660205813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7432484847660205813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/12/ela-se-levantou-e-foi-ate-janela-nada.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-9211902190150457360</id><published>2011-12-20T15:07:00.002-02:00</published><updated>2011-12-20T19:14:18.312-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Uma onda vem com uma instantânea abundância de alegrias, pequenos intensos contentamentos, um flash de momentos que apresentam&amp;nbsp;gentis, amáveis&amp;nbsp;pedidos. Um carro segue pela estrada empoeirada, numa tarde que ia chover e não choveu, tarde temperada de um frescor no ar e uma amiga luz no céu. Pintou-se o tempo, num instante, num arco-iris de resquícios de coisas da vida. Que boa sensação, sensação de viver, sensação de que a beleza que se escondia, sorridente se apresenta agora nos eventos mais ordinários, numa estrada que faz suas curvas no coração, num carro que levanta as poeiras dos dias, uma estrada qualquer, um carro indo embora, feliz. Ali, nos campos por onde o carro passa, vai um cavalo solto &lt;personname productid="em disparada. Um" w:st="on"&gt;em disparada. Um&lt;/personname&gt; menino corre também, rindo, rindo, rindo, e quando o carro passa ele acena e continua correndo como se ele e o cavalo e o campo e a estrada e o carro constituíssem a dança, a dança que&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ryAW5FVGprw&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;desdobra a dor&lt;/a&gt;, que explica o caminho da estrela.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-9211902190150457360?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/9211902190150457360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=9211902190150457360&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/9211902190150457360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/9211902190150457360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/12/uma-onda-de-passado-vem-com-uma.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-7408279677689146826</id><published>2011-12-19T14:23:00.003-02:00</published><updated>2011-12-19T19:20:17.577-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Era um nada que estava ali por detrás dos olhos, por entre as folgas do pulmão em cada respiro, um nada, como um grito depois do &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=dNVrdYGiULM&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;último eco&lt;/a&gt;, quando se olha as montanhas sozinho e nem se tem vontade de ir, nem de falar, nem de cantar, nem de assoviar, nem de sentar, nem de ficar de pé. Olha-se apenas, e alguma coisa estabelecida na alma impede até um pequeno volver do pescoço ou do globo ocular. O olhar cancela-se de sua inquieta dança entre aqui e acolá e fixo chora, seco, chora, sem piscar. Então se ouviu um chamado, um insistente chamado, o cão latindo, latindo como se visse ali um perigo. Era humano o perigo de tornar-se outro, nascia-se no silêncio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-7408279677689146826?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/7408279677689146826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=7408279677689146826&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7408279677689146826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7408279677689146826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/12/era-um-nada-que-estava-ali-por-detras.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-5936474682509050960</id><published>2011-12-09T19:58:00.001-02:00</published><updated>2011-12-10T18:15:10.617-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;dizer umas palavras. Ninguém prestava muita atenção, mas havia ali um desejo de dizer. O som, as luzes, as pessoas ocupavam todos os lugares. Queria dizer riacho com areias brancas e águas transparentes, mas não, não disse isso, apenas sorriu timidamente, e deu-lhe o bilhete. Na verdade me contaram depois que ali estava escrito: tenho muitas cismas na mente, e receios no coração, e um titubeio na voz... mas escrevo: &lt;a href="http://youtu.be/ylad6wCbG5k" target="_blank"&gt;te amo&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-5936474682509050960?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/5936474682509050960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=5936474682509050960&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5936474682509050960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5936474682509050960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/12/era-uma-vontade-de-dizer-umas-palavras.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-2733225626878053805</id><published>2011-11-18T22:17:00.001-02:00</published><updated>2011-11-22T07:18:54.170-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #45818e; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;luto, tristezas e uma certa paz &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #45818e; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Quem desejar pode me acompanhar nesse exercício ( acho que exercício espiritual) em que&amp;nbsp;vou me deixando falar sobre o luto, clicando aqui no &lt;/span&gt;&lt;a href="http://ladosmultiplicados.blogspot.com/" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: #bf9000; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Lados multiplicados&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: #45818e; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Arial;"&gt;Desnorteadas tentativas - 3&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Foi num outro dia que nem sei qual, dois ou três depois do nosso último encontro, que ele, meu pai, reapareceu. Ele, acredito, tivesse alguma intenção em me dar aquele tempo de solidão. Deu-me um tempo de dor de solidão não por ausência de vivos, mas pela ausência de mortos. Eles cessaram seus ruídos, perguntei-me acerca dos motivos e nada encontrei como resposta. Na verdade sofri de solidão rodeado de pessoas, destituído abruptamente dos ruídos como mensagens, deles sentia falta, da sutileza de suas palavras, pequenos movimentos no revés das coisas. É bom que se diga, contudo, antes que esta história, este conto ganhe outras conotações, que eles, os mortos, não vem falar dentro do meu coração, não falo de alocução interior, falo de movimentos e sons aleatórios do mundo que são tomados por eles como palavras para suas frases, língua que eu não entendo, mas que são modos de dizer coisas dos mundos. Eles falam, eu ouço e não entendo, invento sentidos, dou-me ao trabalho de traduzir barulhos em pequenos poemas que logo esqueço, pois que não os registro, mas o que importa é saber que algo acontece entre nós, somos presença uns para os outros. Bem, ele apareceu, é isso o que eu ia dizendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2733225626878053805?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2733225626878053805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2733225626878053805&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2733225626878053805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2733225626878053805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/11/desnorteadas-tentativas-3-foi-num-outro.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1433220788565158200</id><published>2011-11-16T11:27:00.001-02:00</published><updated>2011-11-23T08:53:50.816-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Desnorteadas tentativas ( título provisório) - 2&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;E ali, no seu desaparecimento fiquei, e ouvi o que era possível ouvir, um ruído aqui, outro ali, enquanto as horas silenciosas e frias passavam lentas, levantei-me fechei a janela e fui para a cama, a porta levemente empurrada não fechou, ficou a um palmo do batente e por aquela abertura jorrava uma pequena e muda cachoeira de luz vinda do abajur acesso na sala, o sono não veio logo, os olhos fechados e apertados repetiam-se autonomamente na construção de cenários, rostos, palavras,&amp;nbsp; desnorteadas tentativas de aliviar o peso do dia, ou modos de impor-lhe, mesmo sem querer, uma outra carga. E então, a tentativa de aquietar-se e dormir foi rompida, a porta ia e vinha pacientemente fazendo&amp;nbsp;tinir a lingüeta da maçaneta no batente, mas sem força suficiente para fechá-la, favorecendo assim com seu ruído a construção de todo um mundo, que é de onde vem estes contos que te conto. Pensei se não seria ele que voltava, talvez lá os mortos não tivessem noites, nem cansaços, nem sono, nem necessidades de refazer-se para as lutas, e a porta ia e vinha com aquele movimento insistente de dizer o que eu nunca seria capaz de decifrar, sílabas incompreensíveis, formação repetida de uma única e breve palavra. Levantei, tomei uma sandália de borracha e ali coloquei, respeitava assim a vinda dele naquela cachoeira muda de pouca luz se ele quisesse voltar, e forçá-lo-ia a dizer na língua dos vivos o que ia me dizendo com aquele bater frágil de porta. Voltei para a cama e então foi a porta do banheiro que começou a falar com um singelo e sonoro e lento e macio e doce e incompreensível ruído. Então compreendi, ele me queria ajudar a dormir. Adormeci&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1433220788565158200?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1433220788565158200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1433220788565158200&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1433220788565158200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1433220788565158200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/11/e-ali-no-seu-desaparecimento-fiquei-e.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6415582662388322801</id><published>2011-11-14T17:07:00.001-02:00</published><updated>2011-11-16T11:50:06.976-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Desnorteadas tentativas - 1&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O tempo é uma estrada pequena, ele foi dizendo sem desviar o olhar do vão da janela como se a janela fosse o nicho de um santo de devoção, tinha o olhar de quem já morrera, mas era vivo, estava tão vivo e eu tão apagado de cansaços e cenários nublados, como os mortos podem estar aqui?, morreu a mais de trinta anos, pensei, mas me consolei com sua presença, tanto tempo sem vê-lo, e ali estava ele, era bom vê-lo ao meu lado, ali, solidário, como se sentisse o que eu sentia, sua voz naquela frase era tão confortante, como quando um pai ensina um filho a andar de bicicleta, ele olhava pelo vão da mesma janela, e eu perguntava-me se nossos olhares se influenciavam de uma mesma luz, ele olhava lá fora, lá fora ele e eu enxergávamos, ou apenas mirávamos um ponto, aquele ponto bem no verde da colina em frente, o ponto que coincidia com a velha mangueira perdida no pasto, árvore boa estendedora de sombra amiga em que, em dias como este, o gado se achega assim de manso ao alcançar a tarde o meio do seu curso, algo imprecisamente em torno das belezas e tristezas das horas da tarde, ele dizia, olhando a árvore gasta&amp;nbsp;por tantos olhares, o tempo é uma estrada curta que pensamos grande, e fiquei atravessado de espadas, um punhal de gumes finíssimos, sentíamos a mesma ausência, os dias se tinham ido tão rápido, mas era como se os dias passados se constituíssem num único dia, tão perto estava o adeus, a despedida, a ultima palavra balbuciada com brisas e suaves movimentos dos lábios. Quando tornei a olhar para dizer, pai!, já ele não estava ali, nem nunca estivera, algo em mim criara-lhe a forma, dera-lhe a palavra, o olhar, tudo era meu, era minha a&amp;nbsp;janela que dava para o escuro da noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6415582662388322801?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6415582662388322801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6415582662388322801&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6415582662388322801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6415582662388322801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/11/o-tempo-e-uma-estrada-pequena-ele-foi.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-8159619604730011780</id><published>2011-11-11T09:11:00.001-02:00</published><updated>2011-11-11T09:19:07.721-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;me pego na música&lt;br /&gt;pássaro&lt;br /&gt;me prendo e escuto&lt;br /&gt;as estradas que passam&lt;br /&gt;no vento. Sigo&lt;br /&gt;quando penso, &lt;br /&gt;quando penso que não,&lt;br /&gt;a&amp;nbsp;música e o pássaro&lt;br /&gt;se capturam&lt;br /&gt;em confidências de sim,&lt;br /&gt;e&amp;nbsp;eu no entre &lt;br /&gt;entre eles&lt;br /&gt;vou &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-8159619604730011780?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/8159619604730011780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=8159619604730011780&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/8159619604730011780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/8159619604730011780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/11/me-pego-na-musica-passaro-me-prendo-e.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1903273751907607299</id><published>2011-11-05T06:49:00.002-02:00</published><updated>2011-11-05T06:55:20.499-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Ao abraçar minha mãe &lt;br /&gt;- arcano do céu desvendado em amor cotidiano -&lt;br /&gt;senti na sua pele branca de mãe italiana,&lt;br /&gt;vindo do interior do seu coração, &lt;br /&gt;o bálsamo indescritivelmente bom &lt;br /&gt;de salas com tetos altos, janelas amplas, &lt;br /&gt;portas abertas, acolhida certa,&lt;br /&gt;horta orvalhada, montanhas altivas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... e lembrei, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;forçado por movimentos agradáveis no peito,&lt;br /&gt;do interior do Estado do Espírito Santo &lt;br /&gt;de onde migramos nos anos setenta.&lt;br /&gt;Vitória, ó cidade de Vitória! &lt;br /&gt;Uma das mais lindas do Brasil.&lt;br /&gt;Tu és agradável aos olhos como uma visão de mãe,&lt;br /&gt;mas o interior, o interior do Espírito Santo, &lt;br /&gt;ah, o interior...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... é Deus. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1903273751907607299?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1903273751907607299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1903273751907607299&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1903273751907607299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1903273751907607299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/11/ao-abracar-minha-mae-arcano-do-ceu.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-5557835164766225855</id><published>2011-10-24T20:05:00.001-02:00</published><updated>2011-10-26T14:25:41.914-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Proclamações do apocalipse do fim do dia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Ali, sentada, na tristeza da tarde, quase noite, quando não importam as lamparinas, apenas as estrelas importam, importam como uma espécie frágil de consolo, ou de companhia, ou nada disso, ali à porta da larga cozinha, sentada nos ladrilhos gastos do último degrau ela descansava das lutas do dia, de ter vivido de trabalho, ela descansava batendo na mesma tigela de tantos sabores uma meia dúzia de ovos com gemas vazantes de forte amarelo. Depois acrescentaria outras cores, verdes e sabores. Vinha-lhe a velha gata enrolar-se nas pernas, ela nem percebia. Ela, a gata, a cozinha, os cheiros, as chamas no fogão, o fim da tarde, a tristeza, a felicidade, tudo era uma coisa só. Olhava tudo, sem prestar atenção em nada, olhava porque olhava, porque tinha olhos, porque era costume ver aquelas paisagens, com amizade, com intimidade e indiferença ao mesmo tempo, olhava o pomar como uma longa faixa escura recortando as montanhas acima, olhava as montanhas e seus parentes que lá moravam mais altos, agora em suas casas abocanhadas pela escuridão, escuridão ainda maior pelos avisos dos pássaros em suas proclamações do apocalipse do fim do dia. Enchia-se o olhar no amarelo nublado pela noite nos ovos batidos, enchia-se daquela felicidade, daquela mornidão de viver, viver, viver. Haveria de levantar-se do chão&amp;nbsp;com cuidado, a gata já acostumada com os empurrões iria por ali numa curta meia volta, e depois retornaria, amaciava-se ainda mais a gata em suas pernas, apesar dos empurrões, nunca teve nenhum arranhão das unhas do felino, depois se&amp;nbsp;dobraria com cuidado para pegar a tigela, tinha a coluna ainda maravilhosamente flexível, naquele dia doia-lhe mais o joelho esquerdo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-5557835164766225855?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/5557835164766225855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=5557835164766225855&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5557835164766225855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5557835164766225855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/10/avisos-dos-passaros-ali-sentada-na.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-3362465926727308096</id><published>2011-10-15T16:11:00.001-03:00</published><updated>2011-10-15T21:14:28.745-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Era rouca, levemente áspera, mas nela havia uma maciez de voos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Uma voz no limite, um canto destes pássaros de alturas, um sussurro entre dormir e acordar, entre cantar e gritar,&amp;nbsp;entre ficar quieto e entristecer-se. Vinha a voz lhe dizer qualquer coisa assim difícil de entender. Uma única vez ele me confidenciou isso nos longos anos de amizade. Era rouca, ele dizia, levemente áspera, mas nela havia, hoje entendo, &amp;nbsp;uma maciez de voos, de tempos vagos perdidos em algum lugar pedindo resgate. Era a voz um lençol de coisas, de sentimentos que não se delineiam em nenhum padrão, roupas num varal defronte ao azul de dias bonitos e tristes, voz que ele ouvia, que ouço e tu também, eu sei, se me permites. Um quê de não sei onde que vem e&amp;nbsp; diz, vai, pega a estrada. Ele olhou o perfil das montanhas recortadas nos olhares e se&amp;nbsp;foi. Não foi, é claro, assim tão rápido, foi com demoras de tardes solitárias, de chuva miuda por dias, demoras de&amp;nbsp;entremeios de domingos nublados e cartas por escrever. Rápida é a história, de muitos anos, na brevidade deste&amp;nbsp;relato que fui encarregado de contar-te. Ele&amp;nbsp;não tinha um destino, tinha vários, tantos que se perdia entre eles. Há deste tipo de pessoas por ai, talvez até conheces algumas. Sempre fora assim, desde a escola, quando por entre as lições que não deixava de ouvir, se desorientava entre o rio que corria impassível, tranqüilo, e o redemoinho que se levantava inesperado em folhas secas e espíritos. Recolheu a voz no peito, como se tivesse morrido, de certa forma tinha sim, e se alargou em passos por uma estrada que não sabia aonde ia dar. Nos passos dele aquele dia dei também os meus. Não te nego, contar-te este conto, que tão pacientemente ouves, é uma forma de reviver. Mas os tempos que pedem resgate nunca são resgatados, eles apenas se reescrevem nas novas páginas das estradas que vamos vivendo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-3362465926727308096?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/3362465926727308096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=3362465926727308096&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3362465926727308096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3362465926727308096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/10/era-rouca-levemente-aspera-mas-nela.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-3491382509338125544</id><published>2011-10-11T07:56:00.001-03:00</published><updated>2011-10-11T08:25:01.624-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Múltiplas mãos dançam suas sombras em cada letra que deixo nestes papiros&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Estou rodando o caleidoscópio que é a vida e olhando. Olhando e vendo tempos&amp;nbsp;em meus escritos... e resistências. É como se eu dissesse, não sou consumidor de palavras, sou vivo o bastante para não ser apenas consumidor, leitor; sou marcado por tantos tempos que não posso ser apenas consumidor, sou criador. Há em nós um impulso intempestivo, um desejo produtivo, um anseio de poesia. Mas bem sei, o que criamos, criamos em parcerias com o tempo, em parcerias entre nós – algumas bem disfarçadas - e em outras mil parcerias. Múltiplas mãos dançam suas sombras em cada letra que deixo nestes papiros luminosos à minha frente. Sou, somos, a mestiçagem de tempos, de dores e poesias, de vivos e mortos. Somos uma mistura ainda&amp;nbsp;não muito bem&amp;nbsp;mexida entre os sulcos na terra rasgada pelo arado e as avenidas barulhentas, entre a carroça e o satélite, entre&amp;nbsp;tinteiros e&amp;nbsp; bytes. Estamos na interseção. Bem... não sei. Estou apenas rodando o caleidoscópio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-3491382509338125544?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/3491382509338125544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=3491382509338125544&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3491382509338125544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3491382509338125544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/10/multiplas-maos-dancam-suas-sombras-em.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-2882618343374757622</id><published>2011-10-08T13:53:00.001-03:00</published><updated>2011-10-09T06:59:30.701-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tempos que se avizinham das minhas mãos nos seus menores tremores&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrevo assim como vocês também escrevem, escrevo marcado pelo que vou sendo, pelos modos atuais de produção de&amp;nbsp;subjetividade que nos constituem, e&amp;nbsp;que inclui esta máquina humana pela qual nos afetamos de suavidades e intensidades. Nossos cadernos maravilhosamente tiveram suas páginas misturadas. No mesmo folhear o olho em seus doces e amargos enxerga traços, digitais reveladoras de anseios, sonhos e desejos, cicatrizes e belezas, as nossas. Nossas&amp;nbsp;poesias e buscas que se adensam e criam asas aqui por detrás dos dígitos, das fontes, nesses nossos computadores, telas, tecidos e pergaminhos pelos quais jorram em fabulações nossas almas e corpos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei, vazam, escorrem no meu texto uns tempos que marcam meus dizeres como seus domínios, e plantam suas bandeiras em cada pequena colina de palavras deste pequeno escrevedor. Uns tempos, maiores do que eu, é claro, bem maiores, imensos, mas que me incluem, pequeno nome em compêndio de larguíssimas páginas. O século XIX, o XX, e o XXI. Tempos que se avizinham das minhas mãos nos seus menores tremores, que me habitam nos sonhos mais escondidos; tempos anjos ou fantasmas, espíritos, vozes, todavia, e que falam nessas titubeantes grafias. Tempos que me temperam, espero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero em gratidão e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=qtfra0nKULA"&gt;delicadezas&lt;/a&gt; dar nos meus textos, quaisquer que sejam, umas linhas, uma cor, uma nuvem, um parágrafo, um espaço, um riacho, ou uma vírgula que seja para o século XIX. Tantas histórias bonitas ouvi sobre aqueles meus que eram daquele século! Aquelas vozes ainda me embalam, me embarcam, me despacham em viagens, como numa tela de cinema em sala com poucas pessoas em plena tarde de um dia qualquer da semana. Tantas vezes ouvi como foi atravessar o mar e se aventurar pelas matas do Brasil, que esta para mim é “a história”. Deixar a própria terra e em navio abarrotado, lançar-se para outro mundo. Antes de qualquer outra história, da bíblia, infantil, da televisão, da literatura, esta é a história, a história que sempre me conta e se reconta nas esquinas dos meus textos. É a primeira. História contada recontada, ou seja, contada por alguém que já nascera aqui, mas que fazia questão de torná-la marca de vida naquelas crianças, contada por alguém que queria marcar a memória como atualização de aventuras e sonhos, coragem e determinação. História sem letra e papel, apenas voz e coração, contada, cantada num português muito precariamente assimilado, na voz de avôs, no lusco fusco de noites em que sentir o bom de viver incluía lembrar, em carinhos e reverências, os que morreram. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tempos, meus tempos, eu tempo, em tempo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Continuo depois com os outros séculos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2882618343374757622?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2882618343374757622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2882618343374757622&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2882618343374757622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2882618343374757622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/10/tempos-que-se-avizinham-das-minhas-maos.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-5079517871557431025</id><published>2011-10-07T14:21:00.000-03:00</published><updated>2011-10-07T14:21:32.228-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Uns passarinhos assustados voaram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava ali para dizer, mas o que queria mesmo era ver, e não dizia nada, apenas rodava o botão da camisa sobre a meada de linha que lhe dava sustentação no tecido como se desse a um mundo uma ajuda no seu movimento de rotação sobre os próprios eixos. Abaixara a cabeça sem saber o que dizer, à porta, nem dentro nem fora da casa, o que desejava mesmo era entrar, ver. Seria muito bom ver, outra vez. Não se cansaria de olhar. Tinha esquecido o recado. Só sabia que deveria ir ali levá-lo. Mas qual recado? Guardara o destino, esquecera a palavra, juntava demais destino e desejo. Tenho que voltar, disse ainda de cabeça baixa, vou buscar o recado. Ao levantar a cabeça esgueirou o olhar gotejante para dentro da casa, para as suas sombras, para os seus segredos e intimidades para tentar ver o que tanto desejava... e não viu. Só ouviu a doçura da voz perguntando, quem é, meu bem? Saiu em disparada. Haveria de voltar repetindo as palavras do recado, não esqueceria, e, quem sabe, ao postar-se à porta de novo ser-lhe ia dada a sorte. O homem voltou-se para dentro da casa, o sol se intensificou sobre a estrada, uns passarinhos assustados voaram. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-5079517871557431025?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/5079517871557431025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=5079517871557431025&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5079517871557431025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5079517871557431025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/10/uns-passarinhos-assustados-voaram.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-8246316133545109510</id><published>2011-10-04T18:43:00.001-03:00</published><updated>2011-10-06T11:02:38.055-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Gave me the gift old song&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se lhe falo talvez você venha a me entender. Talvez. Como a tarde se avizinha de palavras sussurradas é bem provável que você se avizinhe dos meus pensamentos. São tantos, me perco e talvez você se perca também. Personagens fugazes confundem o leitor. Perdoe-me. Olhe, se possível, olhe o que corre na voz de Nina Simone, ali estão algumas caligrafias, muitas palavras que aquele personagem queria dizer, e não disse. Ele só cantava uma canção, uma canção que se lhe tinha sido dada. O nome dele era Epifânico, e trabalhava com lavouras, umas cabeças de gado e fazia arte com couros, selas e arreios. Sua voz era densa, corria as montanhas em lombo de cavalos marrons e lá do alto gritava o grito do mundo, ou outro grito, não sem o mundo. Ali ele espreitava o mar, quem sabe veria um pedacinho do mar, se dizia que se avistaria o mar da montanha certa, dalí, pelo olhar ele fazia&amp;nbsp;soltos seus anseios de ir-se até o mar, de subir o Convento da Penha e rezar, agradecendo a canção que lhe vinha à mente sempre que voltava pra casa e encontrava os filhos, todos pequenos e barulhentos em torno da esposa, sob a luz parca de uma única lâmpada pendurada em fio bem do centro da cumeeira. Mas ele queria dizer isso que agora lhe entrego como missão. Por favor. Diga você. Ele se foi, não entrou em nenhuma história, ainda não, talvez ele mude de profissão, talvez seja aviador ou preparador de mudas de cerejeiras. Mas, de mais, o que se pode contar? Para que se avizinhe você do que peço, digo que restaram as montanhas, tantas possíveis poesias e a voz. As montanhas doces do Espírito Santo, um pequeno rio que deságua talvez no solene e alargado rio doce, possíveis poesias e outras histórias que você inventará, como esta, assim, como esta, de marca e cicatriz de chuvas e tardes que parecem tímidas crianças em primeiro dia de escola. Você sabe reconhecer essas tardes, eu pressinto. Tudo o que o amigo, a amiga precisa para dizer as palavras do Epifânico está ali na voz. Se bem que me exagero no que pesa nessas chuvas na janela; algumas caligrafias estão ali na voz, outras estão no que pousa como pássaro sobre suas próprias mãos. Seja abundante na recolha das palavras, naquelas que diria o Epifânico, e que venturosa e suavemente agora dirá você. Ali, veja, ali, bem ali, na voz de Nina Simone que canta &lt;a href="http://www.radio.uol.com.br/#/busca/album/nina simone &amp;amp; piano"&gt;Compensation&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-8246316133545109510?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/8246316133545109510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=8246316133545109510&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/8246316133545109510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/8246316133545109510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/10/gave-me-gift-of-song-se-lhe-falo-talvez.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-376126074043158609</id><published>2011-09-27T21:55:00.001-03:00</published><updated>2011-09-27T22:32:29.370-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 6pt 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Arial; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;;"&gt;Mas havia uma certa luz vinda de não sei onde&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 6pt 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 6pt 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Arial; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;;"&gt;É um pretexto, eu sei, algo que se inventa para uma conversa que parou. Tem uma cena clichê, mas apesar, é certo, este início exige um olhar caolho. Quereis se ter em vesguices por um minutinho? Foi assim, chovia, o dia frio se findava nas luzes já acesas e nas cozinhas quentinhas das casas lá fora, tu vinhas andando com pressa entre os canteiros, mas como também eu seguia com a mesma pressa, e em sentido contrário, nos esbarramos, nos desequilibramos, caímos sentados, caíram as flores que carregávamos. Mas havia uma certa luz vinda de não sei onde. Tu tinhas colhido rosas, e exatamente as amarelas, que para mim são as mais bonitas; e eu margaridas, uma braçada de margaridas, e ainda no embornal atravessado no peito muitos morangos bem firmes e densos de vermelhidão. Teu pai sempre nos espiava. Tua pressa e a minha tinha o dia seguinte - mais uma feira livre - como motivo. Ainda tínhamos que organizar muitas flores e verduras em maços, muitos morangos em caixas, inhames, vagens, muitos pensamentos &lt;personname productid="em folhas. Mas" w:st="on"&gt;em folhas. Mas&lt;/personname&gt; rimos muito, lembras? Éramos tão felizes. Tu recolhias minhas margaridas e eu tuas rosas. A chuva era mais forte. Pelo jeito engraçado que dançávamos recolhendo as flores, os pés afundando nos canteiros fofos e molhados, quem nos visse pensaria que aquilo era cena de um filme japonês. Mas o que aconteceu mesmo foi que nosso olhar caiu sobre nossas mãos, ansiosas, calejadas, molhadas, marcadas de terra e flores, que se tocaram no impulso de apanhar a mesma flor. Foi o tempinho só de um olhar... pronto...&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Lembras?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-376126074043158609?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/376126074043158609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=376126074043158609&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/376126074043158609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/376126074043158609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/09/mas-havia-uma-certa-luz-vinda-de-nao.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6464142722112980824</id><published>2011-09-24T22:04:00.000-03:00</published><updated>2011-09-25T21:36:50.432-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Ninguém sabe onde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;foi o que encontraram, o rádio ligado e um relógio com o mostrador amarelado de voltas e revoltas que parecia cansado, jogado ali sobre a mesa naquele quarto frio e vazio. Alguém o esquecera ou o deixara ali. As janelas fechadas, os vidros molhados marcavam um frio próximo, vizinho, invasor. Esfregou as mãos numa tentativa fracassada de dar-se alegria, só conseguiu um ânimo, um leve. No radio uma voz de pequenas cidades, campos e caminhos cantava lookin’ for a good time. Ele só queria ir para Califórnia, tinha pela frente uma longa estrada, e longa estrada&amp;nbsp;é apenas outro modo de dizer que só lhe restava uns poucos sonhos, mas ainda os tinha. Chorou. Ele só queria ir para São Francisco. Iria, de um jeito ou de outro, tirou a mala de debaixo da cama que já estava arrumada com suas poucas coisas,&amp;nbsp;conferiu uns poucos dólares com olhar de desejos de multiplicação, poucos eram, uns centavos a mais de poucos,&amp;nbsp;os colocou no bolso com medos, bateu a porta do quarto quando se cantava nothing better to do. O relógio ficou ali, girando, girando seus ponteiros sobre o fundo amarelado da vida. E fundo amarelado da vida&amp;nbsp;é apenas outro modo de dizer que ele não conseguiu chegar à Califórnia. Ninguém sabe onde.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6464142722112980824?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6464142722112980824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6464142722112980824&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6464142722112980824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6464142722112980824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/09/ninguem-sabe-onde-um-relogio-com-o.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-151005716397612926</id><published>2011-09-24T07:53:00.002-03:00</published><updated>2011-09-24T09:12:04.091-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;executar a invenção &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;semelhanças com curvas de estradas, com redes dependuradas em casa de pescador, com vaso tombado num quintal cheio de folhas. Penso em outras semelhanças também, semelhanças com aquele personagem de Guimarães Rosa em A terceira margem do rio, que se posta numa canoa, e pelo olhar do filho não ia à parte alguma, “só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio”.&amp;nbsp;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Paro aqui...&amp;nbsp;pra mudar o rumo do pensamento, pra fazer outras conexões,&amp;nbsp;pra&amp;nbsp;alterar com abrandamentos o bater do coração. &amp;nbsp;A invenção... executar a invenção de se permanecer, assim, talvez, ao modo de&amp;nbsp;se permanecer no espaço de uma felicidade, pequena, mas que abre hectares e mais hectares para o cultivo de girassóis, ipês, milho; se permanecer na amplidão do campo de uma saudade e recolher a madeira abundante ali para uma casa de cômodos aconchegantes e varanda vistosa, casa para muitos amigos;&amp;nbsp;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;s&lt;/span&gt;e permanecer nesse abraço cheiroso e dar-se sem receios ao esquecimento, ao esquecimento&amp;nbsp;das horas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-151005716397612926?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/151005716397612926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=151005716397612926&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/151005716397612926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/151005716397612926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/09/executar-invencao-semelhancas-com.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6618337753413520234</id><published>2011-09-22T16:04:00.001-03:00</published><updated>2011-09-22T16:50:44.496-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Fronteiras&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;As fronteiras estão postas, muitas, eu mesmo as coloquei, algumas pelo menos; mas eis que as palavras&amp;nbsp;me sorriem em convites para passar dos limites. Decerto estes limites atravessados vão me possibilitando saúde de poesia, uma frágil força de passarinho, uma insegura certeza de abelha. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Mesmo e apesar dos estranhos movimentos de dança que se dança quando se vem aqui, aqui&amp;nbsp;além da fronteira, e desses trejeitos estapafúrdios que se&amp;nbsp;levam de cá para lá grudados no andar, no olhar, no falar, é impossível viver sem vir. Cada vez&amp;nbsp;que mais se vem embrenhando por estes outros lados, mais modificados ficam os traços da fisionomia e as linhas dos tecidos&amp;nbsp;que se vestem por&amp;nbsp;dentro e que se dobram fora nos gestos. Mas as mudanças não são nem para pior, nem para melhor. São experiências&amp;nbsp;de fazer-se&amp;nbsp;outros.&amp;nbsp;Experiências que marcam, mesmo que só por um instante.&amp;nbsp;Se olhos se arregalam em estranhezas e perguntas indecentes, em meios sorrisos ou em gargalhadas, outros se dão em proximidades e conexões de&amp;nbsp;peles e almas; e é tão agradável, bonito. Não há, no entanto, garantia nenhuma de lucro, de vantagem vindo aqui, montado neste dorso rugoso das palavras em voos irregulares e de rotas indefinidas. Há um leve prazer, mais do que prazer, uma certa paz. Uma certa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6618337753413520234?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6618337753413520234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6618337753413520234&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6618337753413520234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6618337753413520234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/09/fronteiras-as-fronteiras-estao-postas.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-84687019670554980</id><published>2011-09-21T08:18:00.000-03:00</published><updated>2011-09-21T08:19:32.941-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;pelas manhãs de setembro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Faz-se uma janela ali, abre-se um lago de luz. Ele olhava a manhã e tudo estava nela, tudo. Mas nada estava completo, apesar de pleno. Vou pescar, ele disse. Como vais pescar, o outro perguntou e exclamou ao mesmo tempo. Vou pescar, ele afirmou novamente. Mas havia ali naquelas palavras um outro “vou pescar”. Se te conto agora este conto é pra te fazer um convite. Talvez ele se lembrasse de um poema, um poema de Pablo Neruda, talvez. As certezas se diluem em uma espécie calma de satisfação e anseios.&amp;nbsp;As palavras que&amp;nbsp;aqui ficam&amp;nbsp;voam em várias direções.&amp;nbsp;O poeta falava em pescar luz caída, com paciência, de um poço - que imagino escuro. Caem muitas luzes de&amp;nbsp;volteios macios pelas manhãs de setembro, e não pescar será um desperdício. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Vou pescar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-84687019670554980?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/84687019670554980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=84687019670554980&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/84687019670554980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/84687019670554980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/09/faz-se-uma-janela-ali-abre-se-um-lago.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-5079405564598410253</id><published>2011-09-19T17:00:00.002-03:00</published><updated>2011-09-19T17:37:16.578-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;o último pássaro que avistei&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Ele se sentia&amp;nbsp;faminto&amp;nbsp;de dizer umas luzes nesse escuro em que&amp;nbsp; tateava vagarosamente letras &lt;personname productid="em relevos. Mas" w:st="on"&gt;em relevos. Mas&lt;/personname&gt; dizer poesia é dizer o grito que não pode ser escrito. Estás louco, o outro retrucou, haverias de ter em tuas mãos os calos do trabalho, as cores das tintas com que deverias pintar estas paredes, isso sim, és desorientado desde o ventre da tua mãe. Aquele, no entanto, ouvia sem reclamar. Retomou a palavra e disse que havia em si um desejo de dizer o que não sabia, e só saberia tateando as letras &lt;personname productid="em relevos. De" w:st="on"&gt;em relevos. De&lt;/personname&gt; que falas? Onde pensas teus caminhos nessas loucuras? Sossega. Não, ele respondeu, este escuro não me cega, apenas me faz chorar, não me faz louco, apenas me faz desenhar em tateios nessa parede de relevos o vôo do último pássaro que avistei. E quando eu encontrar a rota do vôo tu também em desejos de luzes e sol vai desdobrar&amp;nbsp; tuas asas mansamente, alongando cada músculo, estirando cada pena, de modo a descobrir em ti mesmo um tamanho muito maior que o que te acostumaste a saber. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-5079405564598410253?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/5079405564598410253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=5079405564598410253&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5079405564598410253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5079405564598410253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/09/o-ultimo-passaro-que-avistei-ele-se.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1800695759723033977</id><published>2011-09-19T12:56:00.000-03:00</published><updated>2011-09-19T12:56:25.730-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;conexões azuis, lilases, vermelhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A árvore vai secando nas pontas... eram vagens de inverno, cheias de sementes, coisas, olhares, outros dias que cairão em manhãs cada vez mais densas de luz. A árvore marca um passo, esse que se dá na rotina, um leve correr das coisas, sem sobressalto, nada de excepcional, primavera, setembro, um dia depois do outro, a vida seguindo. Então já era hora de ir, abraçou-a mais uma vez, um beijo e um leve carinho, vento suavemente sul, imponderáveis conexões azuis, lilases, vermelhas. Talvez não seja outra coisa senão paz, é..., ou algo nas suas vizinhanças, paz, aquela que se percebe também no tronco grosso de anos, e rugoso e belo da árvore que seca suas vagens, que faz reluzentes sementes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1800695759723033977?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1800695759723033977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1800695759723033977&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1800695759723033977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1800695759723033977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/09/conexoes-azuis-lilases-vermelhas-arvore.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-402165261610647834</id><published>2011-09-18T20:51:00.003-03:00</published><updated>2011-09-19T07:19:11.096-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;e dizer, a vida&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Ali está o livro de Rubem Braga, crônicas tão bonitas, mas o olhar cai sobre um vento. Sim, escorrega pelo vento e vai. Abre-se uma janela, e outra, e outra e o olhar vai sobre a cidade, sobre os campos e a linha de trem. Vai tonto de ser feliz, certo de ser feliz. Talvez nem seja bem felicidade, seja só uma cidade, a da vida, essa situada ali, a lhe dizer qualquer coisa do tipo cachoeira e cheiros, mar e azul de setembro, café e tarde livre. Ou talvez seja apenas idade, idade de ter visto muitos amores,&amp;nbsp;e viver&amp;nbsp;muitos outros, e flores. A orquídea resiste e propõe outros entendimentos, totalmente inusitados. Ah, é bom que se diga, o olhar assim no vento pode até ter uma asa que bate de um jeito que parece o bater de asa infeliz, como asa de beija-flor. Mas, sim. Sim. Acordar e dizer, a vida. Mas dizer é viver... E&amp;nbsp; se pode escrever... acordar, feliescrever a vida... seguir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-402165261610647834?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/402165261610647834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=402165261610647834&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/402165261610647834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/402165261610647834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/09/e-dizer-vida-ali-esta-o-livro-de-rubem.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-2147083085065289633</id><published>2011-09-17T07:45:00.000-03:00</published><updated>2011-09-17T08:06:33.043-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Amigos, vou retomar a atualização do blog. Deixo por enquanto o inesperado sol e passo a publicar fragmentos, escritas que se fazem nos intervalos, escritas que não me exigem maiores elaborações. Um prazer de um descanso, um sobrevoo, outro pensamento, qualquer coisa assim.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Um olhar que diz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;As lembranças... suavemente afirmam. Afirmam: o presente não é tudo. Um arrozal de cachos maduros em dia de sol é uma lembrança. Cortar a flor dourada, fazer os feixes, sentir o cheiro do azul do céu em cada cacho encurvado de grãos. O presente é, mas as lembranças fazem o presente, este átimo de tempo, ser vagaroso, delicado, bonito. Se assim não for, o presente será apenas tensão, passagem de ar em espaço estreito, assovio, apito, aviso do fim. Tu não sabes o que falas. Talvez, respondo. O que pensas do agora? Penso que vale um olhar, de amor, amor também para quando&amp;nbsp;o&amp;nbsp;agora&amp;nbsp;já não for mais presente, for passado. Um olhar que diz, vai, não te prendo, se teu caminho é ir, que seja assim, vai e me leva, e me arremessa de lá, do lugar das coisas guardadas, recordadas, me arremessa para a vida. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2147083085065289633?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2147083085065289633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2147083085065289633&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2147083085065289633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2147083085065289633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/09/um-olhar-que-diz-vai-as-lembrancas.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-5005899990428755279</id><published>2011-09-16T15:42:00.000-03:00</published><updated>2011-09-17T07:49:46.379-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;A&amp;nbsp;sala&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sala recolhia um silêncio e pintava com ele as paredes, as janelas e a limpidez das vidraças. Mas carecia-se de silêncio ali. Era assim que sentias. A sala fundamentava o silêncio nas tábuas enceradas, rangentes e retas que se estendiam solenemente da porta principal para os fundos sob cada móvel. Mas, apesar da boniteza da sala, escapava-lhe a música, faltava silêncio, era o que tu me fazias crer. A sala fazia suavemente tremular o silêncio em cada pequeno movimento da alvura das cortinas. Mas o silêncio não estava ali. Ele estava lá, talvez lá, bem onde a asa de um olhar consegue fazer tremer a flor prestes a cair da galha mais alta do ipê. Ou, quem sabe, o silêncio esteja, não sei ao certo, nas franjas do teu sobressalto ao acordar, no fluxo de sangue acelerado que sentes no coração, ali, naquele momento súbito em que se tem a chance de se apoderar dos sonhos da noite. Não? Nem sempre te apoderas dos teus sonhos?&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-5005899990428755279?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/5005899990428755279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=5005899990428755279&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5005899990428755279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5005899990428755279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/09/amigos-vou-retomar-atualizacao-do-blog.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-8187732388087942749</id><published>2011-07-28T10:05:00.005-03:00</published><updated>2011-07-28T10:50:31.433-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_gw7shz="121"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;73&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div closure_uid_arlgev="88"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_arlgev="88"&gt;&lt;div closure_uid_z589c4="89"&gt;&lt;div closure_uid_c7qho4="89"&gt;Os meninos o acompanharam e Augusto não se incomodou, gostava de vê-los ali nos seus passos, como se fossem filhos, passos silenciosos, talvez também os meninos tivessem compreendido que a morte sempre vem com silêncios que se jogam sobre todos por um momento, os passos se cadenciavam, os silêncios vem e logo se vão, ocupam seus lugares sem muita demora os barulhos e vozes da vida, pegou o carro, os meninos subiram na carroceria e então soltaram as palavras e os risos, apesar de um tanto contidos, mas já se afastavam do peso da morte de dona Estelita, o poder da morte parecia se esvair naqueles sorrisos, naquelas palavras leves que trocavam sobre o carro, sobre dirigir, riam de qualquer coisa, de um balanço maior do carro que se dirigia para onde o padre estava, o padre entrou na boleia e também ele se&amp;nbsp;ia&amp;nbsp;em semelhanças com os meninos nos sentimentos que deixava&amp;nbsp;à vista&amp;nbsp;por entre as feiçoes e os modos, parecia aliviado de alguma dor, cantava baixinho outra música, queria Augusto sentir a mesma coisa, não sentia, não era luto o que o cobria, era a urgência de ir embora que dobrava-se sobre seus olhos com nuances de cinzas e fumaças.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_z589c4="90" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-8187732388087942749?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/8187732388087942749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=8187732388087942749&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/8187732388087942749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/8187732388087942749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/07/inesperado-sol-73-os-meninos-o.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1289029469741107285</id><published>2011-04-30T08:35:00.002-03:00</published><updated>2011-04-30T12:26:03.852-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;72&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um ondulado toque de campainha, vento esfregando-se em algo de metal pendurado, avisava que o trem atravessaria um pequeno túnel, atravessaria uma pequena escuridão de alegria, de felicidade, de emoção, de sair de si, Estelita apoiou sua mão sobre aquela no seu ombro, o padre reergueu a coluna, levantou-se, o gerente se aproximava, Luzia e seu neto também, e outros, o padre saiu sem falar palavra alguma, padre Marcos? Luzia perguntou ao cruzar com ele no quarto aproximando-se da cama sem esperar resposta, certa da execução dos cuidados que se exigiam a partir daquele momento, ele respondeu sim e se foi pelo corredor, saiu para o quintal, andou por ali, tomou um cigarro, pôs nos lábios e fumou apressado fazendo um movimento de pássaro, erguendo a cabeça como se olhasse para o céu, como se procurasse frutas, para soltar a fumaça, depois saiu para a frente da casa, cumprimentando um, cumprimentando outro, e foi pedir ao gerente que o levasse de volta, tinha suas coisas também para arrumar, suas despedidas a fazer, uma conversa com o bispo que buscaria ainda para aquele dia, o céu carregava-se de nuvens que anunciavam chuva para o fim do dia, Dias veio correndo, disse&amp;nbsp;que o padre esperasse um minutinho, a dona do bar ali por perto olhava o padre como se não olhasse, dividindo-se, o rubor do seu rosto era ainda mais forte, resignação de um lado, sonhos de amor de outro, tudo amarrado num olhar manso e simpático, seu marido, o Barroso, controlava-se de um ódio que fazia brilhar seus olhos franzidos, media cada passo do Dias, logo veio a avó Luzia e abençoou o padre com um longo e apertado abraço, te conheço Marcos, desde pequeno, te conheço, e como se falasse a um menino bateu-lhe com carinho a mão no rosto e disse, vai com Deus, vai com Deus, vou, respondeu sorrindo, sim, tenho certeza, vou com Ele, despediam-se os dois do padre.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1289029469741107285?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1289029469741107285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1289029469741107285&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1289029469741107285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1289029469741107285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/04/inesperado-sol-72-um-ondulado-toque-de.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-5957681939501652681</id><published>2011-04-27T21:28:00.009-03:00</published><updated>2011-04-29T09:27:59.829-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;71&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao fim da música percebeu Estelita que lhe chamava a voz, aquela que vinha se pronunciando com ares de sabedoria, a voz que ela supos fosse a de Deus, mas não era aquela exatamente a de agora que dizia, Estelita, chamando-a quase com exageros de intimidade, havia alguma coisa nela, contudo,&amp;nbsp;igual à voz de Deus, e de familiar também, ao mesmo tempo, era e não era aquela voz, tentava entender,&amp;nbsp;mas se era assim familiar não seria a de Deus, Deus não se mostraria tão simples como um de casa, disse para si mesma, ou pensou, não conseguia distinguir bem, não separava&amp;nbsp;a fala&amp;nbsp;do pensamento, a viagem vinha influindo em alguma coisa em sua cabeça, sentiu vontade de tomar aquele chá em que misturava manjericão com algumas folhinhas de alecrim para reavivar a mente, Deus não seria assim tão comum, ele se manteria a uma distância, pensava numa distância sagrada, uma separação, algo como aquela entre o altar e o primeiro banco da igreja, e olhou, olhou e ao olhar procurando onde se avolumava aquela voz, se deu conta que todas as poltronas estavam ocupadas, não conhecia ninguém, mas&amp;nbsp;sentia como se fossem todos conhecidos de longa data, como se houvessem glândulas e suores semelhantes a definir proximidades e parentescos,&amp;nbsp; a voz tinha cessado, Estelita olhou o rio e provocou uma conversa com um jovem ao lado que viajava quieto, com um certo ar de brabeza, e querendo ser simpática, ou tomada de maneiras de professora, disse, como é lindo este rio!, ele olhou-a espantado como se dissesse essa mulher está maluca, que rio que nada, senhora, falou revelando sua origem rural, o que vemos são cavalos pastando sobre uns morros que precisam ser roçados, tão cheios de mato estão que os pobres animais tem que andar muito pra comer o suficiente, se vê que tem chovido pouco por estas bandas, Estelita olhou de novo pela janela e viu o rio, lindo, o trem passava bem ao seu lado, lá se ia o rio,&amp;nbsp;ainda mais largo naquele trecho, &amp;nbsp;tocando uns singelos e verdes sítios lá do outro lado, não sei como esse menino está vendo cavalos, pensou, pobre menino, Estelita, de novo, Estelita, agora ouvia aquele chamado ainda mais próximo, e antes que procurasse de onde vinha seu nome uma mão se estendeu por cima da poltrona,&amp;nbsp; tocando seu ombro, Estelita virou-se lentamente, sem susto, e viu aquela mão como se fosse uma luva de maciez, uma mão de menino numa voz de homem sobre seu ombro esquerdo, viu com cheiros, cheiro de pele conhecida, tão perto estava do seu rosto, meu Deus, tremia-se toda, meu Deus, repetia, falava sem falar, mas todos ouviam sua expressão meu Deus, e voltavam-se para ela, a mão, a mão, aquela mão, meu Deus, era seu filho, e ficou parada no sobressalto esperando a palavra mãe, e então responderia com toda a alegria e felicidade, meu filho, meu filho, meu filho, mas já não&amp;nbsp;seria necessário dizer palavra alguma, bastaria virar-se e&amp;nbsp;olhar seu rosto.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-5957681939501652681?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/5957681939501652681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=5957681939501652681&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5957681939501652681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5957681939501652681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/04/inesperado-sol-71-voltou-ouvir-uma-voz.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-2273509022464712327</id><published>2011-04-24T17:58:00.007-03:00</published><updated>2011-04-27T13:12:47.746-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;70&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era fraca a voz do padre no hoje é o dia das rosas que enfeitam formosas, era baixa, titubeante, como se negasse o que a canção afirmava acerca do dia, era bonita a sua voz contudo, tornando-se mais firme no ah que tristeza viver sem amor, ah que incertezas de amor nessas mãos, seu pé direito ora levantava-se nos dedos ora no calcanhar cadênciando-se na marcha-rancho, e ouvindo o padre cantar foram se retirando do quarto os que ali estavam, davam-lhe privacidade&amp;nbsp;para a&amp;nbsp;administração dos últimos sacramentos, a avó Luzia pedia a todos que deixassem os dois sozinhos, recolhia a xícara da mão do padre, deixava-a livre para os gestos que a oração iria requerer, os toques, pele sobre pele intermediada pelo óleo, corpo e corpo e espírito entre eles escorregando-se na testa, nas palmas das mãos, o Senhor venha em teu auxílio, perdoe os teus pecados, alivie tuas dores e sofrimentos e te conduza, alguém esbarrou-se por ali, Augustou deixou cair as chaves, o molho tilintou-se pelo chão, tinha ligeireza nos pés, Estelita nem havia percebido como voltara aquela esperteza que sempre lhe fora característica, ultimamente andavam as pernas tão fracas, pisava agora leve e ligeiro, firme, sem perder a elegância, ia&amp;nbsp;pelo corredor do vagão como se por entre as fileiras de carteiras em sala de aula, da mesa ao fundo da sala, do fundo à mesa, à lousa, tantos nomes encravados nas madeiras, manchas de vidas, azuis, tantos meninos e meninas que por ali passaram, destinos desconhecidos, longe, por onde andam seus alunos?, homens e mulheres que um dia por aquelas carteiras passaram, uma aflição no rosto, olhava um, olhava outro, procurava, voltava, já estava ao lado da sua poltrona, percorrera vários vagões procurando pelo filho&amp;nbsp;e, nada, sentou-se, ouvia a voz do padre, por que lembrava-se do padre agora?, gostava de cantar quando o padre vinha passar umas horas com o povo da vila, que filho Estelita? ressoava em sua mente aquela pergunta como se o padre estivesse ali na poltrona ao lado, não estava, até seria bom tê-lo por perto, como o padre não sabia do seu filho?, como?, devia contar-lhe, o padre guardaria o segredo, não era pecado o que diria, mas ainda assim segredo, não, não queria mais guardar segredo, que&amp;nbsp;proclamassem para todos,&amp;nbsp;guardaria somente o amor, o filho, seu filho, tivera um filho, seria bom cantar com o padre dia das rosas, o padre canta tão bem, poderia ter sido cantor, hoje é dia das rosas que enfeitam formosas, parecia ouvi-lo, o olhar pela janela pesava de saudades e de uma certa felicidade em cada recorte que o rio fazia na paisagem, por que o berço da flor vem do encanto de nós, que nascemos de nós e vivemos de amor.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2273509022464712327?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2273509022464712327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2273509022464712327&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2273509022464712327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2273509022464712327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/04/inesperado-sol-70-era-fraca-voz-do.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-3647929287218911164</id><published>2011-04-21T23:33:00.007-03:00</published><updated>2011-04-22T11:06:39.134-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;69&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O padre entrou no quarto, sentiu que ali o cheiro de ervas era mais forte, tudo estava no seu lugar, cada coisa no seu devido lugar, nunca tinha entrado naquele quarto, mas pelo que conhecia de dona Estelita e do restante da casa bem sabia que cada objeto, bem limpo, estaria onde deveria estar, e dentre as coisas limpas estava dona Estelita, ela mesma como uma peça daquele cenário, leve, elegante, fina, estirada sobre a cama, já como uma morta, meu Deus do céu, pensou o padre recriminando aquele pensamento de morte, mas seria melhor morrer mesmo do que ficar ali, um animalzinho embalsamado e seco como se desitratado pelas horas de meio-dia em dias de janeiro, o lençol&amp;nbsp;de um azul&amp;nbsp;macio levitava sobre a cama habitado somente por um manso sopro de vento, ondas brancas de calma e despedidas se aninhavam entre o colchão e o lençol em pequenos respiros, então ela respirou mais forte, tocada decerto pela voz firme e convicta do padre, queria que sua voz fosse afetuosa, calorosa, mas tinha saído mais firme do que calorosa, sua voz tornava-se bem marcada pelos sentimentos quando cantava, gostava de cantar, muitas vezes cantou com dona Estelita, formando com algumas pessoas à porta daquela casa um grupo de prosas e cantos, dona Estelita também cantava muito bem, ela gostava especialmente de Maysa, disse, oi Estelita, bem que eu estava com saudades, aqui estou, como você está?, e seguia pensando enquanto ia dizendo suas palavras introdutórias, enquanto vencia o constrangimento de não saber o que dizer, antes da administração do sacramento da unção, que pontes ó Deus, que pontes se estendiam&amp;nbsp;por sobre&amp;nbsp;os seus desfiladeiros e os dela de modo a tornar a conversa entre eles sempre tão agradável?, o cheiro lhe fazia bem, queria ir ao quintal num outro caminho, mas estava ali no quarto, e dona Estelita morria, a xícara também estava onde devia estar, gostava do cheiro de ervas, a xícara branca era ornada de finas e leves flores azuis e vermelhas, sobre ela o pires a impedir o chá de perder ainda mais rápido a quentura ideal, tomou a xícara e sentou-se ao lado da agonizante numa cadeira que alguém já havia providenciado, meu filho, padre, preciso falar do meu filho, disse&amp;nbsp;sussurando dona Estelita, que filho Estelita, quer um pouquinho de chá?, oferecia carinho oferecendo o chá que ela não tomaria, você não tem filhos Estelita, meu filho, padre, preciso dizer, meu filho, vi suas mãos, não vi seu rosto, mas as mãos eu vi, Sim estelita, fale, eu escuto, meu filho, padre, meu filho está aqui no trem, que trem Estelita?, estamos aqui na sua casa, tentou dizer o padre, estamos viajando, respondeu Estelita, eu e o meu filho estamos no mesmo trem, padre, mas não encontro meu filho, acho que ele deve estar num outro vagão agora, sim Estelita, sim, disse o padre sem mais querer contrariá-la, descanse Estelita, descanse, agora vou ungi-la, obrigado pela unção, padre, mas cante, cante, vamos cantar...&amp;nbsp;cantar?, perguntou&amp;nbsp;admirado o padre,&amp;nbsp;sim... cante... dia das rosas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-3647929287218911164?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/3647929287218911164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=3647929287218911164&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3647929287218911164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3647929287218911164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/04/inesperado-sol-69-o-padre-entrou-no.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-7064475379962251382</id><published>2011-04-17T14:05:00.010-03:00</published><updated>2011-04-17T22:00:43.533-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;68&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por-se naqueles passos pela sala afora, pelo corredor no caminho do quarto onde estava dona Estelita esparramava pelo seu corpo a sensação de procurar com urgência um documento por entre papéis guardados e não encontrar, nâo encontrava o sentimento certo para aquele momento, procurava um que fosse norteador, muitos se aproximavam do coração, comprimiam-lhe as veias, a casa de dona Estelita cheirava a ervas, e a casa para onde mudaria?, tinha estado lá pra pensar, pequena casa na encosta do morro, cheirava a mofo, a poeira e a podres de madeira, cheiros que exalavam na solidão seus reclames, venha alguém, venha alguém, limparia tudo, queria aquela casa, não queria luxo, queria um lugar para viver sua solidão, onde pudesse se recolher depois da faina com peixes, tão pequena a casa, tão grande parecia na infância quando a vida sorria-lhe para além do que se vive, sorria-lhe no que a vida tem apenas naquele período,&amp;nbsp;quando se vive sem se considerar a morte, vive-se a&amp;nbsp;imortalidade, e agora,&amp;nbsp;ao pensar na infância, tinha&amp;nbsp;o sentimento religioso mais genuíno de imortalidade, nas brincadeiras, nas ingenuidades felizes de criança a vida não comporta fim, ela é, como Deus é, era alfazema? não pura, havia outro cheiro, manjericão talvez, ou alecrim, vinha aquela onda macia de cheiros da cozinha, ia pelo corredor, os retratos dependurados em parede branca recebiam-no com bons olhos, perdidos olhares de vozes sussurantes, distantes, e acima das portas, margeando o forro de madeira pintado de branco, um palmo ou mais abaixo, se ia como um caminho de fábulas uma faixa de tons bem claros de azul com uns arabescos em azul marinho e detalhes em tons róseos e verdes, sempre que visitava dona Estelita observava aquele requinte na casa envelhecida, sonhos de outros tempos, formosuras de vidas vividas em outras épocas, queria fazer outros caminhos, da sala pelo corredor para a cozinha, para a área dos fundos, para o quintal largo, fundo, fundo, quase uma chácara, queria andar por ali pelas sombras úmidas e agradáveis, onde o vento revirava-se em movimentos brandos conforme o&amp;nbsp;bater de asas&amp;nbsp;ou o&amp;nbsp;canto&amp;nbsp;de algum passarinho, era o que desejava, ouvir dona Estelita andando pelo quintal, e ao mesmo tempo procurar goiabas, pitangas, araçás, e falar, falar dos seus caminhos, da decisão tomada, da felicidade da nova vida que arriscaria viver, ouvir dela depois de longo silêncio, depois de um ou outro assunto desviante, de frutas oferecidas, toma padre, este araçá, vê, tão grande e cheiroso, quase do tamanho de uma goiaba, experimenta esta pinha, padre, vê aquele jambo branco que o senhor tanto gosta, e então, entre uma fruta e outra, como se ela fosse capaz de dizer coisas&amp;nbsp;sem o uso das&amp;nbsp;palavras, ouvir, ouvir dona&amp;nbsp;Estelita dizer,&amp;nbsp;teus passos serão abençoados em qualquer caminho, segue teu caminho, e o teu caminho, padre, é aquele para onde alumia a laterna que tens no coração, confia.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-7064475379962251382?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/7064475379962251382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=7064475379962251382&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7064475379962251382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7064475379962251382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/04/inesperado-sol-68-por-se-naqueles.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-5790247733068041301</id><published>2011-04-08T16:39:00.006-03:00</published><updated>2011-04-08T18:07:45.195-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;67&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ar bom resvalado no superfície macia da baía vinha-lhe às narinas como uma confirmação dos caminhos que devia seguir, caminhos, hodós, 'odós, a mente povoava-se de traços cruzados, idéias de outros tempos, vinha-lhe à mente as aulas de grego no seminário, hodós, as letras gregas tão bonitas, gostava de desenhá-las em seus cadernos, inventava palavras simplesmente trocando do português as letras por correspondentes do alfabeto grego, 'odós, caminho, jornada, o caminho seria o do mar, deixar o sacerdócio, limite que se oferece, que se entrega, que se dá zombeteiro, como a loucura se avizinha do artista, como a morte se avizinha de quem vive, a cada um o limite se entrega de um jeito, sem escapatória, não, não, não seria o limite do sacerdócio o seu abandono, não, qual seria?, não sabia, rebatia-se a si mesmo, a decisão, decidira, vinha de um bom tempo de muitos pensamentos e agora ela chegava, deixar o sacerdócio, deixar e tomar o caminho do mar, ser pescador, velho sonho, velho desejo, quem sabe até comprar um barco de pesca, contratar uns homens, ganhar a vida com o próprio negócio, beira de praia, não faz mal que se deixe, se o caminho da gente vai pro mar, cantava em pensamento, o olhar cadenciava-se aqui e ali pela estrada pelo tilintar das chaves nos silêncios, muitos olhares, de cada um ali, estavam lado a lado, mas emergiam do mar das vozes caladas em olhares, as vozes de cada um condensavam-se em olhares, o padre olhou o portão da velha siderúrgica e já se abandonava de pensar sua decisão, cansado de escrever as mesmas frases nos cadernos volumosos dos pensamentos, pronto, estava decidido, a guarita abandonada, a caixa d'água parecia ainda mais alta, a água mais abundante escorrendo, que desperdício!, mas que bonito!, o ar bom soprava um aroma azul de satisfação, de liberdade, de vida sem dor, sentiu-se leve, sentiu-se bem, como em viagem que se quer muito fazer, como dia de folga no verão, respirou fundo, queria parar ali e ir andando devagar, dono de si mesmo, nômade nos rumos, mas Dona Estelita o aguardava, sabia disso, sabia que ela o esperaria, conhecia de anos aquela boa mulher, exerceria com amor aquela visita, seria a sua despedida do ministério,&amp;nbsp;era grato&amp;nbsp;a Deus por isto, ressuscitaria com ela, se aqueles forem de fato seus últimos respiros ressuscitaria com ela, marcaria os sinais sagrados com a mão bem untada sobre sua fronte, em cada mão, nas conchas aveludadas de suas mãos, em gestos lentos, demorados de carinho, diria as palavras com carinho, ficaria possesso de ternura, ganhara isso da vida como padre, enternecia-se com os pobres, os doentes, as crianças, por esta santa unção o Senhor venha em seu auxílio, ficaria com ela no escuro até que fosse possível, acenderia a vela, seguraria a vela na sua mão, a vela brilharia para os dois,&amp;nbsp;pavio miúdo para escuridão grande mas pavio acesso, não permitiria que se apagasse, apagaria a vela depois em silêncio, cruzaria aquelas mãos de mãe, mãe mesmo e apesar de não ter gerado filho, bondosas mãos em pouso de ave sobre o peito estático, sobre árvore&amp;nbsp;despedida de folhas,&amp;nbsp;sobre o coração pleno, parado, realizado, ungiria-se ao mesmo tempo do óleo do amor na decisão, teria a alma leve, os pés colocados nos passos de um tempo diferente, para o que der e vier, passos resgatados das inúmeras possibilidades deixadas para trás, por onde andaria agora se não tivesse tomado o caminho do seminário aquele dia?, passos como coisas guardadas que se redescobre novas, não faz mal que se deixe, se o caminho da gente vai para o amor.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-5790247733068041301?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/5790247733068041301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=5790247733068041301&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5790247733068041301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5790247733068041301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/04/inesperado-sol-67-o-ar-bom-resvalado-no.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-2281109220515088977</id><published>2011-04-03T18:04:00.005-03:00</published><updated>2011-04-05T22:27:52.655-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;66&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ser apenas um pescador, voltar para um destino será possível?, pensou o padre olhando longe, será possível retomar passos não dados?, a vida seria ir para o mar, e voltar quantos dias depois com o barco bem suprido de peixes, entrar pela baía feliz por voltar do mar, tudo, qualquer coisa vista como valor de vida, bom de viver, uma caneca de café, uma conversa no cais, descarregar os peixes cantarolando, receber do patrão um dinheiro e ir para casa na encosta do morro e olhar um pedaço do mar, o mesmo que o pai avistou, a mãe, ele menino antes de ir para o seminário, fazer uma prece simples, olhar aqueles retratos na parede, o olhar do pai, austero, nobre, a mãe, tristonha, meiga, rezar ao fim do dia uma única ave-maria, na hora triste, e nada mais, nenhum outro pensamento de Deus, sobre Deus, senão aquele que passava pela saudação do anjo a uma menina, como se as palavras não se separassem e formassem uma única e longa palavra dita de uma vez e pronto, a reza estaria feita, o dever cumprido, e se entregar à vida, jogar-se num sofá para ouvir Elis Regina na vitrola, voltar a agulha para o mesmo ponto do vinil e ouvir, tá na hora e no tempo, vamos lá que esse vento traz recado de partir, meneou a cabeça para dispersar os pensamentos sem convicção de querer esquecer o que pensava, beira de praia, não faz mal que se deixe, se o caminho da gente vai pro mar, cantou baixinho, os dois sem saber o que ele cantava se entreolharam, continuou, tanta praia deixando sem saber até quando, as chaves tilintando, já tinha decidido, só faltava decidir o dia, talvez agora, talvez a visita à dona Estelita fosse uma antecipação, a madurez do fruto, a decisão, se antecipavam os eventos, não tem mar que me espante, não tem não, anda, vem comigo que é tempo, vem depressa, cantou em voz mais elevada, o que você canta padre? perguntou Augusto, uma canção triste, respondeu e continuou, mas ainda assim é bom cantar, você conhece essa música? começa assim, ê, ô, tá na hora e no tempo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2281109220515088977?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2281109220515088977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2281109220515088977&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2281109220515088977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2281109220515088977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/04/inesperado-sol-66-ser-apenas-um.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-4927714656617179075</id><published>2011-03-30T08:21:00.008-03:00</published><updated>2011-04-02T07:04:18.392-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;65&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá do outro lado da baía, em ar de sol totalmente desimpedido, sobre o monte verde, branco como um anjo a plainar distraído sobre a terra e o mar, o Convento da Penha, e o olhar do padre que se levantou para lá era um olhar de quem queria estrada&amp;nbsp;de beira de&amp;nbsp;mar, passos em areias macias, cheiros silvestres e maresias, Augusto sentiu vontade de perguntar alguma coisa, não sabia o quê, aqueles&amp;nbsp;desejos eram seus, talvez, o padre vencido pelos sacolejos voltou-se para a paisagem ainda com o livro aberto nas mãos, Augusto tentou descobrir que livro era aquele, fino para ser um livro de orações, manuseado tantas vezes que as tintas da capa marron já há muito haviam se dissolvido de letras em verniz para não ser um livro de reza das horas, e olhando para o outro lado da baía, mas como se no livro encontrasse aquelas palavras, o padre disse, "Senhora, cujo altar fica no promontório, rogai por todos os que estão no navio, os cuja faina tem a ver com peixe" e fechou-o com&amp;nbsp;o dedo indicador marcando a página sob o ar de estranheza do Augusto, a reza era esquisita. Dias ia quieto, calado, pensativo, como se já tivesse dobrado sobre si as conclusões das vivências do último dia&amp;nbsp;mas ainda não soubesse quem ser, o que ser, o que fazer no dia seguinte, o padre que já desistira de ler, já ia ficando tonto, disse, olhou para o exagero de chaves que penduradas da que estava na ignição, exatamente no momento em que Augusto vencendo o silêncio perguntou, o que padre? o que o senhor disse? as chaves pareciam tilintar anúncios, leve e suavemente, campainha de anúncios, nada amigo, repito aqui umas palavras ao ver o Convento da Penha, respondeu o padre ainda olhando as chaves, que exagero amigo!, por que tantas chaves, e tão velhas? riu um riso simpático, discreto, você concorre com São Pedro assim, e se sai vencedor!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-4927714656617179075?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/4927714656617179075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=4927714656617179075&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4927714656617179075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4927714656617179075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/03/inesperado-sol-65-la-do-outro-lado-da.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6928062191383286166</id><published>2011-03-23T17:25:00.004-03:00</published><updated>2011-03-23T18:25:22.227-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;64&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um vento frio entrava pelo carro, nenhum dos dois se dispunha a levantar o vidro da janela, calados, cada um do seu lado, necessitavam daquele estímulo sobre a pele, o vento constante fazia-a eriçada, o olhar atento na estrada traçava na mente de cada um pensamentos assustados e mesclados de ternura, terno sentimento que se adquire quando se assiste a um drama, comiseração proveniente da cena, a quase morte de dona Estelita, o carro atravessou o filete d'água que na areia branca da estrada escorria da velha e grande caixa, lembrou-se do pássaro vermelho, a água espirrou-se para os lados em som agrádavel, memórias de pequenas viagens por estradas de chão em tempos de felicidade, tempos sempre curtos, filete como se fosse um córrego, mas não era, era água vazada, escorrida, procurando ela mesma ser alguma coisa entre o escorrer pela gravidade e a busca do mar, regato que avistou quando de sua chegada, passou então pela guarita e não viu ninguém, perguntou sobre o segurança, Dias respondeu que ninguém ocupava aquele lugar a um bom tempo, Augusto disse que havia um homem ali que o tinha recebido, sim, disse Dias, correu um boato de um novo gerente que estaria por chegar e alguém pode ter se colocado ali para esperar o senhor, mas ninguém recebe salário pra trabalho nenhum aqui, nem ninguém desempenha funções específicas, e estas chaves? perguntou Augusto, foi o rapaz da guarita quem me entregou estas chaves, e fez isso como se cumprisse ordem, não sei, respondeu Dias, não sei. Na volta, o padre sentado entre os dois na boléia perguntava uma coisa ou outra, mas a maior parte do tempo mantinha-se calado, lendo, ou tentando ler seu livro, um livro decerto já velho, capa dura marron brilhosa, e ao falar, falava com a boca torta, disse se explicando que um dente doía-lhe muito e um amigo dentista paroquiano tinha se dado à caridade de atendê-lo mesmo no domingo e que a boca, por isso, ainda estava anestesiada em sua metade esquerda, rezara a missa das seis da manhã suando de dores ao pronunciar as palavras sagradas, este é o meu corpo, este é o meu sangue, e a das nove, que começou por volta das dez, com a boca torta e com a sensação de babar, mas rezou, fazer o quê, as crianças riam, mas era mesmo a missa delas, e com crianças o riso sempre ajuda, falava o padre pondo a mão com um lenço sobre a boca e a voz pastosa saía entre o estranho e o solene.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6928062191383286166?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6928062191383286166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6928062191383286166&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6928062191383286166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6928062191383286166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/03/inesperado-sol-64-um-vento-frio-entrava.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-8564105964999106743</id><published>2011-03-21T21:14:00.005-03:00</published><updated>2011-03-22T07:16:59.111-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;63&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos deixá-la descansar, continuava alguém orientando as pessoas enquanto Augusto se retirava do quarto seguido por Dias, saía apertando as chaves na mão direita, como a sentir as gotas pegadiças daquele olhar preso nelas, sabia que ali&amp;nbsp;estavam camadas sobrepostas de coisas depositadas por aquele olhar morimbundo, sentia vontade de perguntar se ela&amp;nbsp;se sentia no desejo de&amp;nbsp;dizer alguma coisa sobre as chaves, mas achou-se mesquinho em querer saber aquilo, sobre o que abririam, que portas abririam aquelas chaves, mas decidiu ir buscar o padre, uma corda de varal se rompeu nele e deixou arrastar no chão a roupa limpa, tudo teria que ser levado ao tanque novamente, em outro lugar, talvez, mas podia assumir aquela nova identidade, ser o tal o gerente e ali seguir até quando desse, podia arriscar, deveria ou não arriscar?, gostaria de ficar, não sabia afinal, agora o que importava era ir buscar o padre, vamos rapaz, vamos rápido, disse para Dias que o seguia, já na boleia da caminhonete Dias explicou que deveriam ir até o Suá, não muito distante daquele pequeno parque industrial abandonado, mas fora dos seus limites, e esta seria a primeira saída que Augusto faria naqueles dias daquele lugar, ali bem ou mal tinha se sentido protegido, como se sua fuga tivesse alcançado o ponto mais distante, mas a corda rompera-se, a corda do alívio, haveria de retomar os pensamentos e as decisões, matara a própria mulher, acidente ou não, matara-a. O dia se ia ainda naquelas horas bonitas que se estendem até três horas da tarde, mas nele o fumo cinza do entardecer ja tingia de leves tristezas seus olhos escuros, momentos de lembranças inesgotáveis, lembranças que nublariam todas as tardes que ainda viria a viver ao longo dos seus anos. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-8564105964999106743?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/8564105964999106743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=8564105964999106743&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;62&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma mancha formava um desenho do tamanho de um coração no vidro da janela, assim do tamanho de uma mão fechada, um mapa de um país insular, perdeu-se Estelita da paisagem que passava pelo trem, a mancha desenhava uma montanha e um riacho, uma coisa perdida no mundo, tantas coisas começou a ver ali, Estelita levantou com agilidade a mão, sem perder a suavidade do gesto, para tocar a mancha, a nódoa estava por fora onde soprava o vento e os cheiros das paisagens passavam, esfregaria uma flanela em movimentos de círculos concêntricos e logo a limpidez voltaria, isto não seria possível no entanto, logo me acostumo com a nódoa e ela será tão transparente quanto o vidro mais limpo, pensou, viajarei com a mancha, que a voz fala muito eu concordo, mas que não seja Deus, discordo, a voz é Deus, como pode não ser?, fui professora de crianças durante longos anos e sei, Deus me educa, por isso me fala, mestre que é, ele brinca de se esconder, ele tem desses mistérios, mas já treinei meus sentimentos e sei reconhecê-lo em seus mais ingênuos esconderijos, ao mesmo tempo que mestre, não deixa Deus de ser uma criança, não como uma criança, mas uma criança, me fazer morrer deve ser uma de suas brincadeiras, e quando a brincadeira acabar não terei morrido e o riso será de todos, olhou o vidro e disse para si mesmo, ah!, as paisagens!, estou perdendo as paisagens, logo chegará o rio, e entre o vidro, a mancha e a paisagem Estelita adormeceu, a respiração se acalmou, o coração espraiou-se como maré calma em areia leve, encostou de leve o barco no cais, sem balanços, todos se entreolharam, ela é forte, alguém disse, aguentará ainda sabe-se lá quanto tempo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2117079963195517093?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2117079963195517093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2117079963195517093&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2117079963195517093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2117079963195517093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/03/inesperado-sol-62-uma-mancha-formava-um.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-7429488386454711624</id><published>2011-03-17T18:24:00.006-03:00</published><updated>2011-03-17T23:12:20.414-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;61&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu que me falas, resolveu Estelita pronunciar-se, tu que me falas, começou, o timbre era limpo, claro, sem titubeios e pigarros, a tanto tempo não se ouvia assim na própria voz, tu que me falas, mostra-te, peço, eu suponho aqui nas minhas dignidades, nestas que tu me destes, que sejas Deus, és?, o que mais poderia ser Deus senão uma voz, um ar morno com tons de música, um nada feito tudo que se desfaz no exato momento, mas se desfazendo já é o que desejou ser, és Deus, dizes que morro, mas vivo nesse alongamento das horas, então és Deus, o Misericordioso, não te apresses, retornou a voz, de melhor proveito seria&amp;nbsp;prestar atenção&amp;nbsp;ao teu redor, não, respondeu Estelita, não, o que quero é levantar os olhos e contemplar o rosto deste que tem as mãos do meu filho, nem direi palavra alguma, pois que me bastará olhar, mas me proíbes agora de ter o que me dissestes ter, cala-te e olha disseste-me, não me tires o que me destes, se és Deus, e és, não me chega o entendimento do porquê me pesas assim os olhos com os teus destinos e desígneos e me tiras as forças de olhar mansamente para cima, me colas as pálpebras com visgos de paisagens, aprecio as paisagens, ah como as aprecio, não reclamo, acredita-me, mas rogo-te uma força, uma pequena força para erguer os olhos, lava-me a retina com transparências, desanuvia-me das saudades, permite-me, te enganas, disse a voz, te enganas, te desventuras, e além do mais, escuta, falo muito, Deus não.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-7429488386454711624?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/7429488386454711624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=7429488386454711624&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7429488386454711624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7429488386454711624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/03/inesperado-sol-61-tu-que-me-falas.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1792802742754182222</id><published>2011-03-14T16:35:00.006-03:00</published><updated>2011-03-15T09:27:44.170-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;60&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As mãos, enxergava-as bem, e as chaves também, brilhavam de pratas e ouros de muitas mãos, sim, eram elas, as do filho, a tez branca, tão branca de ver o azul do céu em linhas doces sobre as longas planícies como rios entre o punho e os dedos, linhas doces de saudade, quanta saudade!, meu filho, querido, que chaves são estas? e então foi capaz também de perguntar-se mais uma vez, como seria morrer?, duas coisas, o momento exato e o depois a encabulavam, pensava sem fim um pensamento em raízes espalhadas, este pensamento sempre se infiltrava em outros, em todos, mas tu já sabes, disse a voz, tu sabes agora, pois que passas, vais indo, o trem já partiu, sim, respondeu Estelita, e não é que é verdade, vejo a paisagem ligeira, não o rio ainda, alguns quilômetros me restam até o rio despontar à direita, por ora o verde me leva, o verde e o cinza escuro, um marron aqui e acolá de terras cultivadas, umas neblinas de amanhecimentos que logo se vão sem resistir aos primeiros toques do sol e ao passar do trem, não sabia como era nascer, tudo se esquece de então, os calores maternos, o frio do vento pelas narinas na primeira respirada, a vinda à luz e às agonias da luz, mas agora a voz alertava sobre saber o que é morrer, a voz, de quem seria aquela voz?, entre masculina e feminina, entre infantil e rouca de anos,&amp;nbsp;exortara corretamente a instrutora voz, pensou Estelita, tinha que lhe ser grata, faria isso logo que ela surgisse novamente e&amp;nbsp;com uma pequena e educada interrupção nas suas instruções lhe diria obrigado, morria e naqueles momentos de parca lucidez sabia, sabia que tudo, tudo se juntava como dálias e gérberas em arranjo num mesmo laço azul jogado ao acaso sobre uma mesa no centro da sala, e o tapete ali, macio, sob os pés, o tapete ali, nunca reparara naquele tapete, tão limpo, tão suave, era um convite irrecusável para estender-se naqueles arabescos ao perfume quase inexistente daquelas flores sobre a mesa no centro da sala, cheiros de leve perceptíveis, era preciso prestar-lhes atenção, um doce de várzeas encharcadas e cheias de brancas flores de brejo, um acre de laranjeiras envelhecidas e retorcidas e com poucas flores na pequena colina abandonada ao sol escaldante, sentia sim o perfume, distinguia-os, e dobrava-se já em seus joelhos, não te deites, forçou-se a voz num tom masculino, paternal, quase ríspido, não, ainda não.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1792802742754182222?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1792802742754182222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1792802742754182222&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1792802742754182222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1792802742754182222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/03/inesperado-sol-60-as-maos-enxergava-as.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' 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olha, que é o que podes, olhar, o que te é permitido, enfeito-te por ora o que vês com umas neblinas doces, uma luz filtrada de vitral de cores mansas, e nada mais agora, depois talvez uma condescendência te seja oferecida, um tempo de uma rosa, ouviu atenta Estelida e se contentou, um passo entre&amp;nbsp;a resignação e a falta de forças, o trem na estação preparava-se para a longa travessia do vale, silenciara o tinir do martelo nas engrenagens do trem, avistaria o rio por todo o percurso, iria numa poltrona do lado direito do vagão e avistaria o rio, se bem que, se bem que há lugares tão bonitos do lado esquerdo de quem vai, mais bonitos, mas não o rio, o rio ficaria à direita, queria o rio, trocaria tudo pela visão do rio, avistaria alguns barqueiros remando em águas barrentas e o outra margem, avistaria a outra margem, os sítios e as casinhas lá onde a vida vai seguindo de algum modo, entre cantos tristes enquanto se lida com o chão e o sol, enquanto se banha em suores de terra quente em trabalhos e lutas e filhos e brigas, e sexo à noite em cama mal acolchoada, uma desolação para quem passa, mas quem ali vive nem se apercebe de suas tristes vidas, são imersos todos na placidez da rotina e de suas dores, a outra margem nada mais é que um lado, mais um lado disso tudo que vês, disse a voz, disso tudo que vivo, pensou Estelita. Queria levantar a cabeça num pequeno ângulo do pescoço para alcançar o rosto, como custava olhar para cima!,&amp;nbsp;o rosto não é dele, não te confudas, não te iludas, não te apavores, que te contentes com o ver as mãos, tece tuas roupas de despedidas com os fios de felicidade que vem destas mãos com as chaves que enxergas, dizia a voz sem rancor e sem amor, dizia a voz assim, etérea, um&amp;nbsp;traço de vento misturado com o chilrear de pardais.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6313497303166430952?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6313497303166430952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6313497303166430952&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6313497303166430952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6313497303166430952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/03/inesperado-sol-59-as-maos-aquelas-maos.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' 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detrás do corpo onde&amp;nbsp;corriam filões de ternura resistente, ternura por todos os que estavam ali e pelos outros, sentia vontade de dizer obrigado pela presença dos amigos, estava numa estação, o trem ia partir, da estação se leva uma alegria e várias tristezas, ouvia uma voz,&amp;nbsp;mas logo as tristezas serão preenchidas por paisagens ligeiras, passando, passando, ficará a alegria manchada de tristeza até o tempo apagar as duas, era o&amp;nbsp;repique como de um sino, não tão límpido como de um sino, mas bonito&amp;nbsp;pelo compasso, alguém que ia com um martelo batendo nas rodas do trem antes da partida, um teste, um carinho repetido muitas vezes por um funcionário da ferrovia sabedor de suas responsabilidades, o aroma de plantas amanhecidas de um suave frio invadia suas narinas, Estelita respirou um pouquinho mais profundamente, todos se entreolharam naqueles silêncios mesclados de melodiosos rumores que vinham lá de fora, uma voz e outra, aqui e acolá, um passarinho também, qual seria?, passarinhos de meio de ano, ainda não, ainda abril, nascera em setembro, não gostava de abril, ainda media o tempo, mesmo que usando uma linha frouxa, mas media, sabia que era abril, seria em abril o seu dia, outro dia, aquele que se contrapõe ao primeiro, queria segurar-se até maio, neblinas frágeis chegavam, dizia a voz, mas logo haveriam de se dispersar com a luz do sol.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-4980977684278565153?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/4980977684278565153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=4980977684278565153&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4980977684278565153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4980977684278565153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/03/inesperado-sol-58-ouvia-um-bater-de.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-7183122885711818751</id><published>2011-03-07T10:03:00.003-03:00</published><updated>2011-03-07T20:11:11.891-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;57 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dias foi entrando pela casa adentro seguido por Augusto, logo encontraram a avó a perguntar por que ainda não tinham ido buscar o padre, o gerente se intrometendo como a saber de urgências mais que os outros&amp;nbsp;foi dizendo&amp;nbsp;que seria melhor levá-la a um hospital, nisto chegavam ao quarto, os olhos se deram uns com os outros em silêncio repentino, os olhos da mulher, ponte sob neblina, deitou-se como um sol no poente sobre o gerente, e ele compreendeu o apelo de urgência para que trouxessem o padre, as chaves na mão silenciosa tremiam de leves movimentos. Pousavam asas dos olhos da mulher sobre os que estavam ali, Dias observava em silêncio, bandos de mansidões, pássaros benfazejos que demarcavam campos onde um vento inesperado ondulava em danças o arrozal maduro de muitas espigas. Dias encolheu-se num canto e viu, imaginou, sentiu que se fixavam os olhos da mulher depois de uma revoada sobre todos como foco de lanterna caída ao chão sobre um único ponto, o molho de chaves que tilintava nas mãos ansiosas do gerente, não que ela assim o quisesse, a lanterna caída e imóvel jogava o foco ali, nada mais.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-7183122885711818751?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/7183122885711818751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=7183122885711818751&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7183122885711818751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7183122885711818751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/03/inesperado-sol-57-dias-foi-entrando.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-8797883185166888053</id><published>2011-03-05T15:27:00.007-03:00</published><updated>2011-03-05T21:51:31.607-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;56&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foram apressados na direção dos escritórios gerais onde estava a caminhonete, Dias se concentrava no pedido da avó, o andar quase correndo do gerente dava-lhe um sentimento de que ia conseguindo o que almejava, antes que supunha,&amp;nbsp;aquela amizade, uma intimidade de parceiros, seguia-o, queria manter-se nos passos ao seu lado, mas não conseguia, não por não ter pernas para isso, mas porque algo, um pensamento se infriltava por entre seus respiros para dizer em voz baixa que ele deveria adotar um rítmo de alguns passos de atraso em relação aos dele, era melhor, sentia uma excitação, uma alegria e um desepero, tinha o que um momento pode dar mas também a sensação de que logo fosse tudo perder, como se a solidão rompida por uma longa rachadura&amp;nbsp;instantaneamente se refizesse, peça única e inteiriça, ainda mais pesada, olhava&amp;nbsp;o andar daquele homem, seu&amp;nbsp;corpo, achava-o ainda mais bonito em movimento, almejava semelhanças, haveria umas semelhanças, haveria de descobrir e ficariam ainda mais próximos um do outro, mas voltava o pedido da avó a bater-lhe na mente, condenava-se por não se libertar daquela idéia estúpida e romântica, mais romântica do que estúpita, acertou seus pensamentos, devia esconder-se ainda mais, deixava rastros no entanto, sempre, fazer o quê? Enquanto deu a volta para entrar na boléia pelo outro lado o gerente já tinha dado a partida no carro que roncava forte, era como se fossem fugir, a cena comum, mas sempre bonita, capaz de despertar nos olhos de quem assiste um sentimento terno, o carro indo pela estrada afora, levantando poeira, e eles embriagados de alegria, rindo, rindo, rindo, juntos deixando tudo para trás, cheios dos desejos de vida, de aventura, a cena se desfez, ao ronco em ondas do motor se somou a pergunta do gerente sobre onde a tal mulher morava e Dias respondeu que tinham que ir logo até a Igreja de São Pedro buscar o padre como lhes fora pedido. Que padre que nada, respondeu Augusto, vamos até a casa dessa senhora, é melhor levá-la ao médico.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-8797883185166888053?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/8797883185166888053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=8797883185166888053&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/8797883185166888053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/8797883185166888053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/03/inesperado-sol-56-foram-apressados-na.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1305013852705364360</id><published>2011-02-19T11:49:00.006-02:00</published><updated>2011-02-19T12:10:27.162-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;55&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tinha esperança, mesmo na negação do que desejava tinha esperança de um momento na ilha, e esta idéia nem lhe passara pela cabeça até que o gerente apontasse para lá com curiosidade, o que desejaria ele naquele passeio?, podia ser a curiosidade insípida de quem não tem o que fazer num domingo, ou não, um momento naquela ilha com o gerente, não queria aliar uma história com outra, a que vivia agora e aquela com o estivador, insuportáveis lembranças, mas gostava da ilha, misturava, dividia-se em vacilos, chamá-lo de Augusto, forçar nas palavras o primeiro passo da intimidade, ou&amp;nbsp;senhor Augusto ou senhor gerente, mas os meninos traziam-lhe um alívio, um recado, uma contrariedade, os sentimentos se adensavam em junções, de través, os sentimentos sempre são travessas sobre as quais se colocam telheiros, sonhos de abrigo. Fala menino, o que houve, por que este desespero? Sua avó pediu pra você ir buscar o padre lá na igreja de São Pedro, dona Estelita está morrendo, disse pra você pedir ao gerente o favor de ir&amp;nbsp; de carro, rápido, podemos ir também? falava o capitão já sem tanta ofegação, interessavam-se pelo passeio, ainda não se davam conta dos extremos da linha, tão vivamente seus novelos de vida estavam trançados, aglomerados de voltas e extensão, que não se davam conta das extremidades, do começo lá onde não sabiam, e fim, fim inalcansável e inexistente ainda, a roda gira, gira, as engrenagens não param, nem Santa Catarina consegue. Dias olhou para o gerente, este tinha os olhos naufragados, barco afundando em águas paradas não de calmaria, de placidez, mas da quietude de dias fortemente nublados quando as sombras das nuvens iludem de paz o embate, olhava para os meninos sem ouvir, sem se interessar pela agonia de morte daquela pessoa, mas logo, de salto, pos-se de pé e tomou a chaves, junto as quais tinha agregado a da ignição do carro e, vamos!, disse decidido, foi andando.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1305013852705364360?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1305013852705364360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1305013852705364360&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1305013852705364360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1305013852705364360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/02/inesperado-sol-55-tinha-esperanca-mesmo.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-7607366336330052130</id><published>2011-02-17T15:52:00.005-02:00</published><updated>2011-02-18T14:28:48.237-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;54&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além do pedido do gerente veio o silêncio, o silêncio, a sombra, o sol escaldante, o olhar preso em insignificantes coisas, coisas passadas e presentes povoavam a mente de ambos, sem consistência, como nuvens brancas e fluidas de leveza que ora formam um animal ora formam outro, logo formam um bicho estranho e assim sucessivavemte sem ajuste definitivo. Depois daquele intervalo, grande ou pequeno não sabia, não ouvia a pergunta que o Augusto lhe fazia, outra pergunta, sobre a ilha, em parte ouvia, Dias teve o coração contraído por uma onda, Augusto perguntava algo sobre aquela ilhota ali em frente, uma onda lhe contraía o coração ao modo de onda de temporal, forte, tirando-lhe a atenção, ou dividindo-a desigualmente, a maior parte para o próprio peito e a outra pelos ouvidos ao que se dava ali, o gerente, a onda trazia um buquê de ternura, mas ao mesmo tempo arrepio de medos indistintos. O que o senhor perguntou mesmo sobre a ilha?, refazia-se do arrepio e da sensação estranha tentando voltar à conversa. O gerente respondeu, esquece, era só uma pergunta boba sobre aquela ilha, apontou. Sim, seguiu dias, é uma ilha que ninguém sabe ao certo a quem pertence, deve ser do governo, o que houve ali ninguém sabe, há uma ruína, já fui lá várias vezes, arrependeu-se de ter dito isto, talvez tivesse tido de propósito, e a onda já se tinha ido e Dias se perguntava se a avó saberia explicar o que ele sentira, uns dizem que foi casa de um barão muito rico, inventava um roteiro para um filme, que ali segregou a mulher da qual tinha muitos indícios de infidelidade, outros dizem, e já era verdade, que foi casa onde ficavam os imigrantes logo que chegavam da Europa até que lhes destinassem um rumo para as colônias. Tremia Dias com a possibilidade de ir até a ilhota num barco a remo com o gerente, ficar sozinho com ele lá, não, não queria que ele lhe fizesse esse convite, lembrava das vezes ainda bem novo quando o Barroso o levava para lá, não, no início detestava, depois deu o nome de amor a aquilo, duvidava hoje, balançou levemente a cabeça na negativa, apavorava-se do desejo&amp;nbsp;que voltava&amp;nbsp;sem domínios, carecendo de rédeas. Eu gostaria de ir até lá, disse Augusto, tem como ver qual destes barcos eu posso usar, você vem comigo?, sabe remar? Ouviu-se um grito ao longe, Dias, Dias, eram os meninos, à frente o capitão sem pipa sem nada, seguido pelos outros três, Dias, Dias, acenavam de longe, Dias, Dias, dizia esbaforido o chefe deles já chegando e descendo pelas escadas indo até a praia e deitando-se na areia fresca na sombra da castanheira, enquanto os outros se assentavam por ali nos barcos na areia, o menor tendo ido&amp;nbsp;brincar na água parecia livre da obrigação do recado.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-7607366336330052130?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/7607366336330052130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=7607366336330052130&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7607366336330052130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7607366336330052130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/02/inesperado-sol-54-alem-do-pedido-do.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-4630231293678865270</id><published>2011-02-14T19:48:00.006-02:00</published><updated>2011-02-14T22:14:50.395-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;53&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto conversava com o gerente, um lençol caindo sobre a cama quando a mão macia de vento faz o pouso suave e aberto do pano, Dias foi caindo outra vez na idéia de que o que acontecia era mais uma cena de filme, dessas cenas sem história de começo meio e fim, apenas quadros que depois juntaria, as cenas eram importantes não o que elas contavam, a história apareceria depois, quando dos cortes, queria estudar cinema, onde se estuda cinema? Em Nova Iorque, mas Nova Iorque fazia parte das cenas cortadas, cenas com o Barroso, talvez no Rio de Janeiro, olhou para o rapaz ao seu lado e desejou fechar a câmera, aproximar-se daquelas expressões, aproximar-se de cada vinco, de cada fio de barba, dos lábios finos e apertados, do movimento da camisa sobre o peito, ir com a câmera até ser possível sentir os odores daquele corpo, mas às rápidas, como se o diretor estivesse embriagado, o foco foi se desviando para os seus próprios pés, que balançavam ao jeito de um menino posto sentado num banco mais alto que as pernas e ficasse esperando a mãe, balançavam, balançavam num prenúncio de que alguém se atiraria na água, de que o calor insuportável da situação terminaria com uma queda n'água, desejos dominados, desejos em luta, embates árduos..., e amor?, amor se domina ou o tal domínio se exerce somente sobre os desejos?, quem sabe de amor? quem sabe o amor tenha um caminho que não aceite o domínio da vontade, o desejo é cavalo passível de adestramento, amor não, não&amp;nbsp;precisa disso, ele já é certo, mestre de si mesmo, vem e vai quando bem entende, não sabia exatamente o que sentia por aquele homem, pensava Dias, mas, o que queria a avó ao entregar tais números ao gerente? poderia não ser amor, de uma hora para outra, o que poderia ser aquilo que&amp;nbsp;crescera dentro dele? Tenho este molho de chaves e estes números, de nada me servem, estas chaves abrem portas sem importância, e gavetas vazias, disse o gerente, preciso entender melhor umas coisas, penso que sua avó poderá me ajudar, avise-a que preciso ter uma conversa com ela, por favor.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-4630231293678865270?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/4630231293678865270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=4630231293678865270&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4630231293678865270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4630231293678865270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/02/inesperado-sol-53-enquanto-conversava.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-5399854940158580716</id><published>2011-02-10T07:15:00.010-02:00</published><updated>2011-02-11T06:38:41.912-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;52&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ficaram a observar o mar, os barcos e o balanço dos barcos, as aves indo e vindo, olhavam as mesmas coisas, enquanto um olhava os pássaros em&amp;nbsp;volteios no céu o outro se prendia no balanço miudo de um barco ao sabor da maré, enquanto um olhava para o mangue lá do outro lado e as montanhas longe o outro olhava para a corda que segurava o barco no ancoradouro, mas estavam à sombra de uma castanheira, podiam ficar quietos e deixar o silêncio vagarosamente ir perdendo aquele peso que se deitava entre eles, a velha castanheira estendia seus galhos para bem longe do tronco e pendiam sobre a pequena praia e a mureta, tão majestosa se dobrava que era como se José de Anchieta caminhasse por ali e recebesse suas reverências. A sombra grossa dava ao lugar naquele horário, quase meio dia, um ar de desejos saciados,&amp;nbsp;calmaria depois do estertor, mas uma neblina encobria tudo entre eles, uma neblina que umedecia&amp;nbsp;as mentes&amp;nbsp;com devoções ao silêncio como um voto, a neblina se estendeu, se estendeu, se fragmentou e se foi esvaindo. Quem é sua avó?, perguntou o gerente rompendo a nevoenta e aparente placidez entre eles. Por que o senhor me pergunta isso? respondeu Dias. Uma senhora veio me visitar bem cedo outro dia e me trouxe um papel com uns números, não entendi que números são estes, bem que procurou cofres naqueles escritórios, imaginou que fosse o segredo do cofre, preciso falar de novo com aquela senhora, disse o gerente. Com as informações que trocaram chegaram a conclusão, Dias se surpreendeu com mais aquela história protagonizada pela avó, de que a tal senhora era mesmo a avó Luzia.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-5399854940158580716?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/5399854940158580716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=5399854940158580716&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5399854940158580716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5399854940158580716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/02/inesperado-sol-52-ficaram-observar-o.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-2683647156340335119</id><published>2011-02-08T17:39:00.007-02:00</published><updated>2011-02-10T07:45:03.594-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;51&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que tudo se desfaça, os pensamentos, os planos de palavras transformadas em voz de declaração, que se desfaçam como ondas mansas nos muros, nas pedras, nas estacas, no cálcio das conchas grudadas no pier estas confissões de amor, de ilusões, esteios de sustentação, ia num ritmo só, mas não tão rápido, chegando ao cais, o ar tremia de alegria na luz como se o verão ainda se estendesse até abril. O gerente estava sentado sobre um resto de mureta, as pernas jogadas para a água sem tocá-la, talvez quando a maré subisse bem alta tocasse, talvez nem assim, olhava, olhava os pássaros indo e vindo, pássaros de mar, pensava o quê? Dias aproximou-se e sentou-se do mesmo jeito com as pernas penduras,&amp;nbsp;em silêncio, espuma de águas batentes nas pedras sob os seus pés, em planos desfeitos, ondas que bordam rendas e retornam água, sem forma sem nada, conversaria qualquer coisa, mentiria e diria trivialidades. O que houve rapaz?, o gerente perguntou desconfiado, com gestos que indicavam incômodo com aquela presença ao seu lado, susto. Desculpa senhor, não quero incomodá-lo, fui ver minha avó, mas&amp;nbsp;ela teve que ir às pressas ajudar alguém, saí então andando para me distrair, e aqui estou. A explicação aos seus próprios ouvidos não pareceu boa, mas que importava agora, melhor não falar mais nada, ficar quieto,&amp;nbsp;suportaria o silêncio que viesse entre os dois, estranhos, eram estranhos ainda mais&amp;nbsp;assim lado a lado olhando, ambos,&amp;nbsp;os barcos, o mar, a paisagem emoldurada de velhas coisas dos homens, o silêncio veio, veio e se estendeu por uma planície&amp;nbsp;despovoada em poucos segundos, constrangedor. Mas&amp;nbsp;um vento doce soprava do mar, alivante. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2683647156340335119?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2683647156340335119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2683647156340335119&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2683647156340335119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2683647156340335119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/02/inesperado-sol-51-que-tudo-se-desfaca.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-7868497194067334320</id><published>2011-02-05T12:20:00.002-02:00</published><updated>2011-02-05T15:06:30.563-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;50&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dias desceu na mesma direção que os meninos tomaram com a pipa, numa leve e mansa inclinação do terreno coberto de capim mas&amp;nbsp;logo retomou a estrada que ia para o cais que ficava a&amp;nbsp;um quilômetro mais ou menos distante, talvez nem isso e seguiu. À esquerda de quem seguia para o cais, no lado oposto ao que os meninos estavam, umas vacas pastavam numa larga faixa de gramíneas que margeava um restante de mata de restinga, ali por dentro existem pitangueiras, muitos pés, colhia pitangas quando menino para a avó, enchia um embornal, outros meninos agora se encarregam disso, mas talvez não saibam colher com o cuidado que as pitangas maduras exigem, ele e a avó adoram pitangas, a avó gostava a cada colheita, de encher um litro bem branquinho, totalmente transparente, com as mais vermelhinhas, encher bem, até no gargalo, e depois, com aquele funil que ainda hoje fica pendurado com as canecas sobre a pia, pequeno funil de aluminio todo amarrotado, ia derramando cachaça até que as pitangas ficassem todas cobertas, o litro ficava bonito bonito, e a cozinha em todos os seus cantos se preenchia daquele cheiro de pitanga e de cachaça evaporada. As vacas pastavam como se o mundo girasse sobre engrenagens que recebiam do céu um fio fino, reto, constante de azeite. Uma das vacas, talvez a mais velha, magra e esmirrada, mas ainda capaz de sustentar seu bezerro, virou-se com um quase imperceptível mugido olhando na sua direção mastigando calmamente aquele mesmo capim que depois ainda mais calmamente seria regurgitado e ruminado, a vaca olhou para ele e o viu, mas não o viu, atravessou-o com o olhar, enxergou tudo de vez e ele, ele era apenas uma parte encaixada no mundo todo dos seus olhos, e como aqueles olhos abarcavam em paz todas as coisas, Dias se lembrou da avó que também magrinha, esmirrada se tinha ido às pressas ajudar alguém que se despedia da vida, a vaca se parecia com a avó, ou o contrário, participavam, ambas, de uma dança incompreensível, e talvez por isso, porque as vacas veem outros mundos, sejam sagradas na India, pensou.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-7868497194067334320?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/7868497194067334320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=7868497194067334320&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7868497194067334320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7868497194067334320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/02/inesperado-sol-50-dias-desceu-na-mesma.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-9057681851954713894</id><published>2011-02-04T10:39:00.010-02:00</published><updated>2011-02-04T21:44:05.989-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;49&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ia caminhando não tão decidido, um vacilo se imiscuia em seus passos, mas ia, fazer a volta e retornar exigiria muito, não poderia ceder, o sol cantava alegre ao jeito de manhãs em que se vai para a praia com amigos, melhor mesmo era seguir, há um bom tempo que não ia ao velho cais, gostava de pescar por ali quando criança, mas o trabalho naquela lanchonete na cidade lhe tirava a vontade de pescar ou de fazer qualquer outra coisa no domingo senão descançar, ir à casa da avó Luzia, sentar para fumar por alí sobre uma carcaça qualquer de carro abandonado naquele fim de mundo enferrujado e ver o tempo passar, talvez no esforço conseguisse, sempre conseguia, estudar um pouco para as aulas que frequentava à noite no colégio estadual. Andar faz bem, dizia-se esta frase boba olhando o velho cais ao fundo, mas era bom mesmo andar naquela manhã, o mar sempre enfeita qualquer paisagem, mesmo quando a tristeza do abandono venha a tingir de marrons avermelhados&amp;nbsp;e cinsas o brilho dos olhos, andar faz bem, sentia isso no peito, no corpo, movia-se num composto gasoso de alegria, entusiasmo e ingenuidade, gostava daquele lugar na verdade, ali ninguém era dono, mas também ninguém pagava aluguel, ele era um dos poucos a morar ali sem ter sido de algum modo funcionário ou dependente de funcionário daquele parque industrial, dizem que o dono, um italiano muito rico voltou para a Itália e tudo largou, dizem que nos últimos tempos tornou-se um homem triste, comentam outros que ele faliu e voltou para os seus negócios na Itália onde ainda é bem rico, ninguém sabe ao certo, mas também ninguém sabe de onde surgiu aquele boato de que um novo gerente chegaria, mas todos se alegraram, tudo está na justiça, são muitos processos, contendas, dívidas e mais dívidas, tudo parado a muitos anos, parecia-lhe improvável que de repente viesse assim um tal para administrar aquilo. Dias, Dias, gritavam os meninos interrompendo seus pensamentos, Dias, Dias, chamavam já bem próximos e ofegantes. O que foi agora?, perguntou Dias, o que há com a arraia? Ouvimos, respondeu um deles com aquele ar de amigo que tudo conta só pela amizade,&amp;nbsp;o Justino Barroso conversando com uns homens lá na porta do bar, o bar está fechado, mas eles estão lá na porta comendo tira-gosto e bebendo. E o que tenho eu a ver com Isto? perguntou Dias. É que eles estavam falando de você, é, o Justino Barroso. O que falavam? Bem, não sei, respondeu o que tinha uns doze anos, o Barroso falou o seu nome, ele estava xingando... mas Dias?, continuou o menino, o que quer dizer esquadrão da morte? Esquadrão da morte?, indagou Dias franzindo os olhos sem saber do que se tratava. É, esquadrão, disse o menino, esquadrão da morte.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-9057681851954713894?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/9057681851954713894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=9057681851954713894&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/9057681851954713894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/9057681851954713894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/02/inesperado-sol-49-ia-caminhando-nao-tao.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-7410354943743358084</id><published>2011-02-02T15:34:00.004-02:00</published><updated>2011-02-03T08:38:01.889-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;48&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqueles quatro meninos corriam pelos espaços abertos limpos dos muitos entulhos de ferro e do mato abundante agora recolhido em montes que secavam ao sol, muitas espécies diferentes que temperavam o ar de um agridoce cheiro verde e morno de vida nova, corriam tentanto levantar uma arraia, passaram pelo Dias, a chuva pouca do dia anterior no solo aquecido trazia a suavidade da terra para os seus passos corridos em sandálias de dedo que pareciam coladas à sola dos pés, corriam os quatro com uma única pipa em papel amarelo a parecer sorrir ao domingo de sol mas que rodopiava, rodopiava e não subia além de uns poucos metros acima do chão, Dias se enterneceu de suas tentativas frustradas, se bem que se divertiam do mesmo jeito pelo que ficava claro em suas risadas e nos atritos descontraídos de opinião que manifestavam para que a empresa de fazer subir a danada da arráia obtivesse sucesso, Dias não resistiu, se envolveu, acertou as varetas do brinquedo de levezas e ventos e deu uma atenção especial à rabiola, encontrou o equilíbrio das partes, rapidamente depois no céu fundo de azul brilhante e de nuvens macias de brancura o amarelo da arraia foi diminuindo, diminuindo, diminuindo, subindo como passarinho feliz que voa em seu propósito e esforço de comer, viver, procriar, a arraia foi subindo e bailando em seu voo, movimento leve e impensado de viver. Vocês viram o senhor gerente?, perguntou aos meninos como se a pergunta fosse só a expressão inocente de uma curiosidade, ele está lá no cais, responderam, e Dias se perguntou o que faria o gerente no velho cais, mas logo voltou a bem dizer para si mesmo que era certo o que ele fazia, de querer conhecer todos os cantos daquele lugar abandonado que agora esperava na ferrugem dos anos o seu olhar de cuidado e a sua palavra de admnistração, e além do mais, o cais ainda tinha um quê de vida, um movimento de pescadores que por ali se arranjavam nos reparos de suas embarcações e no manejo do pouco peixe que conseguiam em sua lutas sem feriados, dias santos e domingos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-7410354943743358084?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/7410354943743358084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=7410354943743358084&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7410354943743358084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7410354943743358084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/02/inesperado-sol-48-aqueles-quatro.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6532443257455496956</id><published>2011-02-01T09:40:00.005-02:00</published><updated>2011-02-01T12:23:09.912-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;47&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Folha velha de papel arrastada por um espaço largo e ancorada numa parede azul desbotada, seus olhos caíram sobre o gerente no bar, foi assim, não esperava senão ver um homem a mais, a novidade na boca de todos ali na vila, o novo gerente, o que esperava era um senhor com ar de importância, esta que não se tem, mas que se forja em esteriotipados trejeitos de se achar, jeitos que de costume via nos que ocupam cargos intermediários, pessoas que estão no degrau do meio, ou mais abaixo do meio, e que se vestem de capas e olhares e posturas de quem está no topo da escada, se surpreendeu, o gerente era um homem bonito, com aquele ar de jovialidade e madurez que se alcança entre os trinta e os quarenta, totalmente destituído de uma forjada autoridade. Não gostou nada do que sentiu, borbulhar de águas encachoeiradas que perdem a transparência, ficam leitosas, pesos de grandes nuvens na barra do céu anunciando temporal. Seus olhos caíram sobre ele com carinho e uma febre de energia se anunciou por debaixo da pele, sinais de outra história, ou de outros capítulos de uma mesma e enceguerante história a se desdobrar, o Justino Barroso, o sargento no exército, agora este. Os passos se aceleraram, já avistava o prédio dos escritórios, uma janela no segundo pavimento aberta. Queria recuar, voltar atrás, não conseguiria. Dane-se, disse pra si mesmo já vivendo a alegria da decisão.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6532443257455496956?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6532443257455496956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6532443257455496956&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6532443257455496956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6532443257455496956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/02/inesperado-sol-47-folha-velha-de-papel.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-3105158306266609524</id><published>2011-01-30T12:33:00.010-02:00</published><updated>2011-01-30T21:08:14.472-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;46&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que faria, foi pensando, se o gerente ao modo de ver de uma supervisora de escola com muitos olhos em cada corredor a saber da menor fumacinha de cigarro que se pensou diluída já nas altas atmosferas, se lhe percebesse o que em curvas suaves e leves de nuvens em paisagens de verão se articulava em seus mundos de sonhos e desejos? O que fazer se ele percebesse?, certo é que até seria bom se ele enxergasse, não perceberia, era homem ao que deixava transparecer muito preocupado e dado a vastos pensamentos a deixá-lo assim por detrás de uma cortina diáfana que o protegia e o cegava ao mesmo tempo da lucidez de ver exato as coisas, as que se dão no viés dos dias.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas se o gerente&amp;nbsp;percebesse esse inesperado sentimento que agora se expandia pelos vários cômodos da sua vida recém saída da adolescência, inesperado sentimento que se alargava pelo corpo e pelas&amp;nbsp;fontes de onde surgem os pensamentos, as alegrias, os sonhos, talvez lhe oferecesse um sorriso compreensivo, ou, mais provável,&amp;nbsp;lhe mandasse pra puta que o pariu sem meias nem peias. Mataram aquele negro nos Estados Unidos estes dias, lembrou; por quais cargas d'água lembrou exatamente agora esta morte triste e distante da qual sentia ainda um estranho luto e&amp;nbsp;que fora notícia na tevê?, articulou-se em fundos de si mesmo procurando outra resposta, talvez porque lera na biblioteca numa revista uma reportagem sobre a sua trajetória, seus anseios, a morte, ficara impressionado com a força das palavras daquele negro, I still have a dream, um mesmo sonho talvez fosse o ponto, o nó dos encontros, do que se enlaça no coração das pessoas, a despeito do tamanho e da nobreza daquele e da fragilidade e incipiência do seu, ganhar a vida, ser respeitado, amar sem se esconder, I have a dream, sentiu um aperto na garganta, largou a caneca de esmalte onde tomara o café sobre a pia. Sabia que não podia se apiedar de si mesmo, o que apenas lhe acrescentaria ao precário patrimônio lamentações e lamentações, nunca o fizera, nem&amp;nbsp;no tempo de&amp;nbsp;criança quando com a cabeça recostada ao colo da avó&amp;nbsp;&amp;nbsp;recebia dela seu cafuné e amolecia-se todo, como se naquelas mãos cálidas houvesse um segundo propósito, desaguar-lhe as enxurradas de lamentos para que então pudessem ser com mais eficácia portadoras da unção de carinhos terapêuticos. Quando percebia o efeito daquela indução amolecendo cimentos e barras de ferro, levantava-se de imediato e se ia.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-3105158306266609524?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/3105158306266609524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=3105158306266609524&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3105158306266609524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3105158306266609524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-46-o-que-faria-foi.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-364812339812477596</id><published>2011-01-28T20:52:00.001-02:00</published><updated>2011-01-28T21:02:56.114-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;45&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi então para os escritórios gerais onde estaria com certeza o gerente a despeito de ser domingo, não sabia exatamente o que dizer quando lá chegasse, mas se arranjaria, como se arranjou com a ave depenando-a toda, fez depois uma pequena fogueira com folhas de jornal e queimou-a, como já tinha presenciado tal ato da avó, os últimos pelinhos, segurando-a pelos pés pela cabeça pelas asas, o corpo pendendo como um coração magoado, e assim adiante, tudo muito rápido, com cuidados sem se queimar, dava na verdade um banho de fogo na ave sem chamuscar a pele apenas os pelos, nem expo-la à fumaça excessiva, um cheiro de pelos tostados subiu, não gostou, correu com ela até a pia, lavou-a com bastante água corrente esfregando com sabão todas as suas partes como se fosse um bebê, não sabia se isso seria necessário, mas o fez, a seguir veio os cortes, desajeitado, a faca afiada exigia cuidados, fez o melhor, a aula de inglês e bons conselhos, lição de sucesso ao estilo americano, do your best, sorriu com o canto da boca, os cortes se sucedendo, a faca engasturando-se com os ossos ao errar as juntas, vida de esbarros, aborrecimentos, má sorte, desprazer e debaixo da torneira sempre aberta, economia de água agora a avó que o perdoasse, retalhada em partes numa tigela parecia outra coisa, superfície rosea em vários tons encraterada, flocos amarelos de gordura em profusão nas carnes, derramou sal, faltava limão, empolvilhou ainda mais sal sobre a ave, a avó que a temperasse adequadamente depois, e preparou-se para ir até os escritórios gerais, lavou bem as mãos, cheirou-as, lavou-as de novo e ainda sentia um almiscar, um cheiro de carne, de visceras, esfregou sal e enxaguou-as afinal, preocupou-se nessa hora com o estivador, ele o haveria de cercar em algum canto mais cedo ou mais tarde, que se dane, disse procurando um café pra tomar, ali o bule sobre a chapa do fogão, viro-me bem, desvencilho-me dele mais uma vez.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-364812339812477596?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/364812339812477596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=364812339812477596&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/364812339812477596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/364812339812477596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-45-foi-entao-para-os.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6883737616692841689</id><published>2011-01-27T19:54:00.001-02:00</published><updated>2011-01-27T19:57:09.154-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;44&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já sei, já sei o que se anda passando ai nessa sua cabecinha, quando você para e fica assim olhando as coisas sei da sua derrota, vence a imaginação, voa sabe-se lá pra que mundo, já serviu o exército mas continua um menino, dizia a avó, e completava, venha cá meu filho, venha cá, a vovó quer um beijo, vamos conversar, sim, é isso?, já sei. Não entendia por que ela o chamava de filho e não permitia ser chamada de mãe. Os dias passam e o meu Dia não vem, demora que só, brincava como o nome dele tirando a letra esse. Ao estalinho do beijo no rosto a avó se virou na direção da frente da casa, se antecipava, estavam nos fundos e logo se ouviu o barulho de uma carroça, uma charrete,&amp;nbsp;movido pelo zoar das&amp;nbsp;patas de cavalos e guincho de rodas em eixos envelhecidos, sem que a avó o pedisse lá se foi Dias como dono da casa receber quem chegava, não chegava, apenas vinha pedir ajuda, havia pressa, alguém morria, voltou rápido e topou com a avó no corredor da casa andando ligeiro apesar dos passos curtos, indo sem que lho contassem do que se tratava para a porta da frente e dizendo que Dias se arranjasse com a galinha, o fim do trabalho, voltaria logo que pudesse. Pendia-se a ave na trave, desvencilhava-se e caía das amarras frágeis da avó, imaginava, se assim caindo resgatar a vida fosse possível, seria bom cair, como quando se nasce em parto dentro d'água, era, mas não, não era, nunca mais viveria, ali pendida, cumpria um destino, pêndulo de um estranho equilíbrio, a morte. E se há algo assim junto da carne, outra coisa, o mistério, a vida, isso não cai, isso sobe, diz-se que, mas a cena da galinha caindo pesada como chumbo se lhe prendia na mente, seria grotesco, mas se valorizasse o bico entreaberto e colocasse ao fundo um trecho de Mahler, mas que coisa, de onde vinha essa idéia, Mahler?, aprendera a ouvir Mahler com&amp;nbsp;o sargento no exército, o cara gostava, mas a expressão o cara gostava parece ter sentido duplo, deixa pra lá, a tomada seria estranha e bela, banal e especial ao mesmo tempo, estes bichos domésticos ganham jeitos humanos, traduzem-nos,&amp;nbsp;a inquietude da alma humana nas galinhas, o olhar de engano dos cachorros mais humano que o olhar de santo na igreja, santo mal feito, de gesso, que ângulo escolheria?, a parte penada ou a parte depenada; cães velhos por perto desenhavam olhares de palavras saliventas e sem gramática.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6883737616692841689?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6883737616692841689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6883737616692841689&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6883737616692841689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6883737616692841689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-44-ja-sei-ja-sei-o-que.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-3915428955744321163</id><published>2011-01-26T20:32:00.005-02:00</published><updated>2011-01-26T20:59:15.495-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;43&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordou mais cedo do que imaginava, um pouco depois das dez, a manhã que escorria pela fresta na estrutura metálica daquela espécie de sótão era, ou mostrava-se, como uma manhã de pensamentos bons, preguiças e sossego; iria para a casa da avó, não se negava uma certa verdade, diga-se, queria saber da avó impressões, previsões, noticias sobre o tal gerente, mas conciliaria os dois interesses, frutas filipes que não se desperdiçam. Quando chegou uma galinha dependurada numa trave era depenada, trave que, agora se dava conta, nunca tivera outra serventia, muitas galinhas ali perderam sua plumagem, a cabeça estranha reta para baixo puxada pela gravidade, o bico entreaberto, pesava, pesava mais do que se possa imaginar que pese uma insignificante cabeça de galinha, toda a leveza teria se esvaído dos ossos, das asas por aquele bico entreaberto, sentiu-se diferente, não se importava com estas cenas, mas em ocasião nenhuma se dera conta do peso da morte, se dava agora, a morte pesa, até mesmo num pequeno e leve animal plumado, é o que lhe vinha, o que subia para os mapas dos pensamentos, para as superfícies de sua mente, aquela idéia, espinha que não se quer ter no rosto mas que ao se olhar no espelho uma segunda vez, lá se revela e se escancara a indesejada, monte eriçado de vermelhidão e cume amarelento, vinha-lhe ao pensamento enquanto chegava sem que a avó se desse pela sua presença querida, sempre querida, sentia-se sempre seguro do amor da avó, se fazia ela de distraída, seus ouvidos eram olhos, seus olhos ouvidos, mas quieta, mansa, retirava as penas da ave que previamente tinha tomado um mergulho em água escaldante, ainda mais próximo olhou, Dias olhou entre admirado e espantado, duvidava da própria sinceridade neste momento, a cena do filme voltava, imaginava-se no filme espantado com a galinha dependurada na pequena trave, assim , atuando, ator e diretor, uma câmera aqui seguindo logo acima do seu ombro, na perspectiva dos seus olhos, a&amp;nbsp;lente mostrava como era delicada a avó na extração de cada suave pena daquela pele sem sangue, arrepiada como se sentisse um frio horrível. Dizia o diretor, veja, veja como são delicadas suas mãos, siga filmando, é uma menina, uma menina que brinca, filme isso, uma menina romântica que colheu ali nos campos ajardinados da velha mansão uma flor, e brinca de bem-me-quer mal-me-quer.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-3915428955744321163?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/3915428955744321163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=3915428955744321163&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3915428955744321163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3915428955744321163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-42-acordou-mais-cedo-do.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6601287996830969643</id><published>2011-01-25T21:08:00.004-02:00</published><updated>2011-01-25T21:14:40.121-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;42&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem mesmo tinha terminado de estender um cobertor que lhe serviria de cama, depois de escolher o lugar certo, um barulho se fez ouvir lá debaixo, passos, de quem pisa leve sem conseguir, desnecessário disfarce, Dias olhou pela fresta do lugar no alto do prédio ao lado de onde morava e viu o estivador bater à porta, sabia que ele haveria de vir e se preveniu. Era certo, ali em cima ele não o encontraria, a escada que usara, recolhera, deitou-se, pensou nos passarinhos, tinha gosto por aqueles cantinhos escondidos, aquele usara muitas vezes para ler, ali ainda estava um livro, um pequeno livro, juventude, de Joseph Conrad, ali o mundo era só seu, comodamente deitado, podia observar as ações daquele homem, dormiria longas horas depois, até por volta do meio-dia. Como poderia ter tido por um tempo tão longo, da adolescência ao ano no exército, olhos para localizar um rumo, o cruzeiro do sul da sua vida naquele homem; recebia dele carinhos e agrados, diferentes dos da avó Luzia e viu crescer sentimentos por ele, nunca fora capaz de dizer te amo, mas muitas vezes perguntou-se se não seria a hora, se o que sentia não seria amor, não, não disse, nunca disse, chegou a tentar em certos momentos, algo o impedia. Agora se dava com os entendimentos, agora percebia, não havia flores naqueles ramos crescidos em canteiros sem sol. Presente sempre o mar, por todos o lados, os navios, o porto, o mar, o cais, o estaleiro faziam-no acreditar mais nas promessas do estivador do que nos conselhos da avó Luzia. O estivador prometia que se mudariam para Nova Iorque, que tudo estava sendo&amp;nbsp;providenciado com uns gringos conhecidos. Mas como a demora se alongava ano após ano uma pergunta tornou-se refrão nos seus encontros furtivos, vamos mesmo para Nova Iorque?, quando vamos para Nova Iorque?, lembra, olhando o outro lá embaixo forçando a porta enraivecido, vamos mesmo para Nova Iorque?, fazia questão de dizer o nome Nova Iorque, poderia perguntar vamos mesmo?, vamos mesmo pra os Estados Unidos? Não, era preciso acrescentar Nova Iorque, quis até aprender inglês, esforçou-se na escola, aprendeu algumas boas frases, e a resposta vinha com tantos detalhes, Justino era tão detalhista na exposição dos planos, falava com sentimentos, era exímio nas explicações, que a não realização daquilo seria impossivel, acreditava. Agora tinha que elaborar para si mesmo outras perguntas. O novo gerente, o novo gerente... adormeceu. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6601287996830969643?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6601287996830969643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6601287996830969643&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6601287996830969643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6601287996830969643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-42-nem-mesmo-tinha.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6842766368637426705</id><published>2011-01-24T21:02:00.005-02:00</published><updated>2011-01-25T12:23:16.050-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;41&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fugiu-se dali o mais rápido possível depois de toda a trabalheira, não deixou contudo de ajudar também naqueles serviços finais quando todos se vão embora, inclusive o tal Justino Barroso, melhor mesmo que já se tivesse ido, quando todos se vão e é preciso ficar, recolher garrafas, juntar engradados, arrumar as mesas e cadeiras, passar uma vasoura no chão, enquanto a amiga dona do bar fechava suas contas, recolhia o dinheiro que a muito não via em um único dia. Havia muitas despesas a pagar, mas, decerto sobraria um bom dinheirinho; Dias, amanhã acerto com você, gritou de lá, não tem problema, respondeu, fechando as janelas, janelas antigas, tão bonitas, altas como uma porta, de duas bandas, uns vidros quebrados, madeira e tinta disputando os olhos dos dias e dias e dias, vamos descansar que já é hora. Durante a noite toda Dias trabalhou dançando e cantando como a obter na exaustão de um ritual os benefícios que se deseja. Agora não, agora trabalhava em silêncio, o silêncio caía ali sobre os dois naquele imenso e um dia bonito salão como água morna em banho sem pressa. Cada um sentado em pontos distantes, um olhando para o outro como a dizer tarefa cumprida, depois riram, seguiram um para o outro e se abraçaram em sigilos e cumplicidades de dores não partilhadas. Vamos, vamos descansar, disse Dias. A mulher ali mesmo morava no andar superior. Dias seguiu seu rumo; ouvia o som leve e rápido dos próprios passos, um galo aqui outro acolá, cantavam tristes e insistentes, alguém, alguns, gritando por ali estes gritos de fim de festa quando se vai embora tirando a camisa, o alcool hiperdimensionando as alegrias, pobres alegrias, nada além do que sempre corria por ali, as engrenagens funcionando, funcionando. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seguiu passando por uns pequenos armazens fechados de portas grandes que vinham logo depois do bar, alguem gritou seu nome de longe no diminutivo, rindo, Diazinho, vai pra casa, hem! e outras babaquices do tipo, umas dez casas algumas habitadas e outras sem condições de abrigar alguém se sucediam numa linha reta, na frente um espaço grande como um campo de futebol, agora limpo dos entulhos retirados a mando do novo gerente, ao fundo, mas não mais na mesma linha, um pouco mais para a frente quatro armazens maiores. Tinha o dia já aquela cor macia de fim de madrugada, flor que se contempla longe da mão direta e pesada do sol, o ar carregava sem esforço um cheiro doce, quase imperceptível, de erva-de-santa-maria, que por ali tinham muitos pés. Entrou por entre o armazém dois e o três e seguiu depois deles por uma espécie de alameda em que as laterais eram carros cobertos de ferrugem, não lhes restara de toda a beleza e potência nos motores outro futuro senão aquele, naquela cor, abatido marrom; todavia, ao modo de olhares em retratos, olhares que clamam melancolicamente por vida em túmulos de datas tão distantes, mesmo que do ano anterior, datas em túmulos sempre são distantes, restavam alguns pontos e manchas e pedaços coloridos naqueles carros, num, noutro, num, noutro, marcas informes de alegrias findadas. Um navio apitou, doeu-lhe; todas as engrenagens seguiam intactas, de novo apitou, ainda mais dolorido, e de novo. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6842766368637426705?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6842766368637426705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6842766368637426705&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6842766368637426705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6842766368637426705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-41-fugiu-se-dali-o-mais.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-5434249416869991821</id><published>2011-01-24T08:33:00.004-02:00</published><updated>2011-01-24T09:55:48.546-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;40&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;No seguir dos dias, já na puberdade, quando seus desejos anunciaram uma nova luta, uma a mais dentre tantas, Dias abandonou as rezas. Pedira umas vezes, não muitas mas bastante, que a santa do dia vinte e cinco quebrasse a roda das engrenagens, mas a vida se ia girando nos mesmos eixos sem sinal de desistir, girando, girando, girando. Desacreditou que a santa tivesse esse poder, quebrar as engrenagens dos destinos, não sabia o que fazer com o seu, com as proibições que lhe eram impostas sem os devidos entendimentos com as forças que lhe moviam o olhar, enrijeciam o corpo, angariavam-lhe o sangue e o amor. Há engrenagens que não se quebram, se azeitam, há engrenagens que enferrujam, mas não se quebram, há coisas que se esquecem, dores que se incluem nos pertences mais íntimos. Pensava nisso enquanto se aproximava da entrada do bar, olhou para o céu, tinha que encarar a vida, mais uma vez, e assim tinha que ser, não se entristecia. Dias assumiu seu lugar no balcão sem olhar para o estivador ao lado, queria distância. Justino demonstrava impaciência. O estivador procurou, procurou, discreto, esperto, até que foi capaz de chegar aos ouvidos de Dias, naturalmente, como se falasse coisas do trabalho, para impor seus domínios. Percebi seu interesse pelo tal gerentinho, lhe conheço rapaz, você presta atenção, você presta atenção. Aquele você presta atenção repetido que no passado funcionava como um controle, uma corda, uma rédea, um prenúncio de violência, ali dissipou-se no meio do barulho e da música, fez de conta que não ouviu.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-5434249416869991821?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/5434249416869991821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=5434249416869991821&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5434249416869991821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5434249416869991821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-40-no-seguir-dos-dias-ja.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1825835055448683909</id><published>2011-01-23T08:44:00.007-02:00</published><updated>2011-01-23T15:21:06.647-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="background-color: #666666; color: #cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;39&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Dias sempre teve o seu próprio canto para morar, o que poderia chamar de casa, desde criança, quando chegara à velha siderúrgica; de tempos em tempos mudava, lugares era o que não faltava naqueles muitos galpões, também nao carecia de imaginação e criatividade para montar sua casa, aqui, acolá. Em certas noites, todavia, sem saber por quê pois se entendia como corajoso, ou quando alguns sonhos rompiam seu sono com sustos e sobressaltos corria pelo escuro afora por entre os vultos formados pelos entulhos e ferragens para a casa da avó Luzia, e lá, naquela cama macia e cheirosa sempre pronta, já tranquilo e refeito dos seus medos, se determinava a não dormir para aproveitar a oportunidade e descobrir os segredos da boa velha. Desdobrava-se em tentativas de vencer o cansaço, o sono, e montar vigilância, permanecer de ouvidos bem atentos para os ruídos diferentes, seriam diferentes, reveladores&amp;nbsp;e, então, de espreita encontraria o lugar certo para tudo observar; nos idos da madrugada, a avó se transformaria, ele tinha certeza, queria ver, num beija-flor, numa andorinha, quem sabe uma rolinha, num pássaro pequeno qualquer, pois supunha, era por estes rumos, como um passarinho esperto, que ela ia aos seus três santos lá no alto do céu, logo bem cedinho, antes do sol abrir todas as portas da luz, e saber deles coisas do futuro. O costume se mantinha, tantas coisas perdera, mas isto permanecia, a ligação entre futuro e alto do céu, não conseguia vencer aquela mania, ao contrario das pessoas que abaixam a cabeça nos momentos de pensar no futuro, ele olhava para o alto. Em algumas outras noites, quase derrubado pelo sono mas ainda não, a imaginação travessa levava-o fácil para mostrar a avó se transformando numa coruja horrível, ou num morcego pesado e fedorento, e então encobria a cabeça com o lençol e rezava, rezava ou tentava, misturando as palavras daquelas rezas que com ela mesma havia aprendido, especialmente aquela à Santa Catarina.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1825835055448683909?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1825835055448683909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1825835055448683909&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1825835055448683909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1825835055448683909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-40-dias-sempre-teve-o.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-83840391416853670</id><published>2011-01-22T10:33:00.003-02:00</published><updated>2011-01-22T11:47:05.570-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;38&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquela noite não, naquela noite as coisas aconteciam, o baile, o novo gerente, o que ia se dando por dentro, na cabeça de cada um, daqueles que acreditavam que a velha siderúrgica pudesse recuperar o vigor do passado; Dias não, Dias não conhecera aquele lugar senão abandonado, como se assim sempre tivesse existido, cenário de um filme que não chegou a ser produzido. Suas lembranças todas estavam fundadas naquele lugar, nem sabia de onde viera, crescera ali, com a ajuda de um, de outro, especialmente da avó, aquela que aprendera a chamar de avó, avó Luzia, queria na verdade chamá-la de mãe, mas ela nunca permitiu. O lugar e a avó eram sócios nos anos, no tempo escorrido, cubo de gelo derretido ao sol e absorvido pelo chão, impossível volta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A avó guardava algo, não sabia o quê, algo que ela entregaria a um homem bom, como ela dizia, um homem bom virá, e dizia isso sempre no dia&amp;nbsp;vinte de janeiro,&amp;nbsp;vinte e cinco&amp;nbsp;de novembro e&amp;nbsp;treze de dezembro, dias dos seus três santos. O&amp;nbsp;treze de dezembro ele sabia, era a festa de Santa Luzia, aniversário da avó. Havia comida boa nestes dias e aquele anúncio estranho. Mas no dia de Santa Luzia, além da comida boa ela lhe reservava uma sacola de doces, balas, bombons. A avó, sim, a avó. Precisava visitá-la. Ela sabia dizer coisas, não lia cartas, mãos, não fazia despachos, não fazia grandes rezas, mas sabia de coisas do futuro, fragmentos, pedaços, mas sabia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-83840391416853670?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/83840391416853670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=83840391416853670&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/83840391416853670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/83840391416853670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-38-naquela-noite-nao.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-9019571677549349851</id><published>2011-01-21T09:57:00.004-02:00</published><updated>2011-01-21T14:57:57.300-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;37&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O estivador apareceu na porta do bar e olhou para um lado e para o outro, procurava-o com certeza, voltou a entrar. Dias apertou o que sobrara do cigarro sobre o cimento velho esbranquiçado da calçada com uma força excessiva como se esmagasse debaixo da brasa que se ia fazendo em cinzas um bicho peçonhento, uma lacraia, um verme qualquer. Levantou-se, agia como se estivesse numa cena de cinema, imaginava-se sempre num filme, cada insignificante momento ganhava importância, seus gestos ganhavam valor, às vezes cansava-se, umas poucas vezes esquecia aquilo, mas sempre retornava-lhe essa idéia, era preciso atuar bem, esfregou uma mão sobre a outra, ia à luta, respirou mais fundo o ar, ah o vento estava carregado de maresia, ainda mais forte do que de costume, gostava da maresia, lembranças de quando o abandono ainda não era contaminado pela consciência, quando o presente, duro, áspero, se contorcia em alegrias de viver livre, enganosas, traiçoeiras, mas alegrias. Bem sabia a um tempo que a alegria pode burlar a realidade,&amp;nbsp;a ela se permite tomar&amp;nbsp;de Deus este atributo,&amp;nbsp;criar mundos. Dias levantou-se e voltou ao trabalho no balcão do bar, tinha se comprometido com a dona daquele malcheiroso estabelcimento que a ajudaria naquela noite. Já tinha trabalhado ali um tempinho, mas não fora capaz de suportar a quietude e as sombras daquele lugar, ali as cenas se desenrolavam muito vagarosamente.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-9019571677549349851?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/9019571677549349851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=9019571677549349851&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/9019571677549349851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/9019571677549349851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-37-o-estivador-apareceu.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6516699622471909005</id><published>2011-01-16T18:23:00.005-02:00</published><updated>2011-01-18T09:12:40.743-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;36&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A um passo, Dias ficou a um passo do que poderia fazer, pegar aquele molho de chaves, não sabia exatamente para quê, talvez para devolver no dia seguinte com uma desculpa qualquer, ou para tentar abrir quem sabe certas portas, já imaginava dinheiro, algo de valor por detrás de alguma fechadura naquele mundo abandonado e enferrujado de galpões e galpões e galpões, casas velhas, salas abarrotadas de papéis, escritórios empoeirados, mas teve um descompasso entre o que poderia fazer e o que acontecia naquele momento. O gerente, sem saber, tornou-se um outro caminho, uma outra possobilidade. Sonhos que recorrem, uma ilusão de amor, estas coisas difíceis, ainda mais para ele, ilusões que sempre voltam, desejos que sempre estão à porta pedindo realização. Ao invés de tomar aquele molho de chaves preferiu aproximar-se mais do gerente, decidiu isso ao conhecê-lo no baile, aquele rosto entre o preocupado e o pensativo, o modo com que olhava a todos mesmo quando levava o copo de cerveja à boca, seu jeito de levar a amiga na dança, o braço sobre seu corpo apoiando a mão firme na lateral do quadril, enlaçando-a, quase enlaçando suas nádegas, puxando-a para sí ali embaixo e afastando-a na altura do rosto, negando-lhe na dança a intimidade que não fosse aquela, dos quadris apertados um sobre o outro. Ganhar sua amizade, não seria fácil, ou seria, teria que agir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A estratégia agora, nem de todo era uma estratégia, o que seus pensamentos definiam agora era que devia agir com umas boas doses de humildade e paciência, paciência não teria muita, na humildade talvez fosse capaz de conduzir suas atitudes mais facilmente, não por lhe ser esta uma característica própria, mas pelas humilhações, pão de cada dia. Sentiu perder a excitação, o corpo se afrouxava, a mente não. Desenrolou-se logo de tudo pedindo desculpas, O senhor deve mesmo estar cansado, e eu aqui incomodando o senhor com esta conversa, mas pode contar comigo, ajudo no que for possível. Bateu a porta da caminhonete, afastou-se dois passos para trás e esperou o gerente dar partida. Viu aquelas luzes vermelhas se indo, desejou ir-lhe atrás, mesmo que a pé, correria, isto é certo, se cedesse ao desejo, a casa não ficava longe, e chegaria logo depois, mas virou-se e voltou para o bar. Antes sentou-se num degrau de uma casa ao lado do bar e ficou pensativo, fumando. Sentiu um leve movimento na boca do estômago, algo que se aparentava a um soluço, tinha este sintoma quando queria falar e não falava, quando engolia as próprias palavras, amargas na volta para o fundo da garganta, grossas e ásperas, um soluço, precisava beber alguma coisa, levou novamente o cigarro aos lábios numa tragada mais forte puxando a brasa bem próxima dos lábios.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6516699622471909005?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6516699622471909005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6516699622471909005&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6516699622471909005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6516699622471909005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-36-um-passo-dias-ficou.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1076369323066850353</id><published>2011-01-14T17:41:00.011-02:00</published><updated>2011-01-14T18:11:26.905-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;35&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que você quer? reagiu Augusto assustado. Saí para fumar, respondeu o rapaz admirando a caminhonete e dizendo gostar daqueles modelos antigos. Saiu para fumar disse Augusto num tom que era outro, bem diferente do que a frase dizia, saiu para fumar, repetiu irritado. O rapaz ignorou a leve ironia, e demonstrava interesse pelo carro, rodeando-o e olhando os detalhes. Faz tempo que o senhor tem este carro? O modo de segurar o cigarro, de dar as tragadas tinha um quê de ensaio, de quem fuma a pouco tempo. O senhor não está gostando da festa? vai para outro lugar? fez outra pergunta sem esperar a resposta da primeira. Não, simplesmente vou para casa, tenho muito trabalho, muitas coisas a ver, respondeu, preciso descansar. Olha, disse o rapaz, se o senhor precisar de um auxiliar de escritório tenho experiência, no quartel fiquei nos trabalhos administrativos ajudando o sargento. Sim, disse Augusto, obrigado, mas por ora não vou contratar ninguém, me são suficientes os homens para a limpeza do lugar, recolhendo o ferro-velho; neste momento ja se assentava ao volante, e o rapaz, pela porta do carona que tinha pedido licença para abrir, admirava o painel da velha chevrolet. Sou apaixonado por este tipo de carro, disse o rapaz enquanto dobrava-se sobre a poltrona para olhar melhor. Quando disse apaixonado separou demais as sílabas, e a palavra ficou com um tom afetado. Não se importou com isso, até parecia ter um certo prazer, numa postura completamente diferente daquela&amp;nbsp;que adotava&amp;nbsp;debaixo dos olhares vigilantes&amp;nbsp;do estivador. Sobre o acento do carona estava o molho de chaves.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1076369323066850353?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1076369323066850353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1076369323066850353&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1076369323066850353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1076369323066850353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-35-o-que-voce-quer.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-142950870062730053</id><published>2011-01-13T16:06:00.000-02:00</published><updated>2011-01-13T16:06:16.494-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;34&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao voltar ao balcão um outro ajudante tinha se juntado aos demais, um rapaz dos seus vinte e poucos anos. A mulher se mantinha afastada de atendê-lo especificamente, como se cumprisse ordem, veio o rapaz, veio com toda a prontidão, estendendo a mão e se apresentando com uma efusão de simpatia da qual logo se recompôs como se percebesse uma falha em si mesmo, um exagero, sempre se recriminava, mas não conseguia vencer aqueles modos, discretamente olhou para um lado e para o outro e continuou no seu trabalho. Justino Barroso percebeu a cena com atenção, havia em suas maneiras, no olhar disfarçado, um ato em premeditação de fera. Augusto observou, sentia que a posição que ocupava no imaginário daquelas pessoas dava-lhe uma importância com a qual não sabia lidar em função da falta de habilidades, aquelas que se adquire no desempenho cotidiano da autoridade. Durante o tempo que esteve ali Augusto sentiu que o rapaz o seguia, quase o perseguia, com um olhar morno, de chá de camomila, mão leve de barbeiro sobre o cabelo, nao sabia explicar. Saiu para respirar, o ideal seria ter agora um cigarro, fumar, fumar sem pressa, como aprendera na casa de dona Irene; mas abandonara o fumo com a ajuda da esposa, seria uma boa hora para voltar a fumar, teve dúvidas. Da idéia de dar uma volta fora do bar decidiu ir embora, a chuva tinha passado, a noite estava clara, a lua brilhava em grandes espaços entre as nuvens, o ar era limpo, noite boa para andar solitário por ali, mas era um lugar ainda desconhecido, melhor se prevenir com certos cuidados. Como ainda era cedo para deixar a festa pensou que ninguém se daria conta de que se ia pra casa. Quando já chegava perto da caminhonete logo percebeu que sua saída não fora assim tão despercebida, o rapaz veio ao seu encalço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-142950870062730053?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/142950870062730053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=142950870062730053&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/142950870062730053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/142950870062730053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-34-ao-voltar-ao-balcao.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-7279191580344792252</id><published>2011-01-12T10:12:00.004-02:00</published><updated>2011-01-12T22:35:06.995-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;33&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O senhor é um homem sonhador, e carajoso, disse o estivador, pode me chamar de Barroso, todos me conhecem assim, é claro que meu nome, como já me apresentei, é Justino, mas de fato prefiro o sobrenome Barroso, me acostumei, o senhor... deseja uma nova cerveja? perguntou na sequência da conversa deixando um espaço na fala para depois de senhor. Augusto, meu nome é Augusto, respondeu. Admirou-se da tranquilidade em dizer o próprio nome. O senhor Augusto é um homem corajoso, o senhor acredita mesmo que tudo isto pode voltar a funcionar? continuou perguntando referindo-se ao complexo industrial. Augusto sorriu, disse um talvez... talvez, e se foi retirando, pedindo as devidas licenças. Havia ali naquele homem algo que precisava entender melhor, depois voltaria e veria por onde o tal Barroso iria conduzir a conversa. Foi-se na direção de uma mulher com quem trocava olhares, conhecia muito bem as voltas e as sílabas daquelas miradas; a escola que frequentara, a casa de dona Irene, não lhe deixava falhar. Era linda a menina, não mais que vinte anos, mas exacerbada na sensualidade e no desejo de viver uma noite feliz. Com certeza o que isso&amp;nbsp;dizia é que a vida que levava era uma vidinha dura e de muitos desprazeres cotidianos. Ele não se importou com isso, não se importava com isso com as mulheres de dona Irene que muito bem sabiam separar, ou se tinham treinado para separar, a pobreza de vida que viviam das coisas da cama. Dançaram e os passos da dança diluiram com a cerveja aqueles outros pensamentos, de correntes pesadas, que lhe amarravam a idéia o tempo todo: o que tinha feito, meu Deus, o que tinha feito? o que fazer agora? Quantos dias se passaram desde a morte de Rosimara, perguntou-se, não soube responder, não pensou mais nisso, o clima no bar instava-o outras coisas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-7279191580344792252?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/7279191580344792252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=7279191580344792252&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7279191580344792252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7279191580344792252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-33-o-senhor-e-um-homem.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1664753799696523413</id><published>2011-01-11T18:10:00.005-02:00</published><updated>2011-01-18T09:13:28.098-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;32&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As pessoas estavam ali em número bem maior do que pudesse imaginar num baile tão apressadamente organizado; as notícias de fato corriam rápido, não podia vacilar e nem podia esquecer sua condição. Cumprimentou os que por ele passavam, dispensou as gentilezas exageradas posicionando-se entre a firmeza e a simpatia e dirigiu-se ao balcão. Encostou-se, pediu sua cerveja e ficou de guarda das feições e movimentos de todos. A senhora do bar parecia outra, tinha remoçado pela maquiagem e pelos cabelos bem cuidados e os olhos pareciam mais vívidos, mas ainda assim ela escondia, ou tentava, nos entrecantos da voz, dos gestos, uma inquietude. Seu marido era da estiva, ele mesmo o disse na apresentação breve, com olhar oblíquo, a postura vulnerável de algum modo, apesar de acintosamente forte. É que a presença do gerente impunha ao homem uma postura, um controle de si mesmo, sabe-se lá qual, que deixava&amp;nbsp;à mostra suas profusas ramas na maneira de esfregar aquele pano no balcão, um vaivém nervoso, não nervoso propriamente, mas exagerado nos intentos de limpar aquela superfície que não carecia mais de limpeza, a dar sinais de longas e ramificadas raízes subterrâneas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1664753799696523413?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1664753799696523413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1664753799696523413&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1664753799696523413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1664753799696523413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-32-as-pessoas-estavam.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1753381258004779051</id><published>2011-01-10T12:08:00.001-02:00</published><updated>2011-01-10T12:09:04.607-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem que poderia ter um paletó para ir ao baile, não tinha, mas cairia-lhe adequadamente a jaqueta ainda nova de couro marron escuro que trouxera na fuga junto com algumas outras básicas peças de roupa. Chovia e a peça lhe seria a solução para não chegar em mangas de camisa. A librina tinha se transformado em chuva, não das fortes, mas constante, e a temperatura já era bem amena, quase fria. Olhou-se no espelho e a lembrança levou-o outra vez para a casa da chácara; fora educado nas elegâncias, por assim dizer, pelas meninas de dona Irene; elas, que bem conheciam a transformação do moleque em homem feito, entre risos e trejeitos destituídos de timidez, davam as dicas, nem sempre acertadas, do que poderia ou não agradar aos olhos femininos, estas coisas do que falar, o que valorizar, que cheiro usar. Refinou-se no próprio charme com elas. Na verdade, além do que aprendeu destas etiquetas, de como se vestir, teve delas também como herança uma parte de alma, tinha um quê de feminino no modo de ver o mundo, sem perder contudo sua fama, e talvez isso explicasse seu sucesso com as mulheres, aquele rio de virilidade sem ostentação com um veio sinuoso de delicadeza. Perguntava-se ali olhando-se nos olhos o porquê de estar assim nesses momentos com a lembrança tão aguçada para a chácara. Queria lembrar-se de sua Rosimara, recriminava-se, mas a recriminação perdia convicção, era um esforço, uma lição disinteressante, sem nenhuma chance de ser assimilada, enquanto as outras, estas da casa da chácara, vinham aos borbotões.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1753381258004779051?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1753381258004779051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1753381258004779051&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1753381258004779051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1753381258004779051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-31-bem-que-poderia-ter.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-3171785352736650454</id><published>2011-01-09T13:45:00.006-02:00</published><updated>2011-01-09T22:04:54.277-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela casa com seus silêncios ofereceu-se sem resistência em suas portas e recantos como assim se oferecia a casa da chácara nos limites da cidade onde se cruzavam muros e cercas, milharais e oficinas de marcenaria. Ali, logo depois da ultima casa da rua, depois dos últimos paralepípedos, um longo muro e um portão imponente bem trancado, lá dentro, pelas poucas frestas, se via, ao fundo de uma alameda ladeada por mangueiras antigas, uma casa linda, grande, de paredes amarelinhas e janelas azuis. Ali, ainda bem novo, com seus doze, mas suficientemente esperto e pronto para os negócios, sabia muito bem oferecer favores à dona Irene. Lembrava seu passado em sua distante cidade enquanto vasculhava a casa do gerente, procurando portas trancadas ou gavetas, sem descobrir nada. Dona Irene o tinha por moleque protegido desde quando, por esperteza, ele se infiltrara pela chácara para catar mangas, com cara de ingênuo, mas cujo propósito mesmo já bem antes definito era se avizinhar da intimidade daquele sítio onde decerto encontraria algo que lhe fosse do interesse. Tornou-se enfim moleque de confiança da dona da casa, levava e trazia recados para homens importantes na cidade, prestava-se com muita solicitude a fazer favores para as meninas de dona Irene, estava sempre pronto. Sempre depois das aulas se arranjava bem em desculpas para se desvincular dos outros meninos e sorrateiramente ir até a chácara. Passava voando pelas ruas com sua bicicleta, ninguém se dava conta dos seus movimentos e dos traçados que fazia pelas ruas, não repetindo rotineiramente o mesmo percurso e chegando como um anjo que do nada aparece e do nada some. Logo que se sentiu aceito, depois das broncas nas primeiras investidas sobre as mangueiras com pedradas, ou balanções em seus galhos, trepado a ponto de cair, ponto de observação mais apropriado a olhar pelas janelas do segundo pavimento, as mais misteriosas janelas, seus interesses libidinosos insistentemente vazavam em meios-sorrisos, olhares dúbios, meiguice tímida. Não resistiram, caíram-se de cuidados e mimos para com o menino, tornou-se homem. Tornou-se homem frequentando a casa e ao encontrar sua Rosimara se empenhou duramente, como um estoico, a fazer outros passos que não aqueles habituados com os rumos, muitos, que dariam na chácara.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-3171785352736650454?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/3171785352736650454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=3171785352736650454&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3171785352736650454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3171785352736650454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-30-aquela-casa-em-seus.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-5200512979385619189</id><published>2011-01-08T21:56:00.006-02:00</published><updated>2011-01-09T09:54:13.657-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os dias então se sucederam mais rápidamente do que sua dor vinha permitindo desde o acidente e morte da esposa. Ao fim da tarde de sábado voltou do trabalho para a dita casa do gerente, librinava. Quanto mais caia-lhe a ingrata sensação de estar fazendo o que nunca faria, de meter-se em coisas alheias, mais persistente apesar de vagarosa se tornava sua vontade de trabalhar. Esta, a vontade de trabalhar, parecia suceder aquela, a vontade de fugir, fugir para um lugar bem longe, lá onde as lembranças, árvores sem frutos, não estenderiam suas sombras. Mas elas iam, iam, sombras lânguidas, mansas, sorrateiras, e chegavam sempre, infelizmente, marcas arroxeadas que surgem tarde, mas surgem, em carne magoada. Na hora do almoço já tinha determinado a uma das mulheres que cuidasse de umas peças de roupa que usaria à noite no baile que alguns, rapidamente, já haviam organizado e que aconteceria no salão do bar. Seria a personagem principal da festa e não poderia faltar, mas agora a librina que caía era um bom convite para o recolhimento e um sono pesado. O cansaço do trabalho dava-lhe este ganho indireto, mas valioso, dormir como uma pedra, sem sonhos, sem sobressaltos, sem cenas que reapareciam do nada em sua mente como se fossem reais de tão vívidas. Mas teria que ir ao baile, ainda poderia tomar um banho, relaxar por umas horas, sondar talvez portas e gavetas com aquelas chaves.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-5200512979385619189?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/5200512979385619189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=5200512979385619189&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5200512979385619189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/5200512979385619189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-29-os-dias-entao-se.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-7694700652697988775</id><published>2011-01-08T11:41:00.004-02:00</published><updated>2011-01-11T10:59:05.776-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os dias que se seguiram foram marcados por muito trabalho, não só do gerente, mas do comprador de ferro-velho e dos homens do bar. Foram vendidas as ferragens abandonadas pelas áreas livres do parque industrial, o desleixo tinha prevalecido naqueles que então conduziam os negócios por aquelas bandas, relaxo que se associou depois, no seguir dos anos,&amp;nbsp;à força poderosa e rápida do abandono. Ferragens foram recolhidas desde o portão de entrada até a porta do escritório, a aparência do lugar ia se modificando a cada dia, o gramado cheio de mato e de carcaças de carros, peças de ferro e maquinários inutilizáveis por onde pastavam aquelas poucas cabeças de gado parecia agora mais plano e verde. Mesmo que o trabalho de quase uma semana tivesse já possibilitado uma nova feição para o lugar havia ainda muito ferro-velho espalhado pelas redondezas, aquele ar de tristeza, de nostalgia, ainda era forte, mas já outro espírito se infiltrava por ali. O preço combinado favorecia o comprador mas ainda mais o senhor gerente tinha lucros, recebia em dinheiro a cada dia e se mostrava seguro e determinado nas suas ordens. Os homens com suas diárias, o gerente era generoso, tornavam o bar no fim do dia um salão de festas com um vozerio animado e muitas gargalhadas, as esperanças se renovam facilmente. O tempo todo o senhor gerente estava por ali com os trabalhadores, conferindo o que se recolhia e, especialmente, o que se falava. Ocupava com destreza um lugar entre amigo e chefe, mantendo-se sempre a uma certa distância afetiva de todos, o que, imaginava, determinaria a visibilidade do seu amor pelo trabalho, o respeito por seus comandados e a segurança de sua autoridade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-7694700652697988775?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/7694700652697988775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=7694700652697988775&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7694700652697988775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7694700652697988775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-28-os-dias-que-se.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-4252786571861903347</id><published>2011-01-07T19:45:00.005-02:00</published><updated>2011-01-07T20:21:29.021-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ficou ali por horas com aqueles papéis, só então lembrou do molho de chaves que recebera logo que chegara e, decerto, seria muito mais importante procurar portas e gavetas que se pudessem abrir com aquelas chaves do que folhear velhos livros, pastas, etc. Neste momento gritaram por ele da porta do prédio, era um dos homens com os quais tinha feito a reunião no bar, trazia possivelmente o comprador de ferro-velho, foi isto que concluiu ao avistar lá de cima do segundo andar um homem com marcas de quem lidava com ferrugens e asperezas, o que ficava evidente no olhar e num par de luvas grossas que trazia na mão direita. Reparou a paisagem, o cais no azul da manhã, um certo aperto no coração com o qual lutava uma luta sem elegância, sem regras,&amp;nbsp;e titubeou levemente nas decisões que ia tomando. Fez sinal para que esperassem, logo desceria, mas rápido voltou à janela e pediu que subissem, achou melhor sentar-se na cadeira do gerente, impor uma certa distância, se proteger com aquela pesada mesa, impor a autoridade que o outro esperaria. A desordem da sala teria também um efeito bom sobre o homem, angariaria credibilidade tanto do comprador de ferro-velho quanto do que o trazia e que diria aos outros as notícias que logo se espalharia por toda a vila, precisava disso, de que o novo gerente estava de fato empenhado em colocar tudo de novo em funcionamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-4252786571861903347?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/4252786571861903347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=4252786571861903347&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4252786571861903347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4252786571861903347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-27-ficou-ali-por-horas.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-8767105050155540445</id><published>2011-01-06T17:47:00.003-02:00</published><updated>2011-01-06T17:51:09.909-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No escritório, enquanto manuseava pastas e pastas sem saber o que procurava, o contato com aquela senhora determinava-lhe idas e vindas, caminhos possíveis e outros entendimentos. Algumas pastas guardava nos armários de onde as tirava, outras jogava num canto, as que estavam mais corroídas pelo tempo e pelas brocas. Quem chegasse à porta e o visse ali envolvido com aquela papelada logo comprovaria seu real interesse em colocar em andamento com responsabilidade e muito empenho sua gerência, ficariam admirados, mas o que ele fazia era somente oferecer a si mesmo a idéia de que trabalhava, precisava disso. Ela nao lhe dera maiores informações exatamente por supor que ele já as tivesse recebido quando da aceitação da função. O fato de ser chamado o tempo todo e por todos de senhor gerente levou-o a conclusão de que não sabiam do tal gerente nada além de que um novo viria para administrar aquelas instalações. Não haveria mais de se preocupar em saber o nome do verdadeiro gerente, qualquer nome que ele usasse seria bem aceito, até o próprio, mas na atual situação melhor mesmo era continuar simplesmente como o senhor gerente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-8767105050155540445?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/8767105050155540445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=8767105050155540445&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/8767105050155540445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/8767105050155540445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-26-no-escritorio.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-2335299203179077215</id><published>2011-01-05T10:43:00.008-02:00</published><updated>2011-01-06T14:21:45.146-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color: #999999;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Inesperado sol&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem saber exatamente o que dizer além da resposta ao bom dia da senhora e já de imediato pensando que ela seria uma empregada, se bem que se ia&amp;nbsp;muito avançada nos anos para dar conta de serviços domésticos, e nem tinha estado entre as outras que cuidaram da casa no dia anterior e com as quais cruzara quando chegara, ele postou-se de pé diante da mesa demonstrando tranquilidade, apesar de em seus espaços correrem cavalos assustados, aves batendo asas em voos imprevistos. Olhou para um lado e para o outro, procurava café, mais procurava um tempinho pra organizar os pensamentos, lembrou que não fugiria mais, que era o gerente, via que o fogão no canto da espaçosa cozinha estava frio, com umas panelas cobertas com um pano, a comida deixada pelas mulheres na véspera, que ele não tocou. De lógico era só ter pensado antes, que se não havia cheiro nenhum na cozinha que indicasse uma presença, cheiro de café, cheiro de pão, de frituras, nada ainda havia sido feito e aquela senhora não estava ali para servi-lo. Gostava de acordar antes do sol nascer, gostava de presenciar o dia se abrindo de manhã. Uma tênue luz entrava pelos vidros da janela. Não sabia onde estava, em que parede, o interruptor. Onde se acende as lâmpadas, perguntou, e a senhora levantou-se sem pressa, foi até a parede esquerda ao lado da porta por onde ele havia chegado e acendeu a lâmpada. Mas não haveria mais necessidade da lâmpada, havia luz suficiente no ambiente, luz macia, descansada, leve. O estalo do botão foi maior do que devia ser, como se o desuso tivesse aumentado a pressão do interruptor. Sentando-se novamente no mesmo local a velha senhora articulou-se em modos mais doces sem conseguir e dirigiu-lhe a palavra. Mas o que dizia soava-lhe estranho, como voz de cartomante, benzedeira, ou algo assim. Sente-se por favor. As palavras que vieram depois ele não ouviu. Por favor, repita o que a senhora disse. Não é mais necessario, ela respondeu, tenho isto e é ao senhor que devo entregar, cumpro minhas obrigações. Estendeu a mão e deu-lhe o papel envolto no lencinho xadrez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2335299203179077215?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2335299203179077215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2335299203179077215&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2335299203179077215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2335299203179077215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-25-sem-saber-exatamente.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-177280282992145043</id><published>2011-01-03T20:56:00.015-02:00</published><updated>2011-01-03T22:48:11.654-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mulher&amp;nbsp;pigarreou enquanto empurrava a porta dos fundos e que dava num pequeno hall onde ficavam umas caixas de legumes vazias, uns latões e coisas do tipo como se fosse uma casa de fazenda, e se ia por ali até a cozinha, onde ela, enxergando muito bem com os seus tatos e os costumes com aquelas partes da casa, se assentou. Esperaria ali com as duas mãos descansando sobre a mesa ao modo de rezar, sem rezar, guardando aquele pequeno papel dobrado, um papel de embrulho que ela cuidadosamente envolvera com um lenço de xadrez apagado, um tecido que teria sido outra coisa antes de lenço talvez. Quando ele, o suposto gerente chegou à cozinha, a luz do sol ia longe de se esparramar majestosa por todos os lugares e recantos daquele mundo, a noite largava ainda grandes e pesados fardos das suas nuvens sobre as coisas. Assustou-se o senhor suposto gerente. Assim acontecera. Matou a mulher pensando que era um ladrão no escuro quando ao ouvir um barulho, alto da noite, apoiando-se em coragem no revolver do qual se orgulhava e mostrava aos amigos, empunhou-o e foi sem acender luz nenhuma à cata do dito cujo que lhe invadira o domicílio. Assustou-se a mulher na cozinha, que se levantara, não se sentia bem,&amp;nbsp;não sabia direito o que lhe fazia mal, estava enjoada, e&amp;nbsp;engolia no escuro uns goles d'água bem gelada&amp;nbsp;com certas tristezas e desencantos. A água bem gelada parecia diminuir a revolta do estômago. Levantou-se apavorada da mesa&amp;nbsp;ao ver e reconhecer o marido com a arma na mão, a pobre e jovem mulher, ao contrário desta agora que se manteve sentada com seu lenço na mão a guardar aquele papel, uma espécie de documento, levantou-se deixando a cadeira cair, sem tempo pra dizer sou eu querido, o barulho da cadeira no chão foi maior pelos medos que invadiam a casa, o marido precipitou-se atirando e matando a esposa naquele escuro da vida nas penumbras da cozinha, nos segredos da casa. Agora ali a mulher, a velha e pequena senhora manteve-se quieta, quase uma pedra, não fosse um bom dia senhor gerente que ela em voz mansa,&amp;nbsp;com um certo quê de mando,&amp;nbsp;foi dizendo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-177280282992145043?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/177280282992145043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=177280282992145043&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/177280282992145043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/177280282992145043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-24-mulher-tossiu.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-8669668721920119100</id><published>2011-01-01T11:39:00.004-02:00</published><updated>2011-01-01T17:06:28.256-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na sua mente surgiu o sol, por antecipação, o sol do dia seguinte, aquele que ele decidia viver. Tinha clareza, estava certo. Voltou-se da janela e foi para a cama, deitou-se e um leve sorriso se esboçou na &amp;nbsp;face enquanto encontrava a posição certa no travesseiro. Movimentou também a boca como a acertar os sabores, a lingua e os dentes para o sono. Voou para a velho bar e observou novamente aquela mulher. Perdeu-se dela e o que viu foi sua esposa, seu sorriso, seu jeito entre o tímido, o ingênuo, a dissimulação, voltou-se para a mulher do bar, pensou nela com um certo sentimento, um agrado lhe vinha daqueles lábios, ou do olhar, ou do jeito de gesticular num resquício de belezas, de encantos. Matara a própria esposa, mas agora seria o tal gerente, afinal não mais havia jeito para a morte e para o passado. Contentava-se em ser melhor, consolava-se com a possibilidade de ser melhor, ter dias melhores. Mastigou o que não tinha na boca, articulou palavras sem síbalas, movimentos primais, flexionou mais os joelhos, acertou as mãos unidas por baixo do travesseiro. Havia um cheiro ali na fronha limpa, um cheiro de bambuzal ao sol. Um dia visitaria o túmulo dela, em dia de sol forte. Veio-lhe esta idéia assim. Adormeceu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-8669668721920119100?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/8669668721920119100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=8669668721920119100&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/8669668721920119100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/8669668721920119100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2011/01/inesperado-sol-23-na-sua-mente-surgiu-o.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-649137098725374578</id><published>2010-12-27T17:44:00.005-02:00</published><updated>2011-02-24T22:11:39.118-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;&lt;em&gt;Inesperado sol&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Para Eurico, Mai, Paula&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo numa janela, a vida toda na janela, a vida num instante, passado e futuro longe, longe.&amp;nbsp;O desejo estranho dando voltas sobre os pensamentos fazendo-os tortos, inclinados, pendentes. Talvez fosse bom que a polícia aparecesse logo e o levasse preso, levasse-o&amp;nbsp;embora, mas estava longe e com certeza demoraria alguns dias até ser descoberto. A janela delimitava um limite, uma escolha, o amor e a dor e o luto e a culpa por um&amp;nbsp;lado exigindo um ato&amp;nbsp; heroico, e a liberdade por outro, mesmo que uma liberdade de pequeno alcance, de voo curto, garantindo não sabia o quê, uma esperança talvez de um outro sol ao amanhecer que o tirasse do pesadelo. Pensou em ficar ali naquele velho cenário, uma velha siderúrgica, um porto esperando restauração. Decidia não fugir mais, mas também não se entregaria, ficaria ali enquanto desse, enquanto pudesse ser dois, este que ele carregava fugindo e aquele que os pobres dali recebiam como&amp;nbsp;o restaurador das coisas, da vida, da siderúrgica, do cais. Quem sabe demoraria a polícia em chegar,&amp;nbsp;e os recantos de ferrugem, os galpões pudessem lhe oferecer alguma sensação de gozar de um irmão ao lado. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-649137098725374578?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/649137098725374578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=649137098725374578&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/649137098725374578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/649137098725374578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/12/inesperado-sol-22-tudo-numa-janela-vida.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1298611937739716794</id><published>2010-11-07T16:00:00.003-02:00</published><updated>2010-11-18T09:07:14.498-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;Inesperado sol &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu matei, ele pensou, eu matei. Então de um salto pôs-se de pé, era hora, passara da hora de ir embora, dirigir sem estrada certa, escolher uma estrada na direção contrária, aquela que segue no rumo oposto à dor, no rumo oposto ao amor, no rumo oposto das lembranças, se existe essa estrada. Foi até à janela, pôs-se ali, as duas mãos espalmadas nas paredes laterais da janela, um cristo crucificado no vão da janela aberta, o vento vinha do mar, frio, a brisa carregada de maresia, a noite de nuvens de chuva ainda por chover batia-lhe no rosto com a escuridão, a noite tornava-o peça principal de uma cena sem espectadores. Eu matei,&amp;nbsp;repetiu em pensamento, eu matei. Jamais pensara um destino assim com o qual curvava-se agora, por mais que se mantivesse ereto. O perfil da velha siderúrgica no escuro da noite emoldurava um mar e um porto escondidos pela escuridão. O que o mundo reconhecia era apenas o ruído indistinto do mar indiferente passando pela janela como se ele ali não fosse nada. Eu matei. O vão da janela parecia ainda maior.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1298611937739716794?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1298611937739716794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1298611937739716794&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1298611937739716794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1298611937739716794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/11/inesperado-sol-21-eu-matei-ele-pensou.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1294605428688470463</id><published>2010-11-06T07:34:00.005-02:00</published><updated>2010-11-18T09:10:21.910-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;em&gt;Inesperado sol&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentia sono, um sono inesperado, um sono de sumir pelos universos do esquecimento. Procurou o quarto esquecendo a casa,&amp;nbsp;era o suficiente o que olhara,&amp;nbsp;os objetos que vira na sala, seguia agora outro rumo, quase por instinto, como se aquela casa fosse sua antes, ou como se fosse sua agora, não era nem uma coisa nem outra, era um espaço, um espaço cercado de asteroides informes. Tirou a roupa, caiu sobre a cama, poxou o lençol até o peito. Não dormia fácil em cama estranha, ajeitava-se e não encontrava a posição que o corpo queria, decidiu ficar imóvel, forçar o corpo a esquecer os movimentos, a luta era quase impossível, conseguiu por uns instantes, uns minutos, quantos não sabia, talvez um único, longo, longo com cara de dois ou três. Virou-se para o outro lado, os lados eram iguais com os olhos cerrados, apertados, a impedir os pensamentos, como se acreditasse que os pensamentos&amp;nbsp;fossem fluxos&amp;nbsp;pelos olhos, fluissem por eles em cascatas barulhetas, infindáveis. Determinou-se novamente a ficar imóvel, os pés queriam se esfregar um sobre o outro, concentrou-se nos pés, ordenando-lhes que silenciassem. De súbito veio-lhe a cena, fragmentos da cena, olhos abertos ou fechados agora não importava, a cena estava ali em close. A mãos trêmulas, suas mãos, mas firme, trêmulas nas fibras, nas vibrações das fibras dos músculos contraídos, firme. Tremia-lhe mais agora o corpo que as mãos naquela hora.&amp;nbsp;Vibrava-lhe as mãos com o revolver como vibram os átomos do aço. O revólver apontado e impiedoso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1294605428688470463?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1294605428688470463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1294605428688470463&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1294605428688470463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1294605428688470463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/11/inesperado-sol-20-sentia-sono-um-sono.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-3230295380691041201</id><published>2010-08-18T08:06:00.007-03:00</published><updated>2010-08-25T06:47:55.764-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Inesperado sol&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao sair do banho voltou a pensar que o que vivia ali era só um descanço, permitia-se ser de novo aos olhos das pessoas um homem de bem, e aquele lugar exercia sobre ele um apelo de reconstrução. Vivia ali naquelas horas sonhos de que a vida pode ser como uma página lida de um livro jogado ao lado e nunca mais retomado. Um desejo de poeiras se precipitando sobre o que acontecera crescia em seus pensamentos, mais do que de poeiras, de aterros. Perdera a noção dos dias que se passaram desde o fato. Negava-se a encontrar um nome para o fato. Sentou-se na sala. A decoração e todos os móveis datavam dos anos sessenta. Nada fora mudado ali, mas tudo estava bem preservado e limpo. Sentia-se como se tivesse caído na infância, a casa da avó, dias felizes. Agora sua vida era curta. O passado não era mais a sua infância, a casa da avó, tudo tão&amp;nbsp;distante. A vida curta se dava entre o fato inominável e aquele momento na casa do gerente. Voltar ao passado significava voltar àquele dia. Mas isto ele não queria. Voltou sua atenção para a sala, forçava as boas lembranças,&amp;nbsp;mas a sala não era outra coisa senão aquela sala. Tentou retirar de cada objeto uma intimidade, mas eles se revelavam frios e estáticos, os abajures, a cristaleira, os aparadores, os cinzeiros, os quadros, os estofados. Mas as cortinas, as cortinas eram novas. Sim, descobrira uma coisa nova, as cortinas eram novas. Levantou-se.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-3230295380691041201?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/3230295380691041201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=3230295380691041201&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3230295380691041201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3230295380691041201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/08/inesperado-sol-19-ao-sair-do-banho.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-67291812388626824</id><published>2010-08-10T19:32:00.005-03:00</published><updated>2010-08-11T09:17:28.151-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Inesperado sol&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do chuveiro caia bastante água, ainda bem, água fria, o dia vazava pela janela, se ia pelo ralo, escorria, água pelo corpo, o dia escorria da cabeça, por entre os cabelos, passando pelo rosto, pelo pescoço se perdendo longe pelo tronco, pelas pernas e pelos distantes pés, mais um dia, menos um dia. A casa do gerente estava limpa, não era nova com certeza, de umas quatro décadas atrás, mas estava limpa e arrumada numa combinação de austeridade e aconchego. Sentia-se uma visita que sonha com a hora de partir, mas gostava de estar ali, sozinho, protegido. Despedira a todos, os meninos que queriam ficar, as mulheres que logo disseram da comida na cozinha, caso ele quisesse. Fechou as portas, conferiu as janelas, desejou o banho. A reunião correra bem, dera as primeiras orientações e os homens se animaram. Não muitos, onze no total, marcados por aquela cor em que se temperam na pele os tons cinzas do sol, do alcool e da luta. Se sua situação ja era complicada, assumir aquele posto e aquela casa poderia adicionar multiplicando muitas outras complicações. A noite entrava pela janela do banheiro, caia na água cobrindo-o com um manto escorregadio, sentiu frio, arrepiou-se, um manto de morte cobrindo o corpo desnudo, se morre várias vezes e de vários modos. Fechou imediatamente o chuveiro e enrolou-se na toalha, ficou parado, completamente imóvel, sentindo a água calar-se na toalha, lembrou-se de casa, da esposa. Meu Deus, meu Deus, repetiu embalando-se apavorado, jogou a toalha ao chão, voltou ao chuveiro e deixou-se debaixo da água fria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-67291812388626824?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/67291812388626824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=67291812388626824&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/67291812388626824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/67291812388626824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/08/inesperado-sol-17-do-chuveiro-caia.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-7664120686678474869</id><published>2010-07-30T18:03:00.003-03:00</published><updated>2010-07-30T18:09:02.181-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhou para eles com uma decisão inesperada, por ele mesmo inesperada, convocou-os para uma reunião daí a meia hora. Que reunissem quem eles pudessem avisar. Enquanto se dirigia aos que estavam no bar com palavras resolutas se perguntava a razão de se contrariar em seus intentos, já que o que queria e o que devia fazer era fugir dali, mas com aquelas palavras convocatórias sentia que se ia deixando prender. Sim, parecia ser isso mesmo, se ia deixando prender. Sentou-se, bem como se senta um gerente numa mesa, sentou-se ao lado da janela, o olhar altivo ao modo de dizer a todos ali presentes que ele sabia muito bem o que fazia e o que iria fazer. Depois voltou-se para a janela de onde podia avistar uma parte do&amp;nbsp;porto e deixou o olhar cair inseguro sobre a paisagem, senão inseguro, vago e abatido decerto. Ali balançavam ancorados uns barcos que se prestavam a compor a tristeza daquele lugar com traçados de beleza. Não era o gerente, mas ia aceitando aquele velho porto e siderúrgica abandonada. O que seria fácil, virar as costas e se ir embora como fizera com tantos outros lugares por onde passara, não era fácil. Ele era tido por outro, e ser tido por outro dava-lhe a sensação de deparar-se ao andar ao lado do riacho em meio a brumas, muitas brumas em dia de inverno e chuvoso, com um inesperado sol . Já sabia o que iria dizer aos homens que viessem para a reunião, tudo lhe vinha fácil à mente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-7664120686678474869?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/7664120686678474869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=7664120686678474869&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7664120686678474869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/7664120686678474869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/07/inesperado-sol-17-olhou-para-eles-com.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-2465112753312549170</id><published>2010-07-27T18:04:00.003-03:00</published><updated>2010-07-29T22:12:59.186-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Inesperado sol&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eram homens sem trabalho que estavam ali, não gostava da palavra desempregados, eram trabalhadores, homens num bar, falando o que o mundo não queria ouvir, estas coisas do cotidiano, da vida. Eram os que restavam dos antigos operários daquele complexo, siderúrgica, estaleiro, porto. Viviam. Viviam provavelmente de pequenos ganhos, pequenos trabalhos, do mais conversavam ali no bar lições menores, aquelas que não interessavam a ninguém. Dirigiam-se a ele, nada era preciso dizer além do que diziam no olhar, e diziam senhor gerente. Sim senhor gerente, aqui estamos, e esperamos ver o que o senhor irá fazer. Ao mesmo tempo havia ali em suas retinas, no brilho e no fosco do fundo de cada olhar uma árvore que se&amp;nbsp;desfolhava em aceitação de que nada, nada mudaria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2465112753312549170?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2465112753312549170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2465112753312549170&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2465112753312549170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2465112753312549170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/07/inesperado-sol-16-eram-homens-sem.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-2203594939575771579</id><published>2010-07-17T11:53:00.004-03:00</published><updated>2010-07-27T22:23:58.645-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="background-color: white; color: #666666;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Inesperado sol&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não era somente um rosto que se configurava em arranjos na sua mente ao vê-la. Refugiava-se naquele rosto, e via, sim, uma velha e grande mangueira espraiada sobre um rio de fundo arenoso e águas claras. A sombra poderosa se instalava sobre o rio e suas margens, atravessava-o para o outro lado e as raízes da árvore criavam desenhos escuros no chão, riscos de letras incompreensíveis, palavras sem sons. Ele pediu um copo d'água, ela surpreendeu-se, água?, e trouxe-lhe. A palavra água com a interrogação reforçou a visão do fluir manso do riacho sobre as areias rasas embaixo da mangueira. Paravam ali, mas logo corriam rápido depois da pequena praia num estreitamento do rio pelo barranco de um lado e uma face de pedra do outro. Aquela sombra, a velha fábrica em que todos pensavam ser ele o novo gerente, a água que se comprazia num remanso e que logo encontrava as corredeiras diziam-lhe confusas orientações. Então começou a perceber o bar e os vários olhares sobre ele, o recinto, grande, talvez um antigo restaurante, abrindo-se em claridade, revelava seus vários elementos, coisas e pessoas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2203594939575771579?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2203594939575771579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2203594939575771579&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2203594939575771579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2203594939575771579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/07/inesperado-sol-15-nao-era-somente-um.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-4479129968738527186</id><published>2010-07-12T21:35:00.010-03:00</published><updated>2010-07-14T18:53:25.504-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um sorriso triste, mas um sorriso, apresentou aquela mulher junto ao balcão. Havia algo de passado, de grande, de maior pelo menos, naquele bar e naquela mulher. Os anos, não muito mais que trinta tinham lhe ressecado os cabelos, a pele do rosto rosada não escondia o fulgor do sol que nele se tinha infiltrado por anos em exposições de vermelhas horas, agora definindo algumas manchas. O olhar expressava simpatia, resignação talvez, e era pela resignação&amp;nbsp;que a simpatia se manifestava naquele sorriso e que ele&amp;nbsp;logo acolheu. O que sentiu por ela, sentiu por intuir que nela corria um destino assim, destes dos quais não se pode mais desviar,&amp;nbsp;tal qual&amp;nbsp;o seu. Qual o dela ele não sabia, o laço entre os dois&amp;nbsp;apenas existia, sem significados e soluções. Se era assim podia se aproximar dela sem medo. E era. Foi o que fez, se aproximou, forjando um sorriso também. Nas primeiras palavras, nos cumprimentos formais, no senhor gerente que ela obdiente lhe dirigiu logo enxergou através daquele rosto uma dúvida, de que maneira se relacionaria com as mulheres, o que surgiria quando seu olhar de cobiça se debruçasse sobre uma delas, revelaria alguma coisa, perguntava-se. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-4479129968738527186?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/4479129968738527186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=4479129968738527186&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4479129968738527186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4479129968738527186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/07/blog-post_12.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-3148539977715523693</id><published>2010-07-09T22:39:00.005-03:00</published><updated>2010-07-12T13:25:39.527-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Inesperado sol&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não havia motivo para rir, mas ria, inclinou-se sobre o volante e endureceu-se nas feições para impedir o riso e o que o riso encobria. Carregava algo na pele, por dentro dela, nos limites entre o que faz rir e faz chorar. Era como roupa suja, aquela que ele atirava longe ao chegar em casa, apressado, desejoso de uma ducha. Mas a roupa se lhe&amp;nbsp;tinha grudado na alma. Talvez um dia visse alvejada a amarela história que carregava consigo agora. Os meninos o rodearam, chamavam-no de senhor gerente o tempo todo, seus ouvidos não se contrariavam mais, ou não tanto, com aquela forma de tratamento. Dobrou-se sobre o motor e um tempo depois, como os meninos, ele vibrava de alegria ao vê-lo roncar. Sentiu sede e os meninos falaram do bar na pequena vila operária ali perto. Pularam sobre a carroceria antes que ele assumisse o volante, não havia como mandá-los descer, e nem sentia vontade de fazer isto, distraia-se com eles, e rumaram todos para o bar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-3148539977715523693?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/3148539977715523693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=3148539977715523693&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3148539977715523693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3148539977715523693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/07/inesperado-sol-13-nao-havia-motivo-para.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6215717429176165872</id><published>2010-07-06T06:39:00.004-03:00</published><updated>2010-07-09T22:28:40.570-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Inesperado sol&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dentre os dias que faltavam estava a quarta-feira. Faltava o pano da quarta. A quarta-feira do ocorrido não faltaria mais, ficaria grudada nos pensamentos até quando este se perdesse nos pântanos da memória envelhecida, ai, quem sabe, a memória que desliga e liga em outros jeitos uma mesma linha, construa sem dor, sem peso na verdade, o que aconteceu naquele dia. Meu Deus, foi numa quarta-feira. Agora teria que levar até o inferno aquela quarta-feira. Os degraus da escada não lhe bastaram, desceu-os saltando-os a ponto de cair e se quebrar todo no chão imundo do primeiro andar, abriu a porta com a decisão tomada sem saber em que momento ela teria se formado, ela se dava agora, em cada passo apressado, os olhos não viam nada, o rumo era definido como o rumo de um réptil que segue veloz. Ao dar partida na caminhonete o motor roncou, roncou e não funcionou. Derramou-se por dentro de um depósito bem cheio um liquido amarelo de frio que lhe desceu pelos entremeios da barriga. Desligava e ligava o motor e ele não funcionava.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6215717429176165872?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6215717429176165872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6215717429176165872&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6215717429176165872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6215717429176165872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/07/blog-post.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-1070728977342368885</id><published>2010-05-28T07:19:00.016-03:00</published><updated>2010-06-01T15:48:10.941-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Inesperado sol&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles chegaram com o almoço, com olhares de querer entrar nos velhos escritórios. Tomou ali na porta mesmo o que eles trouxeram, quatro pequenas vasilhas embrulhadas em panos de prato e colocou-as sobre os primeiros degraus da escada, despediu-os com um obrigado forçado na gentileza e fechou a porta sem que eles se arredassem dali. Queriam uma intimidade que ele até gostaria de lhes oferecer, mas não devia. A porta fechada fez com que esquecesse os meninos, subiu as escadas e tornou a descer para pegar o restante do almoço. Abriu um dos pacotes de pano, ali estava bordado terça-feira, um prato, a vasilha sobre ele, destas de plástico, continha costeletas de porco envoltas em maravilhoso perfume, abriu a outra, quinta-feira, trazia uma salada de pequenos tomates sobre algumas folhas de alface, a outra, segunda, uma boa porção de feijão e arroz, uma colher de farinha ao lado, na última, domingo, um pedaço de cuscuz branco com muito coco por cima e um belo filete de leite condensado em espiral, por fora, no mesmo embrulho, uma lata de coca-cola e os talheres. A visão da comida, o cheiro, a brancura dos panos de prato lhe acordaram para a fome. Comeu avidamente. Lembrou-se dela, não queria mas lembrou, o amor no cotidiano é belo depois, à distância. A lembrança encerrou o almoço, contraiu o rosto e levantou-se, tomou um pano de prato, o domingo, e levou-o às narinas, fechou os olhos, queria absorver algo daquelas fibras de algodão, uma alma talvez, a casa, o amor, a vida do dia a dia, o calor de uma cozinha, o tempo presente que agora não lhe pertencia mais. O passado o perseguia, e o futuro não amanhecia senão entre brumas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-1070728977342368885?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/1070728977342368885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=1070728977342368885&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1070728977342368885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/1070728977342368885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/05/inesperado-sol-11-eles-chegaram-com-o.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-2691038673561662741</id><published>2010-05-19T21:57:00.004-03:00</published><updated>2010-05-20T08:43:51.718-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Inesperado sol&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor gerente, gritavam batento na porta num misto de obrigação e diversão, mas ele não ouvia os meninos. Senhor gerente, senhor gerente, continuaram entrecortando o coro monótodo com risos festivos, até que se deu conta de que aquele senhor gerente era com ele, era por ele que os meninos chamavam. Senhor gerente, disse pra si mesmo em voz baixa aceitando o chamado, indo até à janela. Lá estavam à porta os quatro meninos, olhou-os de cima. Perguntavam, a mando, se ele queria almoçar, e se desejava que o almoço fosse servido na casa do gerente. Já estão limpando a casa para o senhor, disseram. Traga o almoço aqui mesmo, respondeu de imediato, depois vejo estas outras coisas. Admirou-se da presteza em responder como se não houvesse nenhuma dúvida e como se aquela fosse sempre sua voz. Senhor gerente, repetiu, se afastando da janela, sentando-se defronte à mesa. Ali estava do outro lado a cadeira do gerente, vazia, e ele disse com um tom irônico e raivoso, senhor gerente, o que o senhor me diz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia o que dizer, muito menos para si mesmo, no entanto esperava um pensamento que pudesse ser anunciador de uma outra saída que não fosse só fugir. Decidiu esperar o tal almoço e depois tomar o carro e seguir sabe-se lá por quais estradas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2691038673561662741?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2691038673561662741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2691038673561662741&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2691038673561662741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2691038673561662741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/05/inesperado-sol-10-senhor-gerente.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-2381602416453682713</id><published>2010-05-18T21:13:00.003-03:00</published><updated>2010-05-18T21:18:25.732-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Inesperado sol&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;9&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teto não lhe sorria, pois que sorriso não teria mais, aquele, lembrou a pressa, era necessário ter pressa, sempre, sem descanço, quis ter pressa, mas não tinha, tinha que tirar do alto os olhos, olhar para o chão das estradas, pisar fundo no acelerador. Forçou a pressa, ela não veio, os olhos percorriam as linhas do forro, as teias, as lâmpadas. A cor, que cor seria aquela?, não era branco, mas amarelo também não, algo ali entre um e outro, o olhar corria lento de um ponto para o outro enquanto a pressa se corroia em disperdícios de idas e fugas. Era bom estar ali, calado, sozinho, escondido... até quando? Forçava-se em levantar da cadeira, em descer daquela sala, pegar a caminhonete e ir embora, mas aquela sala agora tinha algo dele, a limpeza que fizera, podia ficar umas horas a mais, dormir ali quem sabe e bem de madrugada se ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou-se do teto, levantou-se, foi para o outro lado da mesa e tomou o lugar do chefe, quem seria? de quem seria aquela cadeira quando dela se ordenou o último mando? perguntou-se. Confundiam-no com o novo gerente, por agora era bom sentir-se assim, quem ele não era. Da cadeira do gerente, ou do dono, ou do presidente se avistava a porta, ela estava aberta, esquecera assim limpando a sala, o vento corria da janela pela porta afora, arrepiou-se, correu para fechá-la, trancou-se e voltou para a cadeira. Tinha que se renovar nos planos, disse para si mesmo, manter a cabeça no lugar, pensar cada passo, mas já estava bem longe, podia relaxar um pouco, dar-se um descanso, permitiu-se. Fechou os olhos e ouviu os meninos lá fora, já não brincavam mais de avião. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2381602416453682713?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2381602416453682713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2381602416453682713&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2381602416453682713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2381602416453682713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/05/inesperado-sol-9-o-teto-nao-lhe-sorria.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-9216558126196111675</id><published>2010-05-17T17:57:00.005-03:00</published><updated>2010-05-17T21:45:52.415-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Inesperado sol&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;8&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ardor do trabalho lhe devolveu por um tempo um sossego, um leve e bom sossego que se confundia com o cansaço. Subira e descera várias vezes aquela escada com o balde d'água, arranjara vassoura. A sala agora estava limpa, bem limpa, havia ainda coisas a fazer, mas estava limpa. Os vidros da janela ainda esperariam com suas nuvens de poeira. Ajeitou uma cadeira adiante da mesa e outra atrás, quis sentar, titubeou entre um lado e outro, escolheu sentar adiante, como se fosse um cliente. Sentado, através da poeira nos vidros da janela, viu um pedaço de mundo que não lhe dizia nada, que lhe era muito semelhante para dizer algo que ele já não o soubesse, o lado de fora, velhos barcos, um ancoradouro vazio, pássaros voando sobre eles, nuvens se sobrepondo ao brilho do céu que se abrira pela manhã. O que ele sabia era o que ele tinha feito, soterrado estava. Levantou-se e foi para janela, abriu-a, voltou para a mesma cadeira, procurou a posição que ocupava antes de abrir a janela, inquietou-se pelo desconforto de não ter mais exatamente o mesmo ângulo de visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou a mesa limpa, os objetos dispostos sobre a superfície marcada por pequenos vincos e manchas, palavras sobre palavras, números sobre números, somas incompletas, rabiscos e tensões, nada viu. Recolocou-os em posições diferentes, nada viu. Incomodava-o, de repente, a hora do dia, agoniava-se com o leve vento com cheiro de mar, o frio daquela espaçosa sala, queria que fosse nove horas da manhã, não era, olhou o relógio e passou as duas mãos sincronizadas sobre o cabelo, indo da testa para a nuca, entrelaçando-as ali, abriu os cotovelos ao modo de formar pequenas asas, a cabeça se jogou para trás e os olhos caíram no teto. Os fatos retornaram, as imagens se precipitaram de enxurrada naquela sala, apertou os olhos contraindo todo o rosto em expressão de angustia mais que dor, dor mais que medo, medo mais que idéias do que fazer. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-9216558126196111675?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/9216558126196111675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=9216558126196111675&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/9216558126196111675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/9216558126196111675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/05/inesperado-sol-8-o-ardor-do-trabalho.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-982583744842130474</id><published>2010-05-15T11:14:00.005-03:00</published><updated>2010-05-15T11:53:38.359-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Inesperado sol&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;7&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou ali no carro por uns momentos, desses em que a vida parece ser apenas a recordação de dias. As recordações, no entanto, se esvaem como nuvens que mudam de forma e cedem lugar aos desafios de viver. Retomou a chave, foi em direção ao prédio, abriu a segunda porta. Não quis olhar o ambiente, mesas, máquinas de escrever, armários, janelas fechadas. Subiu logo à sala no andar superior, uma outra porta e tudo estava bem disposto, quase arrumado, mas tudo coberto de poeira e de um ar que mesclava mofo e sonhos. Desceu e procurou uma copa, uma cozinha, um banheiro. Entrou numa cozinha, abriu a torneira, a água jorrou forte e enferrujada e logo clareou. Tomou um balde ali num ármario depois de abrir e fechar muitas portas em cômodo escuro anexo à cozinha. A água continuava jorrando em barulhos de vidas insurgentes. Não sabia exatamente o que aqueles gestos criavam em relação ao futuro, mas executava-os como se os propósitos fossem claros, lógicos, com intenções produtoras de muitos sentidos para um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, absolutamente não, não sabia senão o que procurava, um pedaço de pano. Ali estava, ao chão, resseco e cinza. Tomou-o, serviria, mergulhou-o no balde e ele reviveu-se entre soltar a cor e avolumar-se como um universo em expansão. Esfregou, esfregou o pano, trocou a água, esfregou e torceu o caldo escuro e suculendo dos dias presos nele. A maciez voltou, o cor se amenizou de suas asperezas cinzas e fadigas. Havia desejos de amarelos, de vermelhos e vinhos, mas apesar dos torções, das trocas de água, dos esfregões, o domínio do peso, do chão, do tempo persistia em suas fibras. Encheu o balde uma outra vez, mergulhou-o totamente na água. Lembrou-se da segunda porta, largou o balde aos pés da escada e trancou a porta, sentiu-se melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subiu como se já fosse conhecedor de cada degrau daquela escada em muitas subidas e descidas, entrou na sala e olhou para a mesa. Grande, de madeira escura, com boas e várias gavetas de cada lado do folgado vão para a cadeira. Cuidadosamente retirou o que estava sobre ela, papéis, livros, canetas, pedras coloridas, duas verdes, uma ocre, que serviam de peso para segurar papéis, um cavalo de bronze. Mergulhou as mãos no balde e sentiu a água. Não a tinha sentido ainda, sentia agora, era a água que vinha daquela velha caixa com certeza, água fresca, confortável como luva que lhe vinha ao relógio. Olhou as horas, o metal reluziu en refração, não se importou com a hora, tomou o pano bem torcido e percorreu a superfície da mesa de um lado a outro na horizontal, fez caminhos retos, tortos e um brilho foi se acendendo na madeira, quase também em seus olhos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-982583744842130474?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/982583744842130474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=982583744842130474&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/982583744842130474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/982583744842130474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/05/inesperado-sol-7-ficou-ali-no-carro-por.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-3963078173857490713</id><published>2010-04-21T14:05:00.005-03:00</published><updated>2011-01-06T22:44:43.235-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Inesperado sol&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;6&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo encontrou o prédio da administração. Estava ali, imponente ainda, mesmo que no desuso e na carência de reparos, sobre pequena elevação do terreno, bem defronte ao cais e a uma certa e boa distância da siderúrgica. Um prédio de dois andares em estilo eclético que parecia datar das primeiras décadas do século vinte. No frontal, acima da porta principal ladeada por quatro janelas de cada lado, o mesmo se repetindo no andar superior, também se via aquele nome que se derretia no alto da caixa d'água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apareceram assim como que do nada quatro meninos capitaneados por um branquelo e magro de uns onze anos que foi logo perguntando se ele iria reativar a fábrica. Olhando para as chaves estava, olhando para as chaves continuou sem lhes dar atenção. Tentava descobrir e acertar de primeira a que abriria aquela grande porta de entrada. A porta está aberta, senhor, disse o tal menino, a segunda é que está trancada, e bem trancada, e o menino disse isso empurrando a banda direita que foi cedendo e girando sobre suas dobradiças sem ranger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como por uma simples vontade de contrariar à gentileza e esperteza do menino, mas não era isso que lhe definia as atitudes naquele momento, voltou à caminhonete alvorada 62 e ordenou com uma certa rispidez que os meninos o deixassem trabalhar. Saindo correndo com os braços abertos brincavam de aeroplanos voando, os quatro aviões tinham uma das asas se formando em desequilíbrio com o resto do corpo pois levavam goiaba em uma das mãos, ou outra fruta mordida, não reparou bem. Nos roncos guturais e suaves daqueles pequenos aviões ele ouviu um indistinto mas apertado sentimento, uma música, stardust talvez, ou o som descompassado que se deu no vão entre a porta que o menino abriu e o filho que não chegou a ter com ela. Amava-a. Desacreditava do amor, amor, que amor é esse? amava-a. Embora o meio-dia não tivesse marcado o rosto de ninguém por ali, aquela música fazia o sol ir adiantado, bem adiantado em tardes de olhares nômades. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-3963078173857490713?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/3963078173857490713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=3963078173857490713&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3963078173857490713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/3963078173857490713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/04/inesperado-sol-6-logo-encontrou-o.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-4526376444343362445</id><published>2010-04-17T15:19:00.007-03:00</published><updated>2010-04-17T15:41:42.763-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Inesperado sol&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para o molho de chaves jogado sobre a poltrona no lado do carona. Elas pesavam-se imóveis de muitas portas, de voltas nas ferrugens escondidas, nos escuros internos de gavetas, nos seus segredos. Um aro de arame em umas partes expondo um brilho pela fricção suportava-as espalhadas ao redor como raios de um sol esquecido de seus eixos, parado. Olhou para as chaves. Não havia nenhum vínculo com elas, teria de descobri-las no uso, nas portas, nas importâncias. Apenas encontrava nelas densidades de coisas paradas, coisas que prendem sentimentos em impossíveis felicidades. Umas traziam marcas de usos, outras marcavam acúmulos e cores de esquecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogou a marcha para o ponto morto, tomou o molho na mão enquanto seus olhos se iam das chaves para outras paragens. O modo com que fez isso parecia traduzir uma intenção de salvação, assim, a dar às chaves a vida do movimento e do tilintar. Salvava-as pelo movimento, fazia-as respirar pelo tilintar, ligava-as em família no barulho. Ficou ali brincando com as chaves, todo o corpo parado, apenas a mão direita movimentava as chaves no molho, e os olhos, os olhos embaçavam-se escravos na bifurcação da estrada daquele parque industrial abandonado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tilintar depois de um tempo impreciso, um tilintar mais agudo ou mais melancólico, ou uma onda arrebentando-se mais volumosa por ali ao fundo despertou-o. Não queria acordar, não queria o tempo todo pensar aqueles pensamentos, o franzir da testa, o leve movimento de negação da cabeça quase imperceptivel delineavam a presença da contrariedade, a despeito da firmeza da postura ao volante. Impunha-se, todavia, a necessidade de voltar às escolhas, às decisões. Largou o molho sobre a poltrona, abriu rápido o porta-luvas e se acalmou. Ali estava a arma enrolada em macio, velho, manchado feltro esverdeado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro roncava parado em ponto morto, precisava de algum dinheiro, aquelas chaves poderiam, por um jogo de sorte, de um modo ou de outro, facilitar a viagem, se bem que já estava bem longe e deveria se permitir uma noite tranquila de sono. Engrenou a primeira marcha, e os pés, na embreagem e no acelerador, mantinham a caminhonete entre voltar daquele engano e seguir para as velhas instalações. Seguiu na direção da siderúrgica. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-4526376444343362445?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/4526376444343362445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=4526376444343362445&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4526376444343362445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/4526376444343362445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/04/inesperado-sol-5-olhou-para-o-molho-de.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-2470225552769244674</id><published>2010-04-15T15:38:00.005-03:00</published><updated>2010-04-15T17:27:06.530-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Inesperado sol&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às escondidas, por vias que não se sabe quais, de repente, uma serpente de imagens recordosas se insidiou por sua mente, sem veneno, sem susto, quase como amiga. Era uma serpente vencedora, vencedora pela simples presença nele, delimitando território, garantindo domínios. Se a manhã se levantava inquestionável sobre as decadências daquele lugar, as recordações se sobrepunham em tentativas orgulhosas sobre as culpas, a culpa. Foi o que foi, ele pensou, se por suas mãos ou não, o destino tecera seu manto com o fio do carretel dos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de ter parado a caminhonete ali deflagrava e revelava talvez um segundo movimento causado pelas recordações, à despeito do seu querer e de sua bem sucedida fuga, o movimento da sua mente queria a afirmação de uma verdade. Mesmo que incerto das palavras havia entre o olhar disto e daquilo naquele mundo abandonado uma insistência que forçava a lingua para a voz, e mesmo que por contenção na garganta ele dizia que a amava. Sim, era amor. Todos falam de amor e aquilo era amor, aquilo teria sido a sua experiencia de amor. Ele a tinha amado, dizer que não era amor seria como negar que o sol se infiltrava naquele lugar de abandono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade da manhã, a convicção que afirmava como amor o que sentia por ela, não se manifestava todavia na clareza em relação ao dia da semana. Seria terça ou quarta-feira? Tinha mais dúvida aqui. Estacionara numa bifurcação; uma via se ia para a pequena siderúrgica e o estaleiro, a outra ia para um tipo de vila operária &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-2470225552769244674?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/2470225552769244674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=2470225552769244674&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2470225552769244674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/2470225552769244674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/04/inesperado-sol-4-as-escondidas-por-vias.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5480097967458229919.post-6269918054636224056</id><published>2010-04-12T12:50:00.009-03:00</published><updated>2010-04-12T17:10:34.775-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Inesperado sol&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogou fora a guimba do cigarro usando o polegar e o dedo médio como alavanca, e a pequena brasa rodopiou no ar extinguindo-se em invisíveis resquíscios de satisfação. O gesto era mais um gesto sem foco do que a indiferença de jogar para o ar um resto de cigarro, num arremessar impiedoso, para que se danasse a brasa fumegante ali na pequena viagem, se bem que também era isso. Caía em curva ascendende e depois descendente, mas caía sempre, inexoralvelmente, a guimba. Caía a vagueza do ver a velha caixad'água, o seu derredor, ao fundo os velhos galpões, os guindastes marrons de ferrugem, caía sem origem e sem destino, um fosco e viscoso brilho de uma canção ao longe em recordação inesperada da qual não se é capaz de distinguir as palavras. O gesto e o olhar que o acompanhava tinha aquele peso de queda que tanto pode ser o peso de um amor quanto de várias tristezas. O amor é sempre único, as tristezas se acumulam, sacudiu a cabeça espantando pequenos mosquitos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Logo e assim seguindo, dirigindo vagarosamente, avistou por detrás de umas carcaças de caminhões, pastanto em abundantes trechos de capim entre os metais enferrujados, uma branca e doce vaca de pêlo brilhoso, com seu bezerro. A vaca comia aqui e acolá sem ter o que procurar dada a abastância de comida. O bezerro fungava-lhe os úberes e dava-lhes umas estocadas com o focinho para depois saciar-se do calor e do sabor materno. A vaca se entretinha entre abaixar a cabeça e reerguê-la para mastigar o que tinha colhido com seus dentes e com sua lingua áspera e saliventa. Correu-lhe pela pele, no intercurso do encontro, do que se depreende dos encontros, do que um encontro anuncia, um sentimento de retornar e pisar fundo o acelerador, e com alegria arremessar o molho de chaves na direção da guarita e seguir pela cidade afora, vazar seus limites, ir embora, dando prosseguimento, sem atalhos, ao seu destino. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5480097967458229919-6269918054636224056?l=essapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://essapalavra.blogspot.com/feeds/6269918054636224056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5480097967458229919&amp;postID=6269918054636224056&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6269918054636224056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5480097967458229919/posts/default/6269918054636224056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://essapalavra.blogspot.com/2010/04/inesperado-sol-3-jogou-fora-guimba-do.html' title=''/><author><name>Dauri Batisti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07950543442502184386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-hVUim4X3egY/TjFh2ukW4tI/AAAAAAAACIA/JJTaGhXK2I0/s220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry></feed>
