Exortação do honorabilíssimo escriturário corregedor
Há palavras demais
colhidas nos mais lindos pomares;
Frutas vermelhas, carnudas, mas aguadas.
Há palavras escorrendo da encanação furada
formando enxurradas, valas,
jorrando pela rua errada.
Há, e elas pingam em longos filetes dourados
das conchas das abelhas geneticamente alteradas
mel com certeza, decerto contaminado.
O resultado é o engano, o poder da miudeza, névoa,
perda do precioso tempo consagrado que seria
para outro rito; dançar a vida em nobres salões.
A luz dos minutos é sugada por cada poema,
- misteriosos buracos negros - num redemoinho esfaimado,
ninho de anjos em tempo de muda de penas,
vadios, feios, sem destino.
Formigas que perderam o vôo e caçam
pequenos grãos de açúcar em uma velha lata de biscoitos.
Horizontes abertos em cada manhã, tudo se perde.
Não perca mais tempo, meu caro,
teus poemas não valem nada.