XIV
Pode haver uma chance no entardecer
de viver como quem semeia trigo
ao amanhecer.
Carregado de carinhoso olhar,
acima do destino de ver, ser capaz de
plantar
girassóis na lavoura da tristeza.
Busco. Mas agora o que há é uma vontade,
travessa, pueril, de puxar de surpresa
o pesado
manto da tarde e deixá-la nua,
linda e livre para o amor
de fazer
poemas comigo, até a noite chegar.
Respigar antigos desejos de amor
abandonados, sonhos simples de alegria
esquecidos,
e aproximar-se em cada um deles da realidade
que a poesia há muito tempo já havia
alcançado,
e sugerido, como caminho.
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