A solidão suave e invisível,
amiga e debochada, como fantasma
segue o impacto dos passos, das mãos no teclado,
letras, fragmentos de decisões, escolhas,
curvas e pedras, palavras. Vida, trilha, sigo
o rumo de estrelas desconhecidas, versos,
reversa bússola, tino. Destino? Olhares em saudades,
gestos melancólicos de buscas sem fim
compõem esta canção, queixa, exclamação.
Clamo, canto, engano-me feliz de poesia,
encanto-me e desando em passos tontos,
sem chegada. A morte é parada, fria,
mas não é chegada. Passo por ela escrevendo
uma carta que ela nunca vai ler, um
poema, sem poeta ser. Trilha, vida, vou,
desencarna-se alguma disciplina dos ossos dos erros,
meus, becos e vias sem saída. Resta, a herança,
uma possível via, uma florada de frases
insignificantes, poesia sem poeta, poemas,
tremas esquecidos das intranquilidades,
mares, estradas por onde se tenta alcançar, é isso,
depois, bem depois de muitas milhas,
algum amor.